“Não basta ser bom”

Quintessente é uma das bandas mais diferenciadas do Underground nacional. Sua mistura de diversos estilos dentro  do Metal com Rock progressivo é única e contagiante. Lançaram recentemente o disco “Songs From Celestial Spheres” e vêm recebendo ótimas críticas da mídia especializada e do público. Vamos saber mais do vocalista André Carvalho os detalhes sobre o disco, suas novidades e um pouco da história da banda.

 Por Gabriele Moura | Foto Banda/Divulgação

 

Com seus mais de 20 anos de estrada a banda construiu uma bela jornada e vem se firmando cada vez mais na cena musical do Brasil. Com todo esse tempo, quais foram as maiores dificuldades enfrentadas? O que a banda aprendeu com elas? 

Se tratando de Metal, ainda mais no Brasil, as dificuldades são imensas mesmo com o avanço da internet e redes sociais que colaboram muito para divulgação de um trabalho. Não basta ser bom. Requer sacrifício, entrega, engajamento e qualificação de todos os envolvidos na cena. Passamos anos afastados e quando retornamos com a banda percebemos que muita coisa continua na mesma ou até piorou. Você dedica seu tempo e dinheiro em prol de um trabalho, da sua arte, da sua forma de expressão e na hora de mostrar isso ao público se depara com condições muitas das vezes inaceitáveis. Hoje pensamos muito no planejamento e na melhor forma de gerir a banda, analisando sempre os pros e os contras de acordo com as lições aprendidas.

O som apresentado pela Quintessente é bastante característico, nota-se influências vindas de Doom e Gothic Metal trabalhadas de modo um tanto progressivo. Quais bandas influenciaram a origem do Quintessente e quais influenciam atualmente?

Quando começamos com a banda em 1994, o cenário estava em plena ebulição de bandas de Thrash e Death Metal. A intenção foi fugir um pouco do lugar comum e criar um som incitado por bandas de Death/Doom que começaram a surgir na época, como Paradise Lost, Anathema, My Dying Bride, Benediction, Bolt Thrower, entre outras. Aos poucos fomos incorporando influências do Gothic Metal, metal clássico e até progressivo ao nosso som. Acho que hoje não nos concentramos em uma única vertente para nos influenciar. Pensamos muito mais na harmonia e no clima que podemos criar em nossas composições. O Metal nos dá essa possibilidade de não nos apegarmos aos rótulos das inúmeras vertentes que existem. O campo para trabalho é imenso.

O álbum “Songs From Celestial Spheres” foi lançado em maio de 2017 e vem sendo o material de trabalho da banda desde então. Como o disco foi recebido pelo público? E pela crítica, obteve boas notas?

Temos recebido um retorno muito positivo do público e da mídia especializada. Depois de tantos anos tem sido recompensador saber do público que as expectativas foram atendidas ou até mesmo superadas com o novo álbum. Grande parte da mídia não conhecia a banda até o lançamento de “Songs From Celestial Spheres” e temos notado reações incríveis. Isso nos deixa muito felizes, pois nos dedicamos inteiramente ao álbum quando decidimos voltar com a banda.

Eu tive a oportunidade de ouvir o “Songs From Celestial Spheres” e o achei muito interessante, um trabalho bastante maduro e com características bastante próprias da banda. Qual foi, ou quais foram, as principais inspirações para o disco? 

O álbum traça um paralelo entre o universo e o nosso som. Assim como as estrelas que possuem diferentes estruturas químicas, idade, massa, luminosidade e magnitude, a sonoridade de “Songs From Celestial Spheres” compreende os mais variados estilos dentro do Metal. Pensamos desde o início em não nos prendermos em nossas composições e sentirmos, acima de tudo, a música que estávamos criando. O primeiro single lançado, “The Belief of the Mind Slaves”, é um exemplo onde exploramos muitos estilos em uma única música. Começamos com riffs bem marcados do Death Metal, andamos pelo Metal mais clássico e terminamos num clima Progressivo. Músicas como “Essente”, que foi nosso segundo single lançado, e “Unleash Them” caem mais para o Gothic Metal. Já “Delirium”, “My Last Oath” e “Reflections of Reason” têm bases marcantes do Metal tradicional/clássico, porém com vocais mais Death Metal. Compondo “A Sort of Reverie”, “Eyes of Forgiveness”, “L’Eternità Offerto”, trazemos algo mais voltado para o Black Metal e Doom Metal. “Matronae Gaia (Chapter II)” traz consigo uma carga de progressivo muito grande e fecha o álbum.

Antes do lançamento do novo trabalho, a banda teve um período de recolhimento.  Qual a razão disso? 

Começamos com a banda em 1994 e entre idas e vindas fomos até 2001. Tivemos esse recolhimento de anos por diversos motivos. Fomos estudar, nos aprimorar profissionalmente e tocar projetos pessoais. No final de 2015, eu, Cristiano e Cristina resolvemos voltar para trabalharmos em algo novo e que pudesse nos trazer, acima de tudo, satisfação. De lá para cá voltamos nossa cabeça para criação de músicas novas e recebemos o Leo Birigui e o Luiz Fernando para fazer parte do time. Grupo fechado e álbum pronto. A primeira meta foi cumprida.

Atualmente quais são os planos da banda para o restante do ano? E para o ano que vem, alguma novidade?

Estamos trabalhando para dois ou três shows ainda esse ano. Em 2018, temos planos de um novo clipe para o primeiro trimestre. Queremos ainda acertar datas para shows de divulgação por todo país.

Com seus mais de vinte anos de carreira a banda tem muito que ensinar para bandas mais recentes. Qual o conselho que vocês dão para artistas iniciantes?

Acho que o mais importante e fazer aquilo que vem da alma e se dedicar. Façam música para vocês e para seu público. Esse sempre vai ser o diferencial. Se fizer igual a todo mundo, a tendência é obter os mesmos resultados.

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