Ratos de Porão & Suicidal Tendencies

 

Assistir o Ratos de Porão junto ao Suicidal Tendencies em Barcelona?  Tão legal quanto esta noite foi a do D.R.I. e Hatebreed, mas podemos confessar que Gordo e Muir, mestre Jão e Dean Pleasants/Jeff Pogan, Juninho e Ra Diaz, Boka e Dave Lombardo, todos na mesma noite foi como um tapete vermelho em noite de gala.

Texto: Ana Paula Soares e Mauricio Melo | Fotos:  Mauricio Melo (Snap Live Shots)

 

Desde o anúncio do cartaz que a galera se emocionou e a prova disso foi a bilheteria, um verdadeiro sold out. Algo que, em passagens recentes, nem Madball com H20 e Ignite, nem o Hatebreed e D.R.I. como mencionado acima conseguiram fazer.  É claro que, pelo fato do Suicidal Tendencies não tocar em Barcelona há dez anos e pelo carisma do público catalão com o Ratos de Porão, tudo refletiu na venda de ingressos. Poucas vezes chego na sala Razzmatazz e vejo a fila dando a volta na esquina na espera da abertura de portas e Fo um dia desses.

Já do lado de dentro, Juninho concedia entrevista para um site espanhol, Boka dava seu role habitual e até mesmo Dave Lombardo passou despercebido pelo público.

Chegada a hora e aquela sensação boa, a galera fazia o tradicional coro “Ratos! Ratos! Ratos…”, Juninho plugava seu Rickenbacker, João atrás das cortinas esperando o apagar da luzes e por ali estávamos, dentro do palco. Abriram com “Tattoo Maniax” e o primeiro circle pit já se formava, “Plano Furado” e sua letra mais atual do que nunca antes de “Ignorancia”, estava em cena o disco “Vivendo Cada Dia Mais Sujo e Agressivo”, justamente o disco que me levou ao primeiro show da banda, na época do lançamento.  Exatamente por estar posicionado junto ao Juninho vi sua maneira peculiar de se apresentar, algo que só a música pode explicar e com certeza seus movimentos não são pensados, seus passos, seus saltos e seu caminhar com o instrumento me fez lembrar um dançarino de valsa, ao melhor estilo crossover é claro.  Somente para a quinta ou sexta música deram uma pausa no V.C.D.M.S.A com “Morrer” e “Mad Society”. Ainda que tenham retornado ao álbum em questão para “Peste Sexual” e “Pensamentos de Trincheira”, outras que tiveram um destaque foram “Aids, Pop, Repressão”, “Máquina Militar” e “Crianças Sem Futuro” do disco “Brasil” e “Crucificados Pelo Sistema” com o coro massivo do público, por aqui é definitivamente a música mais celebrada do público. Do disco mais recente, “Século Sinistro”, tivemos “Sangue e Bunda” e de “Carniceria Tropical”, “Banha”.

Foi ótimos assisti-los uma vez mais, nunca será demasiado, nunca será o suficiente e em definitivo a melhor banda de Crossover do Brasil e por que não do mundo?  Honestos, nunca vendidos ainda que algum imbecil de um confuso país sul americano diga que sim e eternamente respeitados por onde quer que passem.  Ratos é Ratos e quem não goste que ature.

Terceiro show do Suicidal Tendencies em onze dias, ou seja, praticamente um a cada quatro dias.  Iniciamos nossa maratona no Hellfest, no Sábado 17 de Junho. No sábado seguinte no Download de Madrid e finalizamos em Barcelona apenas quatro dias depois.  Somente passando por essa maratona podemos confirmar que, um show de festival não é o mesmo que numa sala e sendo o nome da noite. Nos grandes eventos os tempos são previamente estipulados, muitas bandas saem com o tiro certo, ou seja, aquele setlist que não falha e sem tempo para firulas.

Em Barcelona, não foram um aperitivo ou uma opção de um gigante cardápio, foram o prato principal e ainda que em parte o setlist tenha lá sua semelhança como a abertura com “You Can’t Bring Me Down”, “I Shot The Devil (Reagan)” e “Clap Like Ozzy”, desta vez vimos duas invasões autorizadas de palco. Em “Possessed to Skate” apenas mulheres puderam subir no palco e o grande finale com “Pledge Your Allegiance” com o público em geral. Dave Lombardo foi oficialmente apresentado ao público catalão e muito aplaudido, Ra Diaz e Jeff Pogan, baixo e guitarra respectivamente, dão uma nova energia na banda e definitivamente parecem curtir mais o show do que quem os assiste, Pleasants demostra toda sua técnica, experiência e de quebra ainda arrisca alguns saltos, de maneira tímida isso sim.

Mike Muir parece não sentir a idade. Livre de seus problemas lombares que o atormentava há algum tempo, deu um show à parte.  Uma movimentação invejável, interagindo com o público e suando bicas, deixando claro que ou se prepara para os shows ou os mesmos o deixam fisicamente em alta. Tradicionais discursos entre música e música, um repasso na discografia com músicas como “Trip The Brain”, “Send Me Your Money”, “Cyco Vision”, “Freedumb” e “How Will I Laugh Tomorrow”, esta última uma raridade de ser tocada ao vivo, mesmo já tendo assistido ao S.T. em diversas ocasiões e em diferentes fases, está aí uma música que ao vivo, havia passado em branco. Curioso também foi ver ao João Gordo e Boka curtindo o Suicidal em primeira linha, junto ao público entre um aperto de mão e outro ou pausa para fotos.

Fim de noite e hora de colocar na balança o que havíamos presenciado.  Não, não será uma comparação, muito longe disso. Do lado de fora o próprio Gordo reconheceu, “os gringos chegaram e deram um show”. Sim, estamos de acordo João, mas aí vem aquela teoria. Uma medalha de ouro de um atleta americano é obrigação, os caras vivem daquilo, para aquilo e o retorno é inevitável. Medalha de Ouro, Prata, Bronze ou nem mesmo receber algo, no peito de um brazuca vale pra caralho, vale mais do que todas que o Phelps ou Bolt conseguiram, porque o apoio é diferente. Ser roqueiro no Brasil é coisa de doido, é remar contra a corrente. Chegar aqui e colocar o público no bolso, é de uma grandiosidade extrema.

Vida longa ao Crossover, Vida Longa ao R.D.P. e ao S.T.

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