Booze & Glory

 

BOOZE & GLORY, LA INQUISICIÓN, DROPOOLS e REBEL MINDS

 

Texto e Fotos: Mauricio Melo & Snap Live Shots

 

Faço das palavras de Rubén, vocalista do quarteto La Inquisición, as minhas, ou melhor, dou minha interpretação do que ouvi.  “Se você é punk, seja qual estilo for e não está presente numa noite dessas, é melhor ter um bom motivo”.  Assino embaixo, ter quatro bandas no palco do Estraperlo Club del Ritme, com direito a novos focos de luz,  num sábado à noite com transporte coletivo funcionando perfeitamente e não comparecer, só por motivos de trabalho ou doença.

Abrimos os trabalhos com Rebel Minds, banda proveniente de Castellón que teve por diante a eterna e difícil missão de ser a primeira da noite e aproveitou a ocasião para apresentar seu primeiro disco, “Sin Mirar Atrás”. Fizeram um set de bastante respeito e com um futuro promissor.  Dando continuidade na noite os catalães do Dropools, um punk rock com muito mais humor e uma banda com mais quilômetros rodados já que somam quatro lançamentos, considerando Eps e Lps e para esta ocasião, “Una Generació Amb Estil” recém saído do forno.  Boa atitude de palco e ótima adesão do público, que a aquela altura já comparecia em bom número para cantar os refrães.

Eis, que dado momento, dou de cara com os integrantes do Secret Army e o guitarrista Alex se aproximou para da um “alô”.  Resulta que o Secret Army já não existe, ou melhor, o quarteto continua existindo mas deixaram de lado a melodia punk rock, as letras em inglês e assumiram de vez o castelhano para expressar suas ideias, posições, opiniões e histórias vividas e claro, mudaram de nome.  Sim, agora se chamam La Inquisición.  Acredito e muito que música é 100% coração, sentimento, orgulho e se Rubén, Cirro, Willy e Alex se sentem bem assim, nos sentiremos também e querem saber a opinião sincera de quem lá esteve e bem diante do palco?  Show foda, letras emocionantes, refrãos fortes e sem dúvidas um dos melhores da noite, com um público pra lá de entregue, principalmente em músicas como “Iniciados”, “Abril”, “Verdadeira Fe” e “Guerra Total”, todas de seu segundo EP, “Verdadera Fe”.  Alex sacando seus riffs da manga provando que, apesar de optarem por um som mais cru, a melodia continua presente.  Também não faltaram algumas do primeiro lançamento como “Hemos Caído” e “Fe y Gloria”, essas sim bastante mais cruas, mas nada que um polimento não dê jeito.

Talvez esteja exagerando, porém assim como defini o The Interrupters ano passado, repito com o Booze and Glory.  Vinte anos depois e volto a ter a mesma sensação de quando escutei Rancid pela primeira vez e a intuição não falhou.  Quando o Rancid lançou “…And Comes Out The Wolves” (que não era seu primeiro disco), apostamos pela popularização do Punk sem a perda da essência e foi o que aconteceu. Levaram o punk às rádios, vendem tantos merchandisings quanto grandes bandas de metal, arrastam multidões e fãs fiéis sem que os radicais os deem as costas.  O The Interrupters pode levar o Ska Punk à mesma popularidade e não duvido que o Booze and Glory tenha o mesmo potencial.  Está aí o grupo que pode levar o Oi! a um nível mais alto, desmitificar de vez e dissipar a errônea imagem que um leigo tem do Skinhead.

O ocorrido no sábado 18 de março foi simplesmente emocionante, especialmente para quem gosta de punk, melodia, histórias reais em forma de refrão e futebol, verdadeiros hinos de três acordes.  Braços erguidos, cervejas, Dr. Martens, cabeças raspadas (e não raspadas), camisas do West Ham, caras de felicidades,  tendo como trilha sonora “Only Fools Get Caught” e “Farewell Goodbye” de “As Bold As Brass”  ecoando aos quatro cantos do Estraperlo.  Mesmo as músicas do recém lançado “Chapter IV” como “Simple”, “Blood From a Stone” e “Carry On” foram cantadas com força, com todo fôlego possível.  É claro que “Come On You Irons” não poderia faltar e por alguns minutos os torcedores do Barcelona FC exaltaram o tradicional West Ham United.

Foi uma noite épica, com bandas muito bem selecionadas para a velada e voltando ao inicio do texto… não me venham com “chorumelas”.

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