Afinidade musical

Texto e Foto: Edi Fortini

O The Secret Society foi formado em 2017 e conta com: Guto Diaz (vocal e baixo), Fabiano Cavassin (guitarra) e Orlando Custódio (bateria). Apesar do pouco tempo com esse nome, os músicos já tocaram juntos antes e foram destaque em diversas bandas da cena curitibana dos anos 80. A banda abriu os shows do Dee Snider em Curitiba e São Paulo (cuja resenha está presente nesta edição), quando batemos um papo com a banda e a entrevista você confere agora.

O The Secret Society foi formado em 2017 e conta com: Guto Diaz (vocal e baixo), Fabiano Cavassin (guitarra) e Orlando Custódio (bateria). Apesar do pouco tempo com esse nome, os músicos já tocaram juntos antes e foram destaque em diversas bandas da cena curitibana dos anos 80. A banda abriu os shows do Dee Snider em Curitiba e São Paulo (cuja resenha está presente nesta edição), quando batemos um papo com a banda e a entrevista você confere agora.

Conta pra gente um pouquinho de como surgiu a banda e a formação.

A banda foi formada em 2017, mas já nos conhecíamos de longa data. Eu e o guitarrista Fabiano tocávamos juntos desde 1992, quando formamos o quarteto curitibano Primal (que tinha uma pegada mais hard-metal-industrial). Orlando entrou na banda em 99. A Primal lançou diversos trabalhos entre CDs, singles e clipes, mas encerrou as atividades em 2011. Portanto os 3 já haviam tocado juntos por bastante tempo e quando decidimos montar o novo projeto, já tínhamos uma afinidade musical bem grande e mantivemos a química.

Como é a cena rock/metal aí em Curitiba? Conta com muitas bandas e espaços?

A cena musical em Curitiba é incrível, temos diversos artistas excelentes, em vários estilos dentro do rock e do metal. Facilmente temos centenas de bandas com trabalhos super profissionais como: Escambau, Corram Para As Colinas, Motorocker, Imperious Malevolance, Division Hell, Semblant, Grade, Mongo, Os Catalépticos, Doomsday Ceremony, Exylle, No Milk Today, Vida Ruim, Dedo Podre, Mercy Killing, Sculptor, Motorbastards, Brokken, BraveHeart, Punkake, As Cigarras, HellGun, Sick Sick Sinners, Hillbilly Rawhide, pra citar somente algumas. Ainda temos deficiência de espaços para trabalhos autorais na cidade, mas os poucos que temos são extremamente importantes para a cena musical de Curitiba, 92graus, Basement, LadoB, Jokers e Cavern Club são casas que têm shows semanalmente.

Vocês são uma banda relativamente nova, apesar das experiências anteriores. Como tem sido esse início de estrada? Tem encontrado muitas dificuldades?

Desde o início da The Secret Society decidimos fazer as coisas com muita seriedade e profissionalismo. Ficamos praticamente o ano de 2017 inteiro imersos em estúdio, focados somente na composição do repertório do novo projeto. Em nosso primeiro ensaio escrevemos a música Fields of Glass (que demonstra bastante as características mais marcantes da TSS) e demos início a Deciduous, que juntamente com The Architecture of Melancholy, foram nossos 3 primeiros trabalhos de estúdio. Gravamos o single em novembro e fizemos nossa estreia ao vivo em dezembro de 2017. Dessa primeira apresentação, além dos 3 singles, já estavam no repertório as faixas Beyond the Gates, Mephistofaustian Transluciferation, Spirit in the Room, At Dawn We Sleep e Rites of Fire. Após a estreia no final de 2017, tivemos em 2018 um ano bastante agitado, com muitos shows e diversas participações em festivais principalmente no Paraná, Curitiba e região. Fizemos no dia 13 de julho, dia mundial do rock, o lançamento do nosso primeiro videoclipe oficial para a faixa The Architecture of Melancholy, num super evento no Hard Rock Café (desse show lançamos vários vídeos oficiais gravados ao vivo, que estão disponíveis no canal de nossa produtora Red Records, bem como em nosso próprio canal no YouTube). Em setembro fizemos nossa primeira abertura para um artista internacional, com um show lotado no Jokers junto com Uli Jon Roth (ex guitarrista do Scorpions) e encerramos o ano com o lançamento do lyric video de Fields of Glass.

Como foi o processo para abertura dos shows do Dee Snider e como foram esses shows pra vocês?

O convite para a abertura do show do Dee Snider veio da produtora Top Link, que acreditou no potencial da banda. O show da The Secret Society na Ópera de Arame em Curitiba foi brutal! Tivemos uma ótima receptividade do público que aplaudiu e agitou bastante. Fizemos um set de apenas 40 minutos onde tocamos os 2 singles Fields of Glass e The Architecture of Melancholy, Beyond the Gates, Mephistofaustian Transluciferation e Rites of Fire (que já estavam no repertório em 2018) e a estreia ao vivo de Rubicon e The Final Cut. Dee Snider é uma lenda viva e foi super atencioso conosco (bem como toda sua banda e equipe). Seu último álbum “For The Love Of Metal” é uma verdadeira aula de heavy metal, com 64 anos é um frontman de dar inveja. Nosso baterista Orlando Custódio teve oportunidade de passar bastante tempo com o Dee Snider, pois levou ele de carro na sexta-feira de Curitiba para São Paulo. Na viagem conversaram bastante sobre assuntos diversos, cinema e é claro música, Dee Snider ouviu nossos 3 singles no Spotify e assistiu o videoclipe de The Architecture Of Melancholy, que gostou bastante. No sábado 23, foi a vez de fazermos a abertura em São Paulo. O show na casa de espetáculos Tom Brasil foi ainda melhor que em Curitiba, estávamos bastante ansiosos para mostrar nosso trabalho para o público paulista, que apesar de ainda pequeno durante nossa apresentação, aplaudiu bastante e ficou atento durante o show, tivemos ótimos feedbacks após o show. Novamente fizemos uma grande apresentação, repetindo o mesmo set list de Curitiba, incluindo ao final uma versão para “Cry for Love” do Iggy Pop.

