“Acreditamos na nossa cena”

Nunca é demais exaltar o Metal Nacional e desta vez as salvas vão para o Torture Squad. Vimos uma brecha na agenda e agarramos com unhas e dentes. Batemos um papo com o Castor e a Mayara Puertas sobre muitas coisas. Política, cena underground, canto, lançamentos e o futuro. Acompanhe!

Por Pei Fon | Fotos Raphael Castejon

“Far Beyond Existence” tem quase um ano de lançado. O que vocês têm colhido dele? Como tem sido a resposta da galera?

Castor: O “Far Beyond Existence” tem repercutido muito bem! Fizemos turnês no Brasil e América do Sul e tivemos uma ótima aceitação! A reação do público em relação as músicas dele ao vivo estão sendo bem aceitas!

Assim que FBE foi lançado vocês caíram na estrada. Um mês rodando pelo país, enxergando algumas realidades. Diante de tudo o que viram, qual é o paralelo que fazem das mais diversas realidades do Brasil?

Castor: A cena underground brasileira está mais forte do que nunca! Os organizadores e os headbangers tem provado que é possível fazer turnês nos moldes em que são feitas no exterior, tocando de segunda a segunda, levando todo o equipamento e equipe técnica. Já fizemos dois no Brasil e dois somente no interior de SP nesses moldes e todas foram espetaculares!

Essa ‘roadtrip’ do Torture Squad seria um formato que a banda pode adotar toda vez que lançar um novo álbum?

Castor: Com certeza! Isso sempre foi uma meta pra gente, poder fazer uma turnê assim no nosso país, pois sempre acreditamos na nossa cena!

 Prestes a completar 30 anos de carreira, vocês já viram de tudo. O tempo é um bom medidor para mensurar o que deu certo e o que não. Então, o que deu certo e o que não nessas três décadas de TS?

Castor: Na minha opinião, o TS sempre procura solução para os objetivos. Não ficamos reclamando da cena ou disso ou daquilo. Sempre caminharmos com as nossas próprias pernas, fazendo de tudo para alcançar os nossos objetivos, pode ser que o resultado seja imediato, a longo prazo ou mesmo ainda esteja distante, nós continuamos sempre na busca. Se algo errado acontece a gente aprende com o próprio erro. Não  desistimos quando algo não deu certo ou da maneira que planejamos, apenas procuramos outro caminho e continuamos na batalha! O TS está vivo até hoje é pelas próprias pernas e atitudes, isso pra mim já é uma grande vitória!

“Far Beyond Existence” é carregada de significados. Para vocês o que vai além da existência? O que seria existir? Ou apenas a existência não supre, é preciso começar a viver?

Castor: Sempre tive em mente que o universo é muito além da nossa existência, nunca achei certa essa teoria de que somos os únicos seres inteligentes dentro desse universo vasto. Existem muitas provas que contradiz essa teoria. “Far Beyond Existence” fala de um lado da soberba do ser humano, de se achar o mais poderoso do que tudo e todos,  degradando a natureza e não respeitando nada , nem a própria raça! Somos pequenos demais  perante a natureza e ao cosmos! E muitos infelizmente não enxergam isso!

Como há um ‘recado’ para os políticos no FBE, como vocês enxergam o atual momento vivido no Brasil? Costumam se posicionar? O Metal tem que escolher algum lado da discussão política? O que vocês pensam a respeito?

Castor: A última faixa do álbum “ You must proclaim” (Você deve proclamar), fala sobre  essa corrupção desenfreada que nosso país sofre. Minha posição sempre é ver o lado do cidadão do bem, daquele que trabalha, rala, se fode pra não ter segurança, transporte decente, saúde e educação… E sempre acaba sendo vítima dessa situação toda! O Metal sempre teve essa atitude, digo de ficar sempre ao lado do povo, acho que quem realmente vive e entende a filosofia do Metal será a favor do cidadão do bem! Esse é o meu ponto de vista.

