O show mais completo

Slayer inicia despedida Espanhola

Quarteto passou porMadrid e Barcelona na sua já anunciada turnê de despedida e veio acompanhado deObituary, Anthrax e Lamb Of God.

Texto e Fotos: Mauricio Melo

Sim, foi isso mesmo que vocês leram acima,quatro bandas de tirar o fôlego num único dia. Dia este que marcou a primeira passagem da banda americana Slayer na suaturnê de despedida no país. Falamos em primeira passagem porque o festivalResurrection anunciou (dia seguinte ao show) que a banda fará seu último showno país na edição de 2019, que rolará entre os dias 4 e 7 de julho,coincidentemente no mesmo fim de semana do Rockfest em Barcelona que, dizem asmás línguas, contará com a presença do Slayer em um de seus dias, possivelmenteanterior ao Resurrection confirmando assim o último show no país descrito pelosorganizadores, mas não sem antes tocar em outros festivais, enfim…

O que conta mesmo é o já vivido e por issoestamos aqui. Nem o início de noite chuvosa e fria na cidade Condal foi o suficientepara parar a horda de Metalheads que “escalou” a montanha de Montjuic parachegar ao recinto Sant Jordi Club com sede de clássicos e nada melhor para da começara saciedade do que com o Obituary. Analisando friamente é até injusto ter abanda por somente 35 minutos no palco, mas alguém teria que dar o tiro departida. O show dos caras é sempre alto nível e o povo vibra bastante.Entendemos que o estilo não arrasta multidões mas mesmo assim, uns cincominutinhos para arredondar a noite não estaria mal. Foi um show sem firulas,direto na jugular com “Frozen In Time” para dar aquela ajustada e largando“Sentence Day”, “A Lesson in Vengeance”, “Vision To Stone” e “Turned To Stone”,dando assim um repasso nos trabalhos mais recentes antes dos clássicos “Don’tCare”, “Find The Arise” e “Slowly We Rot”. Foi tiro certo!

Se houve uma injustiça com relação à ordem desubida no palco para a noite, essa (injustiça) podemos direcionar aoAnthrax.  Nada contra o Lamb Of God, mas devemoslembrar de algo, o Anthrax é um dos Big Four, concorde vocês ou não, a históriada banda, mesmo vivendo seus altos e baixos, fala mais alta e ainda mais contandocom Joey Belladona nos vocais, o que para muitos faz parte da formação maisclássica da mesma.  E se formos avaliar aresposta do público em músicas como “N.F.L.”, “Caught in a Mosh”, “Antisocial”,“Be All, End All”  e  “Got The Time” e comparar com a banda queveio na sequência, existe uma defasagem de alegria.  A única música que podemos chamar de intrusano setlist foi “Fight ‘Em ‘Til You Can’t”. Ian com seus tradicionais saltos,Frankie Bello esbanjando energia, Joey comandando o público com suas piadas semgraça e Donais em perfeita sintonia com Benante.

Lamb Of God tem seu público vibrante, maspareceu diluído dentro do recinto.  Tudobem que tiveram mais tempo do que outras bandas e talvez por não necessitarcompactar a apresentação o setlist contou com músicas mais trabalhadas como“Omerta” e “Walk With Me in The Hell”. Tive a sensação de que após o Death Metal clássico do Obituary e a diversãodo Anthrax a postura do público tenha ficado mais séria.  Tecnicamente o show foi perfeito, a estruturado palco também deu um bom impacto e “Redneck” foi um dos pontos altos do show.  Sinto muito aos fãs e por levar uma resenhapara o lado tão pessoal, mas prefiro ficar por aqui com relação ao Lamb Of God.

Sabíamos que o show do Slayer seria especial enada mais ver que baixava um cortina para a montagem do palco as suspeitas seconfirmaram.  Estaríamos diante da maiscompleta noite em companhia deste quarteto. Abriram os cofres e o orçamento foi nas alturas, mas acreditem em quemvos escreve… FOI FODA! 

Posso me orgulhar em dizer que assisti aoSlayer diversas vezes, em diferentes países, continentes, em salas consideradasaté pequena para a banda, grandes cenários como os festivais Hellfest ePrimavera Sound e mais, já me dei o luxo de assistir à banda no alto de umaroda gigante. Entrevistei Lombardo, esbarrei com King e Hanneman no backstagenesta ocasião, mas esse foi o show mais completo, o palco que a banda sempremereceu. 

Foram vários fundos de palco com ostradicionais símbolos da banda posicionados nas laterais, chamas sincronizadascom as músicas e efeitos nas vozes quando palavras como War e Hell surgiamdurante a execução de “War Essemble” e “Hell Awaits”.  O setlist foi um verdadeiro repasso nacarreira.  Tudo o que já havíamosescutado, mas queríamos mais uma vez, também o que para muitos seria a últimaoportunidade.  Foram dezenove temas quese iniciou com “Repentless” e é claro finalizou com “Angel Of Death”, mas não antes de passar por “South OfHeaven”, “Rainning Blood”, “Hate Worldwide”, “Black Magic” e mais um monte debestialidades.  Tom Araya sem a barba queo acompanhou nos últimos anos, visivelmente mais em forma.  Kerry King continua sendo o animal de sempree Holt executa bem o papel que o destino o empurrou. Paul Bostaph não falha.

Acreditem nas palavras acima e não percam apassagem da banda por aí em 2019. Minhas datas já estão marcadas nocalendário.   Não se livrarão de mimassim tão fácil. 

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