G.B.H. – Momentum

Quarteto de Birmingham fez a festa dos Punks em Barcelona. Foto: Mauricio Melo

Texto e Foto: Mauricio Melo & Snap Live Shots

Um peso das costas, uma espinha atravessada ou uma facada na costela retirada, com sucesso, para um alivio total e imediato.  Foi assim que me senti ao sair da sala Salamandra, no último dia 8 de março, ao final do excelente show do GBH ou Charged G.B.H. como queiram chamar.  Não, nunca havia assistido a um show da banda por pura falta de oportunidade e já posso tíra-la da lista de pendências.

Interessante também ver o quarteto manter a formação.  Com a linha de frente firme desde o final dos anos 70, Colin Abrahall, Jock Blyth e Ross Lomas (vocal, guitarra e baixo respetivamente) não deixaram pedra sobre pedra e demonstraram que, apesar das rugas e cabelos brancos, estão em boa forma. Mesmo o baterista Scott Preece, que está na banda há vinte quatro anos, já pode ser considerado tão original quanto. Destaque absoluto para Colin e sua tradicional e, porque não, personalizada postura empunhando e se apoiando no pedestal além de bons saltos pelo palco. Nada mal para um cinquentão que não parece ter se dedicado à boa forma.

O inesperado ficou por conta do príncipio da noite, a banda Malos Tragos abriu a esperada com meia dúzia de gatos pingados espalhados na sala, muitos deles, senão todos, eram amigos dos integrantes. Uma grande pena já que o trio fez um bom show com temas próprios e um punhado de variados covers que foram de Motörhead à Duran Duran, passando por “Girls Just Want To Have Fun” de Cindy Lauper.  Talvez a parcial greve dos transportes no dia tenha desanimado o púbico.

Porém, quem é punk de verdade não poderia faltar a data apesar do obstáculo mencionado acima, cinco minutos antes do início e ali estavam, com suas jaquetas de couro coberta tachas, patches do Discharge, Ratos de Porão e Anti-Cimex combinando perfeitamente com os da jaqueta que Colin Blyth (guitarra) utilizava, colocando na sala um número aceitável de público que uma banda como o GBH merece com toda sua história.

O “recém” lançado disco “Momentum” (Hellcat, 2017) foi o principal motivo da turnê e visita da banda à Barcelona. E por isso mesmo abriram a noite com “Birmingham Smiles” que também abre o mencionado disco.  Foi a estratégia perfeita para conter os punks mais empolgados porque sabíamos que, quando os clássicos surgissem no setlist, a noite iria esquentar e assim foi quando “Race Against Time” deu início. Quem estava com cerveja nas mãos tinha apenas uma opção, tomá-la rapidamente antes que algum punk descontrolado a jogasse para o alto. O mesmo em “Knife Edge”, só a chamada de guitarra e baixo na introdução, já era o suficiente. Para uma alegria generalizada,  “Lycanthropy” tocou na sequência e o show àquela altura já teria valido à pena.

A introdução da guitarra deu o tom de “Dead On Arrival” e mais adiante “Generals” com sua levada do que hoje definimos como Street Punk também teve boa recepção. Quando Blyth soltou o riff de “No Survivors”, a pista pegou fogo e se manteve acesa por muito tempo já que, logo em seguida, tivemos “Big Women” e “Sick Boy” dois dos maiores clássicos da banda e por que não da cena punk mundial? Como mesmo definiu Colin, vir à Barcelona e não tocá-las seria um crime. Para quebrar um pouco a rotina de clássicos e dar um respiro, “Liquid Paradise” e “Momentum” duas do disco mais recente e daí por diante mais um pacote foi tocado, incluindo “Give Me Fire”, “Diplomatic Immunity”, “Time Bomb”, “City Baby Attacked by Rats”, “City Baby’s Revenge” antes de finalizar com “Maniac”.

O quarteto permaneceu no palco por uma hora e considerando o preço do ingresso, histíria da banda e os mais de vinte temas do setlist, foi o mesmo que receber um presente.

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