A fusão do metal com o violoncelo

Apocalyptica – Foto: Marta Ayora

 

Apocalyptica e o peso do violoncelo tocando metal

 Texto e Foto Marta Ayora

 

A fusão do metal com o violoncelo, um instrumento grave e pesado, assim como o heavy metal, reuniu um grande número de fãs num domingo à noite, na casa de shows Tropical Butantã, em São Paulo, para apreciar uma das melhores bandas de metal sinfônico.

Ao chegar ao local, me deparo com uma faixa etária diversificada em uma fila enorme que dobrava a esquina, provando que a música clássica agrada sim aos ouvidos exigentes dos metaleiros.

Em sua terceira passagem pelo Brasil, a banda finlandesa Apocalyptica comemora os 21 anos de seu primeiro álbum “Plays Metallica by Four Cellos” (1996), em um show especial e inteiramente instrumental, com canções do Metallica.

A formação atual da banda Apocalyptica conta com Mikko Sirén na bateria e 04 violoncelistas (Eicca Toppinen, Paavo Lötjönen, Perttu Kivilaakso e pelo ex-membro e co-fundador Antero Manninen, que deixou o grupo em 1999 para ingressar na Orquestra Filarmônica de Helsinki).

Pouco depois das 20h, uma escuridão tomou conta do palco e o quarteto se posicionou em seus bancos dando início a apresentação com “Enter Sandman”, um clássico que foi aplaudido e cantado em uníssono por um público seleto (sim, porque música clássica e heavy metal não são para qualquer ouvido).

O show foi dividido em duas partes. Na primeira, o álbum de estreia da banda foi tocado na íntegra e na segunda parte revisitaram uma grande parte da história do Metallica, onde as faixas foram executadas e acompanhadas pelo peso da bateria de Mikko.

Em “Master of Puppets” e “Harvester of Sorrow”, Eicca e Perttu (os cabeludos da banda), bangueiam suas cabeças junto aos cabeludos da plateia e é bem legal de ver o entrosamento que esses dois músicos têm no palco.

O show do Apocalyptica é um presente aos ouvidos, principalmente de quem ama Metallica. O som cru, grave e limpo dos cellos, fez desse álbum uma obra de arte inconfundível.

Em “The Unforgiven”, a banda esbanja técnica fazendo uma viagem ao passado para interpretar as origens de sua carreira.

Já “Sad but True”, “Creeping Death” e “Wherever I May Roam”, embora as vozes dos músicos estivessem praticamente ausentes, a plateia seguia cantando os hinos, complementando o instrumental perfeito.

Uma versão surpreendente de “Welcome Home (Sanitarium)” encerrou a primeira parte do show e 20 minutos de intervalo abriu espaço para que tanto o público, quanto os músicos recarregassem suas baterias.

“Fade to Black” iniciou a segunda parte e o baterista Mikko Sirén (membro da banda desde 2005), foi incorporado ao grupo trazendo mais peso para a apresentação e tocando com maestria a sua incrível e enorme bateria.

A influência Thrash Metal do Metallica vieram à tona com a presença das músicas “From Whom The Bell Tolls”, “Fight Fire With Fire”, “Orion”, “Escape”, “Battery” e  “Seek and Destroy”. Foi fascinante ver como eles conseguiram adaptar as técnicas de guitarra aos violoncelos.

Antes de se ausentar do palco para o habitual bis, Eicca interagiu com o púbico e contou que há 21 anos estão na estrada percorrendo o mundo tocando Metallica, que gostam de vir ao Brasil e que iam tocar uma música que nem o Metallica toca.

E assim iniciaram “Refuse Resist”, mostrando que também são grandes fãs da banda brasileira Sepultura.

Após a pancada do Sepultura na orelha, que acordou quem estava em transe, Eicca provoca o público: “Vocês ainda estão vivos? Porque nós estamos vivos e celebrando a vida”.

E assim dão início a “Nothing Else Matters”, com o público cantando em coro cada parte da música.

Enquanto Antero seguia sério e concentrado, os empolgados Eicca, Perttu e Paavo faziam piadas, inclusive sobre a canção Despacito. E antes de dar fim à apresentação, Eicca diz que a próxima música é sobre guerra, e deixa o seu recado: “Cuidem-se e amem ao próximo. Nós amamos vocês”.

E nessa vibe “One” finaliza em grande estilo, uma apresentação inesquecível.  O fato é que o quinteto esbanjou técnica e demonstrou uma qualidade musical surpreendente ao revisitar os clássicos do ícone do heavy metal, com um repertório de 18 músicas em aproximadamente 2 horas de duração, deixando saudades desse show incrível idealizado pela Rádio e TV Corsário.

 

Set List Apocalyptica:

(Primeira parte)

Enter Sandman
Master of Puppets
Harvester of Sorrow
The Unforgiven
Sad but True
Creeping Death
Wherever I May Roam
Welcome Home (Sanitarium)

– Intervalo –

(Segunda parte)
Fade to Black
For Whom the Bell Tolls
Fight Fire With Fire
Orion
Escape
Battery
Seek & Destroy
Refuse Resist (Sepultura)

Encore:

Nothing Else Matters
One

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