“Sentimentos em música”

Um dos maiores ícones do post-rock/instrumental brasileiro, o Labirinto conta com 13 anos de estrada e no início de 2019 lançará seu terceiro trabalho de estúdio, Divino Afflante Spiritu.

Antes disso, para aumentar as expectativa dos fãs, o grupo lançou o vídeo da música-título do álbum e os paulistanos puderam ter o gostinho de conferí-la ao vivo, durante o projeto “Instrumental Poesia”, onde foi acompanhado pela poeta Maria Giulia Pinheiro.

Acompanhamos esse momento especial e as fotos que seguem nessa matéria sãodesse evento. Aproveitamos para bater um papo com o Erick Cruxen, que vocêconfere abaixo.

Como sexteto, atualmente o Labirinto contacom Muriel Curi (bateria), Erick Cruxen (guitarra), Luis Naressi (guitarra,sintetizador e percussão), Hristos Eleutério (baixo), Francisco Bueno(guitarra, sintetizador e percussão) e Lucas Melo (percussão).

Texto e Fotos por Edi Fortini

A ser lançado em fevereiro de 2019, o novo álbum tem já causado grandes expectativas pelas informações que vocês vêm divulgando. O que vocês podem falar do novo trabalho? Vocês estão inteiramente satisfeitos com o resultado final? O que teve de diferente no processo de composição?

A gravação de “Divino Afflante Spiritu”, certamente, foi a que mais ficamos satisfeitos. Tanto com as músicas, como o resultado de todo o processo. Testamos muitas coisas na pré-produção; efeitos, distorções e arranjos nos ensaios. Chegamos para gravar bem mais conscientes do que pretendíamos. Com todo suporte do Dissenso Studio, e do Magnus Lindberg (Cult Of Luna/Redmount Studios), que acompanhou com a gente todo o processo de gravação, conseguimos produzir o disco de forma mais intensa e rápida que os anteriores. O álbum possui algumas novidades para quem acompanha a banda desde os discos anteriores!

O videoclipe recém lançado “Divino Afflante Spiritu” traz uma música com um histórico denso que marca também o último álbum, a perda de entes queridos. Esse sentimento se manteve forte desde a perda do cãozinho Joca e também por pessoas próximas a vocês que partiram. Como foi esse processo de transformar a dor em música e eternizar a presença desses seres em canções?

O disco e o vídeo de  “Divino Aflante Spiritu” foram concebidos em uma fase muito difícil de nossas vidas. A perda do Joca foi muito complicada pra gente, e tudo foi produzido em meio a um emaranhado de emoções. Desde a ideia inicial do vídeo, pensamos em dedicá-lo para ele. Tentamos transmitir todos esses sentimentos no clipe, de uma forma mais surrealista. Passamos o conceito e as ideias que tínhamos em relação a música, para o diretor André Schutz, e ele conseguiu sintetizar tudo de uma forma belíssima, e cheia de metáforas, apesar de bastante sombria. Dedicamos o álbum para o Joca, para nosso amigo Mateus Pagalidis e ao meu Tio Artur, ambos falecidos em 2017.

Para o Labirinto, como é ter um trabalho instrumental no Brasil? Vocês acham que é bem aceito pelo nosso público?

Somos muito privilegiados pelo público que temos, nesses mais de 13 anos de banda. A receptividade ao tipo de som que fazemos mudou muito desde que começamos. Era bem mais complicado, e muitos estranhavam por fazermos rock instrumental. Hoje, devido à internet, e ao surgimento de muitas bandas nesse segmento, tudo ficou mais naturalizado, pelo menos no meio underground. Lógico, que ainda precisa melhorar muito, principalmente, a infraestrutura para as bandas iniciantes poderem se apresentar decentemente.

Recentemente vocês fizeram duas apresentações com a poeta Maria Giulia Pinheiro no Sesc Paulista, como parte do projeto Instrumental Poesia, que se trata de apresentações que não fazem parte do cotidiano de vocês . Conte pra gente como foi participar desse projeto e quais foram os sentimentos de acompanhar uma leitura tão intensa.

