The Exploited

The Exploited, The Casualties, Code Red & Clowns

Estraperlo Club Del Ritme, 13 de Abril de 2017

Texto e Fotos. Mauricio Melo & Snap Live Shots

 

O tão prometido encontro entre The Casualties e The Exploited esteve ameaçado de não acontecer até o último minuto, ou melhor, o acontecimento estava garantido, mas uma parte do público ameaçou não comparecer. A questão é simples de entender, o eterno vocalista do The Explode, Wattie Buchan, teve (novamente) um ataque cardíaco dias antes da banda pisar em terras espanholas, a banda ainda questionou sua participação na turnê, mas decidiu seguir sem Wattie. É obvio que uma parte da galera torceu o nariz, exigiu dinheiro de volta, xingou, se sentiu enganado e tudo mais.

Mas, repassando toda a situação, o The Exploited é uma banda que aparece por aqui com certa frequência, posso garantir que em uma década em Barcelona já presenciei por pelo menos três vezes a visita dos escoceses, sem contar participações em festivais aqui e ali.  Perfeitamente entendível se a banda não tocasse na península por pelo menos uma década ou, como o caso recente do Rancid, que demorou 25 anos para tocar no Brasil e que para tal turnê seria um crime não comparecer com o time titular.

Vale lembrar também que o The Casualties estava na jogada e que a banda por si só já merece casa cheia.  Somando a tudo isso, Jake Casualty, guitarrista da banda novaiorquina ainda quebraria o galho segurando os vocais na maioria das músicas, alternando com membros do Code Red e Clowns.  Por aqui já vimos Napalm Death sem Barney, Terror sem Scott Vogel e muito mais em noite memoráveis e essa não foi diferente.

Para abrir a noite tivemos o surpreendente show do Clowns, quinteto australiano que chegou sem muito alarde e que conquistou a galera, deram tudo e mais um pouco nos trinta minutos que estiveram no palco.  Defenderam e muito bem seus discos “Bad Blood” e “I’m Not Right”, difícil escolher o ponto alto.  Destaque para o vocalista que desceu do palco, incentivou circle pit, rolou no palco, saltou e ainda guardou voz para destruir um par de petardos com o The Exploited no final da noite.

Na sequência tivemos os alemães do Code Red, com uma apresentação muito mais técnica, porém algo deslocado na noite já que se tratava de uma banda com um som muito mais metal.  Agradaram, mas não empolgaram tanto quanto o Clowns.

Se existe uma banda que dispensa comentários no cenário punk, essa é o The Casualties. Mesmo assim destacaremos os riffs de Jake à disposição e o humor do baixista Rick, a simpatia de Jorge nos vocais  e o ritmo implacável de Meggers na bateria.  Ritmo pegado, porradão e o mais importante, casa cheia.  Sim, os “mimimis” da troca de ingressos foram atropelados por punks sedentos e suados.  A noite fluiu como nunca e curtimos novos sons com “Chaos Sound” e “Brothers and Sisters”, clássicos como  “Casualties Army”, “On The Front Line”, “Tomorrow Belongs to Us”, “Under Attack”, algo nem tão clássico como “Resistense” e o resto já é história, fizeram a noite valer à pena, disso não há dúvida.

Já não haveria marcha atrás, o The Exploited pisou no Palco sem Wattie, se bem que Jake parecia um rejuvenecido Buchan com seu moicano vermelho e botas como nos bons tempos.  Abriram a noite com “Let’s Start a War” e tivemos a sensação de que o público estava avaliando para saber se iria dar certo ou não, poucos se mexiam, o pogo ainda estava frio, com certeza a banda achou que dentro de nada voariam garrafas, tênis e qualquer outro objeto, mas não foi assim.  O baixista Irish Rob segurou bem a onda nos vocais em músicas como “Beat The Bastards” e “UK 82”, aí o público empolgou de vez. Em “Fuck The System” tiveram a participação de integrantes do Code Red, o vocalista do Clowns também segurou a onda como já foi comentado acima e o desfile de clássicos e participação não pararam. “War”, “U.S.A.”, “Sex and Violence” e “Chaos in My Life foram algumas das mais destacadas e à aquela altura tudo era uma festa.

Foi uma noite memorável, uma noite na qual a atitude punk sobressaiu, aonde o fulano que pediu devolução do dinheiro deve estar tristonho.

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