Barna N Roll

 

The Adicts, Skatalà, Lagwagon, Berri Txarraki, Face To Face, Lendakaris Muertos, The Baboon Show, La Banda Trapera del Rio e Giuda.

Data:  22 de Julho, 2017

Local:  Poble Espanyol, Barcelona. 

Texto e Fotos:  Mauricio Melo & Snap Live Shots

 

Barna N Roll, uma aventura que se deu início ano passado, tendo em sua primeira edição o Bad Religion como nome principal.  Naquela ocasião foram seis bandas e para a edição desse ano, nove bandas formaram o cartaz deste festival punk, que vai ganhando espaço na cidade de Barcelona.

Iniciamos nossa maratona as cinco da tarde, com o Giuda.  Sempre uma tarefa difícil abrir um festival.  Ainda mais quando este é em pleno verão e sabendo que a última banda subiria ao palco as duas da manhã.  Foram poucos os que puderam conferir o bom garage rock despojado da banda.

Com um pouco mais de público no recinto, La Banda Trapera del Rio, a banda punk espanhola antes do punk, com 40 anos de estrada. Mereciam uma galera melhor, mas quem lá esteve curtiu bastante, principalmente em “Ciutat Podrida”.

Quem surpreendeu aos desavisados foi o The Baboon Show. Destaque total para Cecilia Bostrom.  A mina é o Iggy Pop de saia meus friends, pula, salda, desce ao público, dança, joga água e, é claro, canta, e como canta.  Vale a pena mesmo dar uma conferida no som do quarteto sueco.

Já com o Poble Espanyol mais cheio, o Lendakaris Muertos fizeram um dos shows da tarde. Mais um vocalista que fez a festa junto à galera, sendo carregado nos ombros em alguma ocasião enquanto debochava do governo, da realeza e de todas tradições ignorantes que se mantém na Espanha, além da crescente corrupção, ou vocês acham que isso é exclusividade do governo brazukeiro?

Quem quase decepcionou foi o Face To Face, não por questão da qualidade de seu show que, sinceramente, foi impecável, mas o Lendakaris, como foi dito acima, fez um grande show, cansou o público, que aproveitou o show do Face para recuperar fôlego, matar a sede e mais, o quarteto californiano não esteve mais do que meia hora no palco, inexplicavelmente o show mais curto da jornada. Músicas como “You Lied”, “Ordinary”, “Blind” e “Disconnected” fizeram a festa dos nostálgicos. Também chamou atenção o fato de ser a segunda vez na história da banda que pisam em Barcelona. Para quem acha que a Europa é caminho obrigatório para as bandas, engana-se ou melhor, podemos classificar a Espanha como Europa?  Bem, assunto para depois.

Quem tem bastante público por aqui e tocam com certa frequência na cidade é o Berri Txarrak.  Apesar de um setlist bem trabalhado, a situação não foi fácil para eles. Depois do showzaço do Lendakaris, e do gosto de quero mais do Face To Face, aturar mais de uma hora de Berri que, dentre outras coisas tocou cover do MGMT e do Daft Punk, foi um pouco forçado. Seria mais honesto que o Face estendesse seu set.

Apesar do retorno do Skatalà e do nome em letras grandes do The Adicts, o dono da noite foi o Lagwagon. Demonstração perfeita de porque serem considerados a história viva da Fat Wreck Chords e olha que não sou nenhum grande fã da banda, apenas um bom admirador.

Engana-se quem acha que desde a primeira música o público alucinou, o Lagwagon parecia não ter forças, demorou a arrancar, talvez aquele carregamento de Whisky que vimos passando ao backstage tenha sido carinhosamente adotado pelo quinteto e somente lá pela quinta ou sexta canção o combustível explodiu em definitivo. Abriram com “Island of Shame” e seguiram com “Violins”.  Com “Coffee and Cigarretes” a galera começou a fusão perfeita e esperada com  a banda que aproveitou a deixa e fez, sem nenhuma dúvida, o show do dia com mais de uma hora de apresentação e quase duas dezenas de músicas. Um setlist completo, um verdadeiro repasso na carreira, incluindo músicas de seu último trabalho “Hang” e que foram muito bem recebidas.

Havia chegado o tão esperado momento para os expectatodres, a reunião do Skatalà, algo que muitos vem esperando há anos. Banda que iniciou suas atividades há três décadas quando por aqui houve uma explosão do ritmo Ska e o Skatalà foi e ainda é a banda preferida da Catalunha. Palmas para os Moonstompers que esperaram por horas o grande momento enquanto se refrescavam a base de cervejas, havia chegado a vez deles. Camisas polo Freddy Perry, bermudas camufladas e tênis Adidas eram quase um uniforme.  “Capità Swing”, “Tio Manel” e “Skandol Dub” e mais uma dúzia de canções levaram o público à loucura. Não sabemos o verdadeiro futuro da banda, se serão shows esporádicos ou se haverá disco ou turnê. Por enquanto o show já valeu à pena.

Já o The Adicts pegou um público cansado e que já havia alcançado seu objetivo com os shows anteriores, mesmo assim provou que a história do punk lhes deve um reconhecimento.  Sua atuação única, com confetes, serpentinas e uma entrada de palco com asas que me fez voltar no tempo e lembrar de Secos e Molhados. “Let’s Go” foi a responsável pela abertura, “Joker in The Park” veio na sequência com Keith Warren lançando cartas pra galera.  Entre bolas coloridas, geral já se encontrava cansada  e que começou a sair do recinto antes mesmo de “Viva La Revolution”.  Fato curioso do dia, o guitarrista Pete Dee quase não chega para a apresentação.  Ainda em Londres e já no saguão do aeroporto, resolveu dar aquela calibrada, uma inofensiva cervejinha, se distraiu e… o avião partiu sem ele.  Embarcou no seguinte, 6 horas após o vôo perdido, chegou a tempo, o vi passando uns 15 minutos antes da banda entrar em cena, mas perdeu aí uma tarde de backstage regada a todas as formas de calibragens líquidas disponíveis em Barcelona.

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