Um dos melhores do ano!

Testament. Foto: Marta Ayora/ Rock Meeting

Por Marta Ayora

O Testament, uma das bandas mais relevantes do cenário do thrash metal, retornou ao Brasil para mais uma tour em nossas terras trazendo na bagagem o elogiado álbum “Brotherhood of the Snake”, lançado no ano passado e que tem superado os trabalhos anteriores “The Formation of Damnation” (2008) e “Dark Roots of Earth” (2012)”.

A formação do quinteto conta atualmente com Chuck Billy nos vocais e o guitarrista Eric Peterson (únicos integrantes que participaram de todas as gravações do grupo), Steve DiGiorgio no baixo, Gene Hoglan nas baquetas e fechando com a outra guitarra de peso o grande Alex Skolnick.

A banda californiana formada em 1983 foi uma das fundadoras do movimento thrash metal ao lado de MetallicaMegadethExodus, entre outras.  E com mais de três décadas de estrada o Testament chegou à marca de 14 milhões de álbuns vendidos mundialmente em 2012. Faz ideia do que isso significa?

Para abrir a apresentação em São Paulo, na casa de shows Carioca Club, a banda convidada e muito promissora no cenário Death/Thrash Metal foi a “Circle Of Infinity”, que em 2015 lançou seu álbum de estreia intitulado “Moments Of Evil”.  O quarteto de Limeira formado por Edson Moraes (vocal e guitarra), Allan Farias (Guitarrista), Celso Fernandes (Baixista) e Alexandre Bento (Baterista) trouxeram muita personalidade, qualidade técnica e palhetadas infernais.

Edson Moraes também é conhecido por movimentar a cena local em sua cidade e junto com os músicos prestaram a habitual homenagem ao grande e saudoso Chuck Schuldiner (Death) tocando uma versão perfeita para “Zombie Ritual”, clássico presente na playlist de diversos metaleiros pelo mundo.

Após o encerramento da apresentação da banda “Circle Of Infinity” e minutos antes do Testament entrar no palco, eu observei um público impaciente colado na grade e perguntei: “E aí pessoal? Vocês estão ansiosos pelo show?”.  A resposta de um dos espectadores: “Só estou me sentindo como um noivo no altar esperando pela noiva no dia do casamento”.   Mal deu tempo de imaginar a cena do noivo, pois as luzes se acenderam e lá vem eles…os headliners da noite!   Percebi que o “noivo” da plateia estava visivelmente muito emocionado, o que me levou a uma profunda reflexão sobre a música.

É incrível como a combinação de sete notas musicais seja capaz provocar um efeito tão forte em nosso corpo. O coração acelera, o corpo vibra ao ver a banda que você venera tocando na sua frente. E as emoções ficam sim a flor da pele. Quem nunca?

Testament. Foto: Marta Ayora/ Rock Meeting

A casa estava lotadíssima como eu nunca tinha visto antes e a banda pisou no palco agitando o público animadíssimo ao som de “Brotherhood of the Snake” . Daí em diante começou os moshes e os bate cabeças sem fim.

Em “More Than Meets the Eye” o público cantava em uníssomo com a banda…coisa linda de ver!  Enquanto isso o baixista Steve DiGiorgio interagia chamando a plateia, que respondia imediatamente.

Foi uma pancada atrás da outra e com o público muito animado, Chuck Billy  perguntou: “Hello my friends! How are you?”. E o público em uníssomo “Testament, Testament, Testament!”. Chuck agradece o público e diz que São Paulo tem um lugar especial em seu coração.

“Me mostre São Paulo! Me mostre o que vocês têm esta noite!” Provoca Ckuck e emenda com “Into the pit” com as guitarras virtuosas e as baquetas de Gene Hoglan a todo vapor.

Testament. Foto: Marta Ayora/ Rock Meeting

“Stronghold” abre uma das maiores rodas da noite, seguida de “Low” que de low não tem nada, porque Gene Hoglan destroi a batera no mais alto som e na mais alta velocidade com uma plateia que gritava e o acompanha em coro.

Chuck provoca de novo o público pedindo que os novos fãs mostrassem ao Testament ‘how to “Practice What you Preach”’ e foi essa faixa que trouxe o ponto mais alto do show e fez o público vibrar, gritar e cantar com vontade.

O show prossegue com “Urotsukidôji” e Steve DiGiorgio apresenta um solo de baixo bem incomum ao lado de Eric Peterson com sua técnica e virtuosidade incrível.

Em “Souls of Black” é Chuck quem apresenta Steve com orgulho, mas quem comanda a faixa é o batera em conjunto com a plateia que o acompanha no vocal.

Uma grande roda se abriu em “Alone in the Dark”, faixa que faz os fãs vibrarem e cantarem a plenos pulmões.

Testament. Foto: Marta Ayora/ Rock Meeting

Pra fechar o show memorável, a banda apresentou no bis a faixa “Disciples of the Watch”, que foi executada com muita técnica, carisma e envolvimento.

Este foi sem dúvida um dos melhores shows do ano. Incrível e hipnotizante do início ao fim. Com uma plateia incrível, vibrante e com energia sem fim. Por fim, creio que as próximas bandas vão ter um belo trabalho pela frente para superar a fúria e o carisma do Testament.

Confira o setlist do show:

1.       Brotherhood of the Snake

2.      More Than Meets the Eye

3.      Rise Up

4.      The Pale King

5.      Centuries of Suffering

6.      Electric Crown

7.      Into the Pit

8.     Stronghold

9.      Low

10.  Practice What You Preach

11.   The New Order

12.  Urotsukidôji

13.  Souls of Black

14.  Over the Wall

15.   Alone in the Dark

16.  Disciples of the Watch (BIS)

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