Influenciado pela música árabe

 

Influenciado pela música árabe

Outra honra concedida. Tive o prazer imenso de ouvir e receber o cd do guitarrista Wael Daou. O produto em si é lindo. Um digipack bem feito, com ilustrações do designer Gustavo Sazes, que completa a áurea do que é proposto por Wael. Musicalmente falando, é inspirador. Ouvi cada detalhe e minhas impressões vem em forma de perguntas. Confira agora uma entrevista com esse paraense libanês.

Por Pei Fon | Fotos: Site/Divulgação

Primeiro de tudo, apresente-se para nossos leitores.

Sou brasileiro descendente de pais libaneses, amante de música extrema e também música árabe. Guitarrista e compositor das minhas loucuras! (risos)

Wael, você acaba de lançar “Sand Crusader”. Conta pra nós como foi o processo de criação do álbum.

O processo de criação começou desorganizado, eu tinha a ideia do tema, e ao mesmo tempo um leque gigante de como eu poderia desenrolar a história, tudo isso enquanto eu tava rearranjando o meu Ep “Ancient Conquerors”. A partir do momento que eu montei o esqueleto e as guias de todas as músicas a coisa andou com mais organização (risos).

Nascido em Belém (PA), como é para você, guitarrista, gostar de heavy metal, sobressair numa região que a música é díficil?

Então é aquele velho ditado “a vida é difícil pra quem é mole” (risos). Olha só, quem mora em Breves (ilha do Marajó) diz q quer ir a Belém porque Breves é difícil. Quem está em Belém quer ir pra São Paulo porque Belém está difícil. Quem está em São Paulo prefere os Estados unidos por que o Brasil tá difícil. E  quem está nos Estados Unidos diz que lá sé tem metal modinha e quer ir pra Europa! Heheh

“Sand Crusader” teve incentivo do Governo do Pará, por meio da Lei Semear. Como você ficou sabendo dessa lei? E o que você quer colher?

A lei semear é um incentivo do governo do estado que existe há alguns bons anos! Conseguir ser aprovado fazendo metal em inglês demonstra que o incentivo é para todos e que o governo paraense não tem discriminação com gênero musical.

Ouvindo o cd é possível notar a forte influência árabe, uma vez que vem de casa. De que modo essas raízes interferem na composição?

Morei no Líbano durante minha infância e fui fortemente influenciado pela música árabe, hoje não me imagino compondo nada sem ter essa sonoridade junto! Está enraizado, afinal faz parte da minha ancestralidade.

A faixa título do álbum é a minha preferida. Tenho uma queda tremenda pela temática árabe. A ‘mira’ faz uma diferença enorme diante da atmosfera agressiva. A suavidade traz a leveza no momento exato.

Sim! O cd é temático! Cada música conta uma parte da transformação do personagem (sand crusader). A música título do álbum é autobiográfica do personagem. E Mira conta como a sua esposa sofreu no momento da sua partidade em busca de vingança.

Compor música é bastante complexo. Você compõe pensando na sonoridade, em que momento enxerga que aquela canção precisa de letra?

Antes de compor decido se a música será ou não com letra. Só que várias vezes mudei de ideia! Na minha opinião, a voz se expressa melhor que qualquer instrumento. Ela consegue ser rítmica e melódica ao mesmo tempo que nos guia através da letra, através de uma história.

Genghis Khan e Xerxes foram líderes de suas épocas. Dentro dessa mensagem de liderança, o que esses personagens representam para você?

Sempre gostei de história! Qualquer que seja sobre desbravador é inspiradora! Imagine só como era viajar meses e meses através de mares e terras nunca antes desbravadas. Enquanto que hoje temos medo muitas vezes de dar passos pequenos em busca de nossos sonhos!

Temos a mania do viralata, achar que nada presta. Se você não pega informação alguma de “Sand Crusader”, pode achar que nem é uma criação brasileira. O que você acha do atual cenário musical no Brasil, em especial para o Heavy/Rock?

A síndrome do viralata nunca vem de integrantes de bandas que estão na ativa compondo e lançando material. Quem diz que nada presta é o hater improdutivo e sem atitude pra tirar a bunda da cadeira.

A introdução de “Atilla the Hun” me lembra algum jogo de guerra, acredito que “Metal Slug”. Daria um belo enredo para um video que o tema fosse esse, passando por vários momentos da batalha.

Sou apaixonado por trilha sonora! Apesar de ter sido autodidata quase que a vida toda, acabei sendo tendencioso na hora de compor sempre me inspirando em filmes. Parecer com trilha de jogos deve ter sido coincidência já que eu nunca joguei games! hehe

“Xerxes I” me chamou atenção logo de cara. A pegada Death Metal tá lá, mas com requinte de contemporaneidade, tanto nos riffs, quando na voz. A música passa que você nem sente. 10 minutos de puro prazer musical.

Essa é a mais controversa de todas e minha preferida! Muitos amam e muitos a odeiam! (risos) Mas é a mais completa pra mim!

“Sand Crusader” é inovador em muitos sentidos: musicalidade, incentivo e vontade. A música por ser versátil. O incentivo do Governo do Pará para a música é fundamental para todos. E a vontade do músico de pensar fora da caixa.

O incentivo ajuda, mas não é tudo! O mais importante é a gente acreditar que pode e corre atrás.

Top 5. Quais as influências de Wael Daou? Cite e comente rapidamente sobre as bandas ou guitarristas que te influenciam.

Death : ouvi a vida toda e sempre ouvirei, era muito a frente de seu tempo;

Jason Becker: maior guitarrista da história;

Frank Gambale: técnica aliada a musicalidade;

Fairuz: a voz do Oriente Médio! Nenhum árabe no mundo deixou de conhecer essa mulher incrível;

Farid el atrash: exímio instrumentista e cantor! Tocou alaude como ninguém em seu tempo.

Por fim, o que podemos esperar de Wael Daou em 2017? Sucesso e muito obrigada!

2017 é o ano que sairei junto a banda Sand Crusader tocando Brasil a fora, já estou compondo e espero lançar o próximo cd no fim de 2018 ! Muitíssimo obrigado pela oportunidade de falar um pouco sobre mim! É uma honra imensurável! Obrigado!

Leave a Comment