“Fazer nossas próprias músicas”

Por Pei Fon | Fotos – Jeroen Moerdijk

(English version here)

Se tem uma coisa que adoro fazer é entrevistar. E sabe o que é ainda mais legal? Quando o entrevistado é muito gente boa. Estou falando da Marina La Torraca. A pauta da vez é a sua banda Phantom Elite. Para muitos no Brasil, o PE pode soar bem novo, porém tem um nome de peso que agrega bastante à banda. Para quem acompanha o metal sinfônico vai lembrar de Sanders Gommans, guitarrista da antiga banda After Forever, a mesma que projetou Floor Jansen, hoje vocalista do Nightwish.

Agora em abril, o Phantom Elite vai lançar seu primeiro álbum, “Wasteland”. E sobre esse play que fomos atrás de Marina para algumas curiosidades e perspectivas para o futuro. Curioso? Leia o que conversei com ela. Ah, vale sempre uma bela observação, ela é simpaticíssima.

Phantom Elite é bem nova no cenário, mas já ganha notoriedade dentro e fora da Europa. Conta pra nós como tudo começou e explica um pouco a origem do nome. Alguém tinha esse nome no caderninho de possíveis nomes de banda e jogou a ideia? (risos)

Tudo começou com Sander e eu, quando ele teve a ideia de montar uma banda pra tocar as músicas do seu projeto de estúdio, HDK, ao vivo. A partir daí achamos os meninos e começamos a ensaiar. Logo percebemos que havia muita química e queríamos fazer nossas próprias músicas… E foi aí que nasceu o PE.

(risos) O nome foi ideia do Sander. “Phantom Elite” é uma passagem da música “Eternal Journey” do álbum “Serenades of the Netherworld” do HDK. Um nome bacana e também um jeito de conectar as duas ideias.

Sander Gommans (que foi do After Forever) é o cara por trás do PE. Como ele chegou até você? Indicação, já trabalharam juntos…? Conta pra nós!

Nós havíamos trabalhado juntos nas gravações e produção do último ábum da falecida banda Highlight Kenosis, na qual eu era vocalista. Foi aí que conheci a Amanda também. 🙂

Vamos falar de coisa boa. O novo álbum do Phantom Elite (“Wasteland”) vai ser lançado na praça e chegará ao Brasil. Apresente seu début para nós. Como está a expectativa?

Bom, “Wasteland” é uma mistura de muitas das nossas influências pessoais. Todos os integrantes escreveram as músicas, então tem muita coisa diferente acontecendo: partes progressivas a la Dream Theater, vocais pegajosos (no bom sentido [risos]), riffs a la After Forever (claro), instrumental agressivo a la Lamb of God, e um toque do bom e velho sinfônico. Nem sempre é fácil trabalhar com tanta gente escrevendo ao mesmo tempo, mas com certeza rendeu muita coisa diferente, experimental e inesperada nesse álbum.

Não vemos a hora de compartilhar com todos o nosso primeiro trabalho, mas mais ainda não vemos a hora de trabalhar no próximo! Haha

Duas músicas do novo álbum foram divulgadas. Qual tem sido a reação da galera?

A reacão tem sido em geral muito positiva! Apesar de termos lançado as duas faixas mais “comerciais” do álbum, a galera tem elogiado bastante o toque único da banda. E identidade no som, logo no primeiro álbum, é o melhor elogio que podemos receber.

Sobre a composição, como tudo aconteceu? Qual a inspiração para esse álbum?

Bom, como eu já disse ali em cima, todos integrantes contribuiram. Mas as primeiras bases das primeiras músicas como “Above the Crowd” e “Wasteland” vieram do Sander.

A inspiração para o nome e tema geral veio de um poema do T.S. Eliot chamado “The Waste Land”. Eu tive a ideia desse tema logo no começo e ajudou a guiar a principalmente o visual da banda e do álbum.