Quando fomos convidados pelo SESC a participar do projeto, e nos deparamos com a poesia engajada e densa da Maria Giulia, topamos na hora. Foi algo diferente e desafiador, pois criamos um set especial

para o evento. Antes do convite, já estávamos ensaiando as músicas para o lançamento do disco novo, e tivemos que alterar a rotina. Aprendemos muito nos preparando para essa apresentação, que nos deixou extremamente emocionados! Além do conteúdo do livro dela, a forma que engendramos as composições, nos despertou uma carga emocional muito grande durante os shows. Nós compusemos duas faixas inéditas pra esse set (uma delas acho que iremos gravar em breve, rs), e produzimos também um filme,  que eram as projeções visuais, onde exibimos no telão ao fundo do palco, sincronizadas com os momentos do texto da Magiu, nos dois shows.

Para nós, foi uma satisfação enorme, pois o Labirinto nunca foi apenas música e estética, sempre teve um balizamento ideológico, onde podemos manifestar nossas relações com a sociedade na qual vivemos.

Vocês estão há um tempinho com a Pelagic Records. Como tem sido a parceria e o trabalho com eles?

Tem sido muito bom!  Na verdade, nós nascemos no “faça você mesmo”, viemos todos do hardcore, e aprendemos muito estando nessa “cena”, são atitudes e modos de pensar que levamos pra vida. Criamos o selo (Dissenso Records) para podermos lançar nosso material. Aprendemos os mecanismos dos estúdios para podermos nos gravar. Vendemos e distribuímos nossos discos e camiseta em shows, lojas e outros eventos. Cuidamos de toda divulgação. Agendamos nossas turnês. Ainda fazemos tudo igual. A diferença para agora é que contamos com o suporte de uma gravadora internacional, que permite levar o som e material do Labirinto, mais facilmente, para o restante do mundo; e isso é muito recompensador. Uma gravadora repleta de bandas que sempre admiramos, e que aprecia nosso trabalho.

Seja participando de um projeto com uma poeta tão visceral como a feminista Maria Giulia Pinheiro ou inserindo partes de gravações das manifestações políticas de 2016, o Labirinto mostra de forma sutil que também é uma banda política. Como vocês vêem isso dentro do cenário musical atualmente e o que podem dizer sobre o âmbito musical brasileiro recente, com essas explosões políticas atuais? Vocês acreditam que o trabalho musical de forma geral é também um trabalho político?

Certamente, tudo que fazemos é política. Tanto em nossa vida social, como na arte e cultura em geral; não existe neutralidade. Como disse antes, nunca pensamos no Labirinto apenas como estética, ou um aglomerado de músicos. Nossa preocupação, sempre foi transmitir no que fazemos, nosso posicionamento sobre a sociedade e as relações que temos com ela. Seja materializando, tais sentimentos em música, projetando imagens em nossas apresentações, ou nas artes que engendramos em nossos discos ou posters de shows. Não conseguimos separar as coisas, pois elas estão imbricadas. Sempre admiramos bandas e artistas, em geral, que não escondem seu engajamento, e a situação do país, mais do que nunca, pede tal transparência.

Após o lançamento, já tem algum show marcado? Quando poderemos conferir as novas composições ao vivo? Esse espaço é de vocês agora. Se quiserem adicionar alguma informação relevante para o momento atual, fiquem à vontade.

O lançamento do disco oficial pela Pelagic (mundialmente) e Dissenso (no Brasil) será no dia 8 de fevereiro, e devemos fazer o show aqui em São Paulo próximo a essa data. Nos meses seguintes, tentaremos tocar no máximo de cidades que pudermos, antes de partimos para turnê de lançamento do álbum na Europa. Ao longo das próximas semanas, iremos postando as informações e novidades em nossas redes sociais (Facebook, Instagram entre outros… é só buscar por @labirintomusic). Quem curte a banda vale ficar atento, e também se inscrever na newsletter, que é por onde enviamos as novidades, caso a pessoa não cheque nas redes sociais (dá para se cadastrar na parte inferior do site: http://labirinto.mus.br/site/). E também acho importante divulgarmos que o disco está na pré-venda, agora com um descontinho para quem quiser comprar e garantir sua cópia!

Europa: bit.ly/labirintoEU

N. America: http://bit.ly/labirintoNA

S. America: http://bit.ly/labirintoSA

Digital: bit.ly/labirintoDGTL

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