Um coração morto, num mundo morto

Foto: Bruno Sessa

Warrel Dane: um coração morto, num mundo morto
Por Iza Rodrigues – www.meninaheadbanger.com.br

Era início dos anos 80 quando um cantor loiro e de vocais agudos começava a chamar atenção na cena musical de Seattle, Estados Unidos. Numa cidade conhecida como o berço do Grunge, o Serpent’s Knight, e pouco tempo depois, o Sanctuary, mostravam a sua resistência ao estilo musical do Nirvana e afins.

Após assinar com a Epic Records, o Sanctuary estava sendo forçado a mudar sua sonoridade, saindo do Heavy Metal e indo em direção ao Grunge. Proposta recusada. Eis que o mundo da música pesada viu surgir uma das bandas mais intrigantes até então: o Nevermore.

No Nevermore, Warrel Dane abandonou os agudos e apostou em explorar mais sua voz, e alcançou o ápice da sua carreira. A banda trouxe ao mundo da música pesada uma sonoridade nova, uma mistura de gêneros difícil de decifrar. O Nevermore não foi uma banda qualquer. Não conseguiu mover multidões, mas as pessoas que o moveram. Moveram de uma forma profunda, bonita e libertadora, assim como foi cada canção cantada de forma desesperada por Wally, como era chamado pelos amigos próximos.

Foto: Bruno Sessa

O Nevermore entrou num hiato em 2011, mas antes disso lançou álbuns que se tornaram clássicos, como “Dreaming Neon Black” (1999) e “Dead Heart In a Dead World” (2000), onde o guitarrista Jeff Loomis começava a se tornar referência no uso da guitarra de sete cordas.

O Nevermore passou pelo Brasil apenas duas vezes, em 2001 e 2006, mas anos mais tarde, Warrel começou a construir uma verdadeira família por aqui. Com Thiago Oliveira e Johnny Moraes (guitarra), Fabio Carito (baixo) e Marcus Dotta (bateria), Warrel começou uma série de shows, tocando músicas de toda sua carreira e tornando esses músicos brasileiros, a sua banda. Os seus amigos. A sua família.

Foto: Bruno Sessa

Foram diversas apresentações, inclusive na Europa. Nesses shows no Brasil, aos quais eu tive a oportunidade de ir a vários, era fácil ver rostos molhados por lágrimas. A emoção estava sempre presente. Sempre! As letras profundas, o vocal melancólico e muitas vezes desesperado e as melodias pesadas sempre foram muito tocantes.

Tive a oportunidade e privilégio de ter Warrel por perto. Um homem muito educado e respeitador. Bem humorado, culto e de um humor muitas vezes paspalhão.

“Para nunca mais sentir dor, o colecionador de corações cantou”.

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