Na descrição sobre o Phantom Elite fala de um ‘ar novo’ nos vocais femininos na cena metal. Você acha que o meio está saturado de mesmice entre lírico e esse boom do gutural feminino, por exemplo?

Bom, eu acho tudo válido e respeito o talento e trabalho de muita gente na cena! De fato hoje em dia (mais do que há 10 anos atrás, mas ainda assim) não achamos muitas bandas com um vocal mais pop ou mais agressivo sem ser gutural.

Na verdade minha intenção não é “cantar diferente”, mas fazer “o meu negócio”, hehe. E eu tenho muito mais influências rock e pop do que clássica.

Por ser brasileira e morando fora há algum tempo, você está criando uma base aqui no país. Como está acontecendo essa disseminação do seu trabalho no Brasil? O que a galera tem comentado? Com a distância, as redes sociais têm ajudado, presumo.

Com certeza as redes sociais ajudam! A galera tem sido extremamente fofa! Os brasileiros geralmente usam a palavra “orgulho” quando comentam nas redes, o que é uma honra imensa. E eu tenho orgulho também: tanto dos fãs dedicados, quanto dos músicos talentosos e absurdos no cenário brasileiro.

Pensando aqui um pouco sobre o conceito do álbum, onde seria essa ‘terra desolada’ em nosso tempo?

Assisti uma peça sobre o conflito entre Judeus e Palestinos em Israel no início dos anos 2000. Acho que qualquer terra sofrendo guerras e ataques infelizmente se encaixa nessa distopia, onde “o vento não traz conforto, mas mais dor”.

Gostei bastante de “Sirens Call”. É cativante e me ganhou de primeira. A sensação é que já ouvi em algum lugar, é estranha isso.  A intenção é hipnotizar o ouvinte? De fato, me hipnotizou (risos)

Hahaha, espero que tenha sido só a sensação mesmo (juro que não plagiei nada)!

Já que a música se trata de “perder o controle” perseguindo algo, sim, uma das intenções é causar essa sensação de hipnoze através de repetição. Bom saber que funciona! Haha.

 “Wasteland” tem umas passagens interessantes, diversificado e me fez lembrar o After Forever em alguns momentos, mas nada que seja cópia, é uma bela inspiração. 

Essa música foi, como eu disse ali em cima, escrita em sua base pelo Sander. Acho que nesses casos dá pra pereber bastante a presença de elementos do After Forever.

Como é trabalhar com essa galera que tem uma bagagem musical intensa. Você se sente ‘um peixe fora d’água’? Mas sinto que você é dessas que tá ‘nem aí’, não se intimida e busca aprender tudo.

Eu não diria que não estou “nem aí”, pois às vezes a responsabilidade é muita haha. Mas de fato não me deixo intimidar, trabalho muito, mas muito duro mesmo e estou sempre disposta a aprender. Espero que a atitude diva não se instale nunca em mim haha.

Por ser cantora, sei que não se prende só ao metal. O que tem escutado ultimamente? Poderia listar um top 5?

Nossa, muito pouco metal! *aqui o emoji daquele macaquinho cobrindo os olhos, haha*

Peraí, vamos ver… talvez eu chegue em 5: a trilha sonora do musical Hamilton tem estado no repeat por aqui. Também redescobri o Seventh Wonder recentemente (banda do Tommy Karevik do Kamelot, que eu adoro). Fora isso  tenho pesquisado muito rock anos 80 (que eu AMO, haha) e uns lances Motown.

Para finalizar, além do cd, o que planejam para 2018? Muito obrigada e esperamos vocês no Brasil.

Temos essa pequena perna da turnê até maio, e por enquanto temos um show com o Kamelot em outubro. Até lá estaremos trabalhando com certeza num novo álbum e, se Deus quiser, teremos muito mais boas notícias.

Muito obrigada pela entrevista divertida e dedicada! Nos vemos por aí!

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