May, hoje está muito difundido o canto mais grave, gutural entre as meninas. Quais são os cuidados que você tem com a voz? E o que você diria para elas sobre esse formato de canto?

Bom dentro desse aspecto tenho duas visões: a de headbanger e profissional da voz. Como headbanger a curiosidade de aprender um estilo novo de voz foi o que me motivou a aprender tentando imitar vocalistas que eu admirava, como George Fisher, Nergal, Peter Tägtgren… Nós fazemos ruídos guturais no nosso dia a dia, só não nos damos conta disso. O segundo passo pra mim, que me ajudou muito, foi me espelhar em sons de animais… Pense em um grunido de um cachorro muito bravo por exemplo! Haha… Tente imitar o ruído. Depois adicione palavras curtas… Depois frases, assim por diante, deixe seu lado extremo falar por você! Sem medo de se machucar, vai ser estranho no começo, mas você precisa deixar seu lado extremo falar! Nosso corpo está apto a reproduzir diversos tipos de sons através da voz, e você deve sempre se lembrar que  há um conjunto de músculos trabalhando para isso.

Agora estou falando como profissional da voz: Os vocais extremos exigem uma musculatura forte e flexível, e assim como qualquer outra prática física o preparo deve ser gradual, aos poucos. É preciso buscar conhecimento da musculatura na região da laringe, praticar exercícios para tonificar o músculos e também treinar sua respiração, é extremamente importante ter controle do ar.

Ter tantas mulheres cantando este estilo vocal serve de segurança para quem quer começar nessa prática, pois a ideia de que só homens conseguem produzir sons graves e vozes agressivas foi derrubada há muito tempo. Você precisa treinar seus músculos, conhecer seu corpo e se espelhar em quem já faz bem feito! Se inspire nos melhores! E sempre que puder, registre seu progresso e divulgue! Eu gravava covers de Deicide com um microfone de “skype” e colocava num soundcloud sem pretenção nenhuma, e dessa maneira recebi convites para participar de várias bandas. Canto este estilo a mais ou menos sete anos. No Torture Squad  fazemos muitos shows, então para mim é essencial exercícios que também relaxem a musculatura pós show para que não fique sobrecarregada. Em turnês evito álcool, me mantenho agasalhada e converso o mínimo possível. Você pode trocar cordas de guitarra caso elas estejam gastas, mas não vai poder fazer o mesmo pela sua vóz, então preserve-a!

Não sei se é cedo, mas já estão pensando em algum material novo? Ou a continuidade do FBE é o pensamento de hoje?

 Castor: Já temos uma música pronta para o próximo álbum , mas os planos para  lançar outro álbum ainda está cedo na nossa opinião.

Recentemente vocês fizeram uma tour pela Colômbia, Equador, Chile, Bolívia e Peru. No entanto, foram impedidos de sair da Colômbia, com isso cancelando três datas no Equador. Qual foi o pensamento que tiveram? Fale um pouco para nós sobre esse momento tenso que vivenciaram.

Castor: O presidente acéfalo de lá tomou essa decisão sem pé e sem cabeça de fechar as fronteiras do país por quatro dias antes das eleições e comunicou isso a todos praticamente um dia antes! Isso infelizmente acarretou no cancelamento de quatro datas no Equador. Ficamos num hotel em Ypiales cidade que faz fronteira com o Equador, sem poder fazer nada, isso foi um absurdo, decretar algo assim de uma hora pra outra! Somos estrangeiros lá, não temos nada a ver com as eleições do país!  Lastimável!

Para  finalizar, o que podemos esperar do Torture para 2018? Muito obrigada, sucesso sempre!

Castor: Estamos para iniciar uma turnê europeia no mês de agosto, assim que possível vamos divulgar as datas e cidades.  E para finalizar o ano, vamos celebrar os 10 anos do álbum “Hellbound” com uma turnê brasileira que está sendo planejada pra  começar em  outubro e finalizar em dezembro, tocando o álbum na íntegra!

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