Quando teremos a previsão de um lançamento de um EP ou álbum completo da banda?

Os nossos primeiros registros profissionais, os singles Fields of Glass, Deciduous e The Architecture of Melancholy foram disponibilizados somente nas plataformas digitais. Ainda não sabemos se algum dia iremos lançar esses 3 trabalhos de forma física. O foco agora é o full album. Ao final de 2018 entramos em estúdio, e fizemos a pré produção de 16 músicas, algumas que já estavam no repertório sendo tocadas ao vivo, e várias músicas novas e inéditas. Dessas 16 músicas escolhemos 10 que farão parte do nosso primeiro álbum. Beyond the Gates, Rites of Fire e Mephistofaustian Transluciferation e as até então inéditas, The Final Cut, Rubicon, Chariots of the Gods, Sleeping Over Debris, A New Day, Mercy e Memento Mori.

O que podem adiantar pra gente sobre as futuras composições da banda?

As novas composições mostram um enorme amadurecimento musical da The Secret Society, todas foram escritas em um curto período de tempo, entre um show e outro ao final do ano passado, num momento de grande criatividade que tivemos pouco antes de entrarmos em estúdio para a pré produção. Tanto é que músicas mais antigas foram deixadas de lado para dar preferência às novas faixas, que apresentam a banda super inspirada e madura.

Vejo que a literatura é uma parte importante na estética da banda. Podem falar mais sobre isso? Quais outras artes influenciam a estética de vocês?

Música, literatura e cinema são os grandes combustíveis criativos da TSS. Quem adentrar profundamente nas letras e em toda estética da banda vai captar diversas citações a filmes cult e obscuros, literatura russa, poesia, homenagens a bandas que nos influenciam, histórias pessoais e muitas metáforas. Mas isso eu deixo para a interpretação pessoal de cada um.

O som de vocês não é tão comum do que é conhecido como o “gosto brasileiro” dentro do rock/metal, infelizmente. Como tem sido a recepção da galera para o som de vocês dentro de abertura de outros shows com estilo um pouco diferente, como foi com o Dee Snider?

Exatamente, nosso som não é “comum” para o gosto nacional e até para o público rock e metal pode soar um pouco estranho, mas isso não nos incomoda. Acredito que essa sonoridade única da TSS é o nosso grande diferencial e uma de nossas vantagens. A música que criamos vem do nosso sangue, do nosso espírito, quando os três estão reunidos dentro da sala de ensaios, acontece uma sinergia inexplicável, e dessa união saem nossas músicas, sem forçar nada e sem se limitar a estilos ou preconceitos, e isso faz com que nossa música tenha autenticidade. Quando tocamos para um público que ainda não conhece a banda, sentimos que as pessoas ficam intrigadas com o som, nossas composições têm momentos climáticos, com dinâmica, acordes dissonantes e muito peso, e isso acaba sendo de uma certa maneira super hipnótico, a plateia aplaude bastante ao final das músicas e sempre temos um feedback positivo após às apresentações.

Quais são as principais influências de vocês e como vocês enxergam essas influências no som que vocês fazem?

Eu poderia ficar horas falando sobre nossas influências musicais. Cada um da banda tem gostos super peculiares, mas todos têm uma forte influência do heavy metal, hard rock e do pós punk. Fabiano veio do hardcore e do punk (ainda nos anos 80 com sua primeira banda Abaixo de Deus), enquanto eu venho do Thrash Metal oitentista (fui fundador em 86 do grupo Epidemic, pioneiros do Thrash no Paraná). Orlandinho por sua vez, tem uma influência muito grande de Metallica, Danzig, The Cult, Guns n’ Roses, Stone Temple Pilots e Soundgarden. Na TSS as influências mais notáveis são os grupos de pós punk e goth rock dos anos 80, como The Mission, The Sisters of Mercy, Christian Death, Bauhaus, Siouxsie, The Cure, Joy Division e Fields of the Nephilim. Mas também temos influências de rock sessentista, rock progressivo, Metal clássico, NWOBHM, Stoner, Doom, e os mais diversos estilos musicais possíveis. Minhas maiores influências são Voivod, Nasty Savage, Alice Cooper, Nick Cave, The Triffids, Minimal Compact, Tiamat, Paradise Lost, Einstürzende Neubauten, Kate Bush, Mão Morta, Peter Hammill, The Mars Volta, Paralisis Permanente, Tool, Celtic Frost e Killing Joke.

Esse espaço é de vocês, por favor falem o que mais achar necessário para nossos leitores. Muito obrigado à Edi Fortini e ao Rock Meeting pela entrevista e pelo espaço cedido a TSS. Em nome da banda eu gostaria de convidar os leitores do Rock Meeting para conhecerem um pouco mais o trabalho da TSS e conferir nossos singles nas plataformas digitais, bem como assistirem nosso videoclipe oficial, The Architecture of Melancholy, e vários vídeos ao vivo no YouTube. Em breve estaremos lançando nosso primeiro full álbum e fazendo diversos shows nos principais festivais pelo Brasil! Nos vemos na estrada!!!

Leave a Comment

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.