O Clássico Rock

Filarmônica de Alagoas toca Clássicos do Rock no Teatro Deodoro.
Foto: Pei Fon/ Rock Meeting

Por Pei Fon

Que a música clássica e o rock andam em paralelo ninguém discute. Ambos os estilos estão fora da grande mídia e, principalmente, da preferência popular. Por isso, escutar o erudito e as vertentes mais agressivas do rock são para poucos.

Em uma iniciativa inédita em Alagoas, quiçá do Brasil, a Filarmônica de Alagoas, um grupo independente, tenta mudar essa mentalidade e trouxe para os palcos do Teatro Deodoro, o mais emblemático de Maceió, uma apresentação única com os Clássicos do Rock, uma alusão ao Dia Mundial do Rock, celebrado dia 13 de julho.

O Teatro Deodoro, palco de tantas apresentações importantes do teatro, da música e da dança, estava lotado. O mais legal é que o público, em sua maioria, não segue a música de massa e compreendeu que apoiar essa iniciativa é fundamental para espalhar o projeto da Filarmônica.

Um detalhe interessante aconteceu na entrada do teatro com o bloco dos camisas pretas. Com as mais variadas estampas, na sua maioria do Iron Maiden, uma das bandas mais representativas do cenário, eles dominaram o ambiente. Impressiona como a Donzela de Ferro tem uma legião de fãs devotos por sua música. Não dá para mensurar isso, só estando num show deles para entender quão importante são.

Filarmônica de Alagoas toca Clássicos do Rock no Teatro Deodoro.
Foto: Pei Fon/ Rock Meeting

Pelo volume de expectadores, o teatro ficou lotado, e acomodar as pessoas foi um trabalho e tanto para os organizadores do evento. Houve uma pequena demora no início, porém contornado por Irina Vegar (organizadora) que pedia a compreensão e a ajuda do público para encontrar lugares vagos. Lá fora a fila era imensa e algumas dezenas tentavam comprar sua entrada de última hora.

A expectativa era grande, mas a hora chegou. A orquestra tomava o seu lugar, o maestro observou atentamente o derradeiro detalhe e todos se calaram. A Filarmônica iniciara sua apresentação com um clássico de Richard Strauss, composição de 1896, “Also Sprach Zarathustra”, mais conhecida no filme “Uma Odisseia no Espaço” de 1967.

Emblemático, não poderia ter início melhor. Logo fizeram um passeio com os precursores do Rock: Elvis Presley e Beatles. Um medley foi tocado, com destaque para “Eleanor Rigby”, dos besouros.

Tão logo veio a já impressionante “A Don’t Want to Miss a Thing”, do Aerosmith. Não teve como não se emocionar com essa canção. É de arrepiar. Finalizando o primeiro ato foi a vez de contemplar o lado brazuca no concerto. O maestro Luiz Martins fez questão de lembrar de uma passagem de sua vida tocando “Pais e Filhos” do Legião Urbana. O público cantou timidamente acompanhando a orquestra.

Filarmônica de Alagoas toca Clássicos do Rock no Teatro Deodoro.
Foto: Pei Fon/ Rock Meeting
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A parte que mais interessava no concerto era o segundo ato que viria com o peso do Heavy Metal, como frisou o maestro no retorno ao palco. E o peso veio junto com a guitarra de Tiago Godoi, o baixo de cinco cordas de Renato Marrêta e a bateria com pedal duplo de Maglione Santos.

Para abrir os trabalhos, a icônica “Brick in the Wall” do Pink Floyd. Clássico é clássico, não poderia faltar. Em seguida, veio Freddy Mercury e o seu legado com o Queen. A lindíssima “Who Wants To Live Forever” e “Bohemian Rhapsody” foram apresentadas. Foi muito lindo ver a junção da parte orquestral com a guitarra, baixo e bateria. Só faltou descer o próprio Fred e cantar.

E mais peso veio com o medley do Metallica. Escolher as músicas é muito difícil, ainda mais quando se tem vários clássicos. E claro que “Nothing Matter Else” não iria ficar de fora. Destaque para “Master of Puppets” e um belo destaque para os riffs de guitarra. No meio da apresentação se ouvia urros e mais urros vindo da plateia. Ao final, a satisfação era imensa e o público aplaudia de pé, outros fazendo o famoso símbolo representativo do Heavy Metal, com os dedos, eternizado pelo mítico Ronnie James Dio.

Filarmônica de Alagoas toca Clássicos do Rock no Teatro Deodoro.
Foto: Pei Fon/ Rock Meeting
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Logo após veio outro medley, só que do Iron Maiden. Aí se ouvia a palavras célebres: “Up the Irons”. Não tinha dúvida que “Fear of the Dark” seria tocada, e foi maravilhosamente executada pela orquestra. “Number of the Beast” e “Run to the Hill” também foram tocadas. Se via muitas cabeças balançando, involuntariamente, para acompanhar o ritmo que vinha do palco. Não preciso dizer que a orquestra foi ovacionada.

Por fim, “Stairway to Heaven”, do Led Zeppelin arrebatou todo o clima que já estava instaurado. Emocionante como já é, orquestrada então… Sem palavras! Quando já nem esperávamos mais, veio um bis com a famosíssima “The Final Countdown” do grupo sueco Europe. Fechou com chave de ouro!

A organização garante um bis e nós aguardamos anciosamente por mais um concerto. E já temos a nossa lista de pedidos. Quem sabe não seremos ouvidos.

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