A figura de Mario Linhares

A figura de Mario Linhares no Metal nacional

 

Por Marcos “Big Daddy” Garcia | Foto Jair Gomes Silva

 

Infelizmente, todos já sabemos que Mario Linhares, vocalista do Dark Avenger, de Brasília, fez sua passagem aos 45 anos, no dia 22/12/2017. Esta foi uma perda muito sofrida e comoveu a muitos, pois ele ainda era jovem.

Para quem não sabe, ele nasceu em 01/07/1972 em Fortaleza (CE), e veio a ser reconhecido dentro do Metal nacional ainda na década de 90, com o lançamento de “Dark Avenger”, em 1995. O traço mais marcante do Heavy/Power Metal era o trabalho dos vocais, fugindo dos padrões vigentes da época pela diversidade de timbres.

Com “Tales of Avalon: The Terror” (2001), a banda deu passos para consolidar seu nome ainda mais e deslanchar o nome de Mario como uma das grandes vozes do Metal brasileiro. Em 2003, a banda lança o EP “X Dark Years”, e entra em um hiato de quase 10 anos. Então Mario foca em seu outro projeto, chamado Harllequin, que chegou a lançar dois discos: “Archangel Asylum” (2008) e o maravilhoso “Hellakin Riders” (2012), que foi muito bem recebido pelo público e crítica.

Mas era hora do Vingador Negro se erguer de seu túmulo. Em 2013, o Dark Avenger volta totalmente reformulado, e lança “Tales of Avalon: The Lament”, mostrando uma maior diversidade musical que antes, e Mario incorporou mais e mais timbres em sua interpretação, mesmo timbres guturais (que já apareciam no Harllequin). Celebrando o bom momento, em 2015 surge “Alive in the Dark”, primeiro duplo ao vivo do grupo, lançado pela Shinigami Records.

Em 2017, após um tempo de silêncio, eis que vem a obra-prima do grupo, “The Beloved Bones: Hell”. Um disco com enfoque mais sombrio e agressivo, com um conceito baseado nos tormentos do dia-a-dia, nas experiências frustrantes de cada um de nós. O inferno de Linhares nos levou pelos caminhos da “Inconsciência – Negação – Fuga – Vitimização – Desespero – Súplica – Reflexão – Equilíbrio – Coragem – Decisão – Liberdade” refletidas nas letras de cada faixa de “The Beloved Bones”. E para sacramentar a boa fase, o grupo recebeu ótimas resenhas, uma recepção calorosa dos fãs, e a banda começou a planejar uma série de shows, sendo que o ponto alto foi a apresentação do quinteto no Metal Maniacs Meeting deste sofrido 2017.

Mas o que prometia ser um marco no Metal, infelizmente, foi silenciado por um aneurisma pulmonar. Talvez “The Beloved Bones: Divine” nunca venha à luz do dia, pois não sabemos se já estava gravado. Resta a torcida para que sim.

Particularmente, sou amigo (sou, porque em minha visão, a passagem não nos separa) de Mario desde a época em que “Hellakin Riders” foi lançado. Ainda lembro-me do convite de amizade, das horas falando de música, Física, ciência, metafísica e espiritualidade. Ele sempre me chamou de “irmão”, e me senti marcado como se uma parte importante de mim houvesse sido arrancada, pois perdi um membro daquela família tão especial, aquela que escolhemos em vida para nós: perdi um amigo especial.

Óbvio que vi/soube das polêmicas, mas sempre me pergunto ao ver esse tipo de situação: existe algum de nós que nunca tenha errado pela falta ou excesso? Prefiro acreditar que todos se entenderam, pois no fundo, somos todos humanos.

No mais, este autor pede que não choremos mais. Ele deixou um imenso legado musical, e pediria que fizéssemos tudo para que esta herança de luta, amor e suor não fosse esquecida. Não é o Dark Avenger, nem o Harllequin, mas o Metal como um todo, com seus problemas que demandam resolução. Problemas que em entrevistas ele não só comentou, mas sugeriu soluções, sempre com um jeito incisivo, mas acolhedor.

OM SHANTI! Parta em paz, meu amigo, meu irmão, e que você alcance a luz. E nas encarnações futuras, espero reencontrá-lo e poder chamá-lo de amigo e irmão mais e mais vezes.

Obrigado por tudo, Mario!

 

“I must say goodbye, it’s time to leave

The curtains fall for you and me

I bid you farewell… this got to be!

We’ll meet again? It’s hard to foresee.

But until then… remember me!

Remember me… remember me!” (DARK AVENGER – “Dead Yet Alive”)

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