Sangue nos olhos

 

Mais uma vez trago aqui boas indicações para você, leitor. Desta vez uma banda americana com pitadas brasileiras. Falo da Westfield Massacre, banda de Los Angeles. Os caras acabaram de lançar uma das músicas que irá compôr o segundo álbum. Tive uma conversa marota com o guitarrista Luis Kalil e Dio Britto sobre essas novidades. Confira!

Por Pei Fon | Fotos: Banda/Divulgação

Westfield Massacre é uma banda nova para nós brasileiros. Por favor, se apresentem.

O Westfield Massacre é uma banda de metal americana formada em 2014, em Los Angeles, CA. Depois do grande sucesso do disco de estreia, atingindo terceiro lugar nas paradas de Metal do Itunes e número #14 nas paradas da Billboard Heatseeker, que também teve participação de Randy Blythe (Lamb Of God), seguido de turnês pela América do norte com bandas como Sevendust, Trivium e Candiria,  a banda se prepara para o lançamento do seu segundo disco de estúdio, o primeiro com Seann Nicols nos vocais, depois da saída de Tommy Vext (Bad Wolves) no ano passado. Atualmente o quinteto conta com dois brasileiros, gaúchos: Dio Britto na bateria – desde 2016 – e o mais recente membro, Luís Kalil, de apenas 18 anos, na guitarra.

Há quatro anos de formação e já com mudanças, o que a entrada de dois novos músicos e brasileiros tem a agregar ao som?

Acho que o Westfield já tem uma identidade bem forte no som, e a gente veio para fortalecer ainda mais isso e solidificar a banda. Acredito que nós brasileiros agregamos não só no som, mas também damos mais da energia “sangue nos olhos” para fazer a coisa acontecer, pois a gente veio de longe, sabe que só o fato de chegar até os EUA é complicado, dá valor para as coisas que às vezes os americanos subestimam.

“Famine” é o mais novo play do segundo álbum do WM. Como tem sido a repercussão? Tem ouvido algo do Brasil?

Tem sido ótimo! Em apenas três semanas a gente tem 130k views no Youtube, no Spotify “Famine” tem 43k plays e ganhamos 23k ouvintes mensais, então a palavra está se espalhando rápido. No Brasil vimos muita repercussão, acredito que pelo fato da ligação que a banda tenha por nossa causa. Ficamos mais que gratos por isso, logo esperamos fazer uma turnê no país. Até os caras da banda comentam. PS: Agradecemos aos amigos do Project46 por dar uma força também!

Falando em  álbum, já tem previsão de lançamento, nome? O que podemos esperar desse cd?

O disco “Salvation” sai dia 26 de outubro, lançado pela Nerve Strike Records. É um disco bem mais maduro do que o primeiro, é a evolução da banda. E o mais incrível: mesmo com um vocalista novo, as características do som da banda estão intactas, segue sendo Westfield.

Luís Kalil e Dio Britto –  Banda é igual em qualquer lugar do mundo? O que vocês apontariam de diferença ou igualdade em relação à música, divulgação, técnica…?

Acredito que a luta e as relações entre uma banda de metal são as mesmas em todo lugar, o grande diferencial é que não se pode negar que estando em Los Angeles as possibilidades são muito maiores, e aqui é onde as coisas acontecem, e acontecem rápido.

Vocês têm acompanhado o que tem sido lançado no Brasil? Fale um pouco a respeito.

Sim! Eu, Luís, acompanho pelo facebook. Por ter trabalhado e ser um grande amigo do Adair Daufembach, a maioria das coisas que ele faz são as que eu mais vejo. O project46  pra mim sempre é o destaque, sempre tudo muito consistente, não só o som, pois o “Três” é absurdo, mas também o jeito que a banda administra a carreira.

Eu, Dio, fui e sou parte da cena underground brasileira com muito orgulho, tendo feito parte de várias bandas como Distraught e In Torment, com diversos trabalhos lançados e centenas de shows no Brasil, America Latina e Europa, estou sempre ligado nas bandas que gosto, dos meus amigos e nas novas também. Brasil tem muita banda e músico bom. Eu gostaria que houvesse mais reconhecimento, mas seguimos firmes e fortes!

Sobre o Metal americano podemos citar bons exemplos. Como descrever isso estando imerso nos EUA?

Dio – É muito legal acompanhar mais de perto as bandas que antes pareciam estar tão distantes, podendo ver shows a um preço bom e às vezes até dar de cara com músicos que admiramos em um bar ou na estrada. Rola muitas tours conjuntas aqui, o que possibilita ver e conhecer mais bandas também. Algo que percebi e acho muito legal é que há muitos brasileiros talentosos inseridos na cena americana, como os curitibanos do Red Devil Vortex, Sinaro (NY), Born of Osiris, meu grande amigo Eduardo Baldo que toca com o Glenn Hughes, etc.

Existe  uma gama de jovens hoje que buscam ‘viver de música’. O que você Kalil tem a falar dessa realidade? Conte um pouco de sua própria trajetória.

Bom, essa é uma questão bem profunda. É difícil começar a tocar já pensando em ser profissional, eu acho que nem faz bem, isso se descobre ao longo do caminho naturalmente… Pra mim, existe o sonho e o devaneio. Todo sonho um dia já foi devaneio, eu por exemplo comecei a tocar com nove anos por causa do Slash e eu queria um dia ser ele. Aí é um caminho longo até você enxergar como o mundo realmente funciona… Primeiro aprendi a tocar, foquei no instrumento, muito foco, e aí eu construí o lance mais importante: gostar da coisa em si, amar cegamente tocar guitarra, e não só pelo status, atenção, fama, etc. Quando você pensa nessas “recompensas” como finalidade, acho que “Deus” sai da sala, se é que você me entende. E depois de um certo tempo comecei a ver o lado business da coisa, quando tinha uns 13 anos. Aí foi que o devaneio virou sonho, pois vi que tudo não era tão lindo quanto parecia, mas ao mesmo eu vi que o caminho era possível. Então resumidamente, tenha foco todos os dias, consistência no trabalho, tenha referências e não gente que você vá copiar, trabalhe duro e acredite cegamente em você, no final do dia o mais difícil é ser você mesmo. Entenda que cada um tem sua história, as coisas acontecem de formas diferentes para as pessoas e isso é o mais fascinante da vida.

Top 5. Quais bandas poderiam ser americanas devido ao som que fazem? Se possível fale um pouco sobre elas.

Dio – Eu acho que uma banda, independente de onde é, deve sempre buscar uma sonoridade original, com personalidade. Claro que quando falamos em produção há muitos produtores nos EUA que estão, digamos, sempre um passo a frente. Acho que há bandas que mereciam estar no circuito americano, como Project 46, Hibria, Distraught, In Torment, Horror Chamber, Exterminate, Rebaelliun, Daydream XI, Dying Breed, etc.

Por fim, o que podemos esperar do WM para 2019? Sucesso e muito obrigada!

Podem esperar muita coisa, principalmente shows! Queremos estar na estrada constantemente. Mas ainda esse ano vai ter mais clipe, mais singles, e o disco! Então muita novidade pelo caminho!

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