ZEKE

ZEKE – Noite de personagens

Sala Rocksound, Barcelona – 18/04/2018

Texto e Fotos  – Mauricio Melo – Snap Live Shots

Noite de personagens. E sinceramente, não falaremos somente da lenda punk, rock, punk-rock, speed rock ou seja lá como você queira definir o som do ZEKE. Sabemos, e muito bem, que a banda está na estrada há muitos anos, suficientes para estar no nível em que estão e com o público que possuem.  Lotar uma Rocksound em plena quarta-feira não é para qualquer um, mesmo a sala sendo pequena como tal, muitos por ali passaram e em melhores dias da semana e não conseguiram o feito. O que demonstra a força do quarteto e da promotora HFMN, que vem dominando o meio campo há muito tempo.

Personagens desde o principio. A banda Mean Machine, com seu lema “isso é Rock and Roll e vamos todos tomar nquele lugar”, pisou fundo no acelerador com “Loud & Proud”, “H-Bomb” e “We Want Violence” num set relativamente curto, porém bom o suficiente. O primeiro que salta à vista é que o trio seria a reencarnação – guradadas as devidas proporções – do Motörhead, versão espanhola e underground de um Lemmy ainda jovem.  Raul Mesa no baixo e vocal, Juan Quesada nas seis cordas tirando riffs incríveis e Marc Tàpies destroçando a bateria e mais, totalmente pelado. O batera não só tocou, mas também derrubou demoliu o instrumento, rolou no chão abraçado com parte do mesmo e até se despediu do público de maneira “formal”, abraçado a outros integrantes… Apenas de tênis. Típica banda que levanta a galera por aonde passa.  Autêntico Rock and Roll cara de pau.

Mas não ficaria por aí. Quando Zeke entrou em cena para apresentar seu último disco, Hellbender, além dos personagens principais, tinham os coadjuvantes que, sem os mesmos, a noite não teria tido a mínima graça.

Entre eles o batera pelado (agora vestido) que se tornou o rei dos Stage Divers.  Tinha também o punk com cara de bom moço com sua jaqueta de couro cruzada com e expressão de surpreso que, enquanto bebia sua gelada,  foi levantado pelo público e “obrigado” a dar uma surfada por cabeças alheias.   Um cidadão enlouquecido com uma baqueta nas mãos na linha de frente, outro com um boné para trás e a cara manchada de batom que também poderia ser algo de sangue e que se dedicava a empurrar todo mundo e rir.  Um corajoso com uma garrafa de vidro no meio dessa galera bebendo sua cerveja tranquilamente sem passar pela cabeça que um pé alheio poderia no mínimo quebrar seus dentes numa fração de segundos. Em todos os personagens havia algo em comum, a felicidade de estar curtindo aquele show.

E, diante de tudo isso, estava ZEKE apresentando “Hellbender” e desfilando clássicos de poderosos discos como “Death Alley”, “Dirty Sanchez”, “Flat Tracker” e muito mais. Entre eles “Chiva Knievel” e “Wanna Fuck”, as rapidíssimas “Slut” e “Fuck All Night”, só títulos sugestivos e dando um bonito repasso em no disco “Flat Tracker” e somente na metade do set que músicas do já comentado “Hellbender” deram o ar de sua graça com “County Jail” e “All The Way”.

Também chama a atenção a postura que a banda adota no palco. Blind tocando com a guitarra apoiada no ombro ou encostado com o guitarrista Kyle Whitefoot um no outro como se fossem Slash e Duff ou qualquer outra banda de hard rock dos anos 80. O baixista Kurt Colfelt comandando o povo e Dayne Porras dando porrada na bateria.

Engana-se quem acha que o set esteve recheado de músicas do aclamado disco “Death Alley”, tais temas demoraram a entrar em cena, mas vieram no momento exato. Aquela reta final, quando o calor, a sede e o cansaço batem forte no público, o quarteto apresentou uma puta sequência com “Mountain Man”, “Arkansas Man”, “The River” e “Eyes of Satan”.

Ainda que os fãs pedissem mais, depois de um setlist tão completo com, possivelmente, mais de trinta temas.  Seria cara de pau demais de pedir um bis.

Não me espanta que o cartaz de Sold-Out estivesse colado na entrada.

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