Madball, Ignite, H2o, Anal Hard & Katran

Local:  Sala Razzmatazz 2, Barcelona

Data: 07/05/2017

Texto e fotos:  Mauricio Melo & Snap Live Shots

 

Muito se falou desta data. Antes, durante e acreditamos que continuaremos falando por algumas semanas. Foi a primeira grande data do ano, aquela que, quando anunciada, foi considerada a data do ano, mas na verdade foi só a ponta do iceberg considerando o que teremos adiante como Suicidal Tendencies com Ratos de Porão, Hatebreed com D.R.I. e Burning Heads tocando do outro lado da rua nada mais acabar o show anterior, o festival Barna N Roll, etc, etc.

Foi uma noite com cinco bandas, tendo integrantes de umas participando em músicas de outras, uma grande festa que começou com Katran, que deu um exemplo de profissionalismo e tocou como se às seis da tarde, com meia dúzia de gatos pingado, fosse o horário nobre e a casa estivesse lotada. O croata Filip Bartol foi destaque absoluto e já naquele momento da tarde/noite tínhamos a primeira participação especial no palco, o guitarrista do Ignite tocou uma das músicas.

Com mais presença do público e atuando em casa, o Anal Hard não teve dificuldades de dominar seu set e, de quebra, apresentar músicas do disco novo, “Alta Gama”, além de alguns temas clássicos.  “Perros Viejos” e “Barcelona 92” foram algumas das mais celebradas junto a indiscutível “3º 4ª”.

Também vale destacar que faltou um pouco de punch vindo do público com relação a algumas bandas.  É claro que o Madball era o dono da noite (como sempre foi), mas visto a intensidade da galera para com o H2O (ainda tendo viva na memória o impacto que o show da banda teve há alguns anos no compacto Estraperlo Club del Ritme), posso afirmar que tivemos uma audiência bastante tímida. É óbvio que para aquela ocasião os melódicos novaiorquinos eram os donos da noite e desta vez foram apenas coadjuvantes.

Nada que diminua a impecável apresentação do quinteto, Toby Morse e sua trupe vem driblando o tempo e provando que, apesar da barba grisalha, ainda mantém em alta o ritmo de seus shows. Abriram a noite com “Everready” de “Thicker Than Water” que, por sinal, está completando vinte anos. Com “One Life One Chance” o público começou a se animar como água fervente, aquela ebulição visível, borbulhante com “Family Tree” e que ferveu de vez com “Skate”.  Visivelmente mancando, tivemos um Adam Blake menos saltitante desta vez, Pistachio sempre discreto segurando as seis cordas e o segundo vocal.   Um dos pontos altos da noite foi a participação de Freddy Cricien em “Guilty by Association” antes de entrar em reta final com “199%”, “Nothing to Prove” e provocar o caos absoluto com “What Happened”.

O Ignite sabia que não poderia deixar por menos e abriram o set com “Poverty for All” e pegou um público não só com as articulações alongadas, mas também aquecido depois do H2O.  Visitaram discos mais antigos com “Veteran” e o refrão tomou conta quase que por obrigação e “Nothing Can Stop Me” deu voz ao disco mais recente, “A War Against You”, lançado em 2016. Ainda assim, nenhuma sequência de músicas do Ignite consegue superar os temas do disco “Our Darkest Days”, lançado há mais de uma década, definitivamente  um marco na carreira e para muitos um dos melhores discos de punk rock melódico da década. E aí somos obrigados a mencionar “Know Your History”, “Let it Burn” e toda a emoção que a letra provoca no povo. “Fear is Our Tradition” e mais adiante com “Live For Better Days” que foi dedicada a uma amiga presente no palco por estar passando por um grave problema de saúde antes de finalizar o set com “Bleeding”.  Havia uma grande presença de amigos com seus pequenos filhos no palco, um ambiente que mostra com perfeição aonde o hardcore de nossa geração chegou, com letras positivas, construtivas e presença familiar.  A participação especial do set ficou por conta de Filip Bartol do Katran no cover “Sunday Blood Sunday”, U2.

Quem acha que a noite já havia tido seu ponto mais alto se equivoca por completo. Madball  é sinônimo de loucura, de stage dives, mosh pit e otras cositas más.  O alto nível e reputação que atingiu o quarteto é imenso, é banda grande de maneira definitiva.  Abriram a noite de maneira perfeita com “Hardcore Lives”, deram aquela pincelada porradona com “Smell The Bacon” e riffs mais pesados e trabalhados com “We The People”. Casca grossa total com dois temas seguidos do disco “Set it Off”. “Get Out” fazendo com que a sala estremecesse no gogó com o berro Madball e abriram as portas para stage divers com a música título do álbum mencionado.

Freddy se sente totalmente em casa quando visita Barcelona, por amigos que fez ao longo de sua carreira que vão desde promotores até fãs da Bulgária que sempre comparecem nos shows da banda quando está passa pela cidade condal.  Em um de seus curtos discursos comentou que já há material para disco novo e quando passou a palavra a Hoya, nosso gordinho favorito falou o de sempre “marijuana”. Para finalizar a noite das participações especiais, tivemos Zoli mandando nos vocais de “Pride”, unindo de vez as duas costas americanas e dando o tom de festa. Freddy deu um sincero abraço no vocalista do Ignite, daqueles apertados que simbolizam uma sólida amizade.  Por fim tivemos “Doc Marten Stomp” e “Hardcore Still Lives”.

Acabou?  Não, claro que não! Ainda tivemos o hip hop do Skam Dust (DMS Family) do outro lado da rua como um after show.  Um hip hop bem hardcore e à altura da família DMS.

Perfeitos!

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