Heavy com Thrash

 

Formada no ano de 1986, o Necromancer é considerada, por muitos, um dos pioneiros do Thrash Metal carioca. Depois de algumas paradas e mudanças na formação, o grupo retornou com tudo. Consolidados, lançaram o bem recebido “Forbidden Art”. Conversei um pouco com o guitarrista Luiz Fernando para saber um pouco mais sobre os projetos atuais e o futuro da banda. Confira!

Entrevista: Aline Pavan
Foto: Chris Salay

O Necromancer caminha para seus 31 anos desde sua fundação. Conte-nos como o grupo iniciou seus trabalhos?
Luiz Fernando
: A banda começou no final de 1986 quando os dois irmãos, Luiz Fernando e Luiz Cláudio, juntaram-se a alguns amigos em comum e colegas de colégio, dando início a banda, que teve em sua formação original: Marcelo Coutinho (vocal), Robert Haulfon e Luiz Fernando (guitarras), Alex Rocha (baixo) e Luiz Cláudio (bateria). Nesta época, a ideia era de tocar mais um estilo de uma mistura Heavy com Thrash tradicionais, baseado em bandas da época como Slayer, Metallica, Kreator e até mesmo Iron Maiden.

Fale um pouco sobre a atual formação da banda. Acreditam que ela está bem consolidada agora?
A atual formação da banda conta com os dois fundadores, Luiz Fernando (guitarra) e Marcelo Coutinho (vocal), mais dois integrantes das primeiras formações, Gustavo Fernandez (baixo desde 1987) e Alex Kaffer (guitarra, ex-baterista de 1988 a 2015) e agora com o novo baterista, Vinicius Cavalcanti. Acreditamos que agora a banda esteja sim bem consolidada, estabilizada e mais entrosada.

Fale um pouco sobre o atual trabalho “Forbidden Art” (2014). Acreditam que este possa ser o álbum mais consistente da banda desde o início?
Para falar a verdade este é nosso primeiro álbum. Antes, havíamos lançado apenas demo tapes curtas, coisa de quatro músicas. Resolvemos, então, fazer um apanhado e gravar algumas das músicas que tínhamos gravado anteriormente nas demos e dar um ar um pouco mais atual, mas mantendo o espírito da época. Ou seja, fizemos a gravação com equipamentos atuais, mas sem usar tantos recursos tecnológicos para ver se mantínhamos um feeling dos anos 80/90.

E para a divulgação, o grupo pretende trabalhar em algo para impulsionar ainda mais este trabalho? Um videoclipe, quem sabe? Estamos atualmente trabalhando em conjunto com a assessoria Sangue Frio que está nos ajudando a divulgar nosso trabalho. Além das novas composições, a banda pretende lançar em breve um lyric video e também videoclipe. Estamos ainda em fase de decisão de qual música iremos colocar para estes clipes.

Como funciona a parte de composição, tanto lírica quanto instrumental do Necromancer? Todos participam?

A parte instrumental (bases, riffs e estruturas das músicas) é composta por mim (Luiz Fernando), o outro guitarrista Alex e pelo baixista Gustavo.

A parte lírica é de um modo geral composta por mim e a melodia vocal pelo Marcelo Coutinho com ajuda e opinião de toda a banda.

Mas vale falar também que, na grande maioria das vezes, as ideias iniciais, seja a parte instrumental ou a parte do vocal, são alteradas durante os ensaios, pois sempre acabam surgindo novas ideias que acabam se encaixando melhor em algum pedaço da música e há sugestões de todos da banda.

Quais são as temáticas apresentadas nas músicas? Quem as escreve?

A maioria, coisa de 90%, das letras são escritas por mim. Mas algumas das letras têm ajuda dos outros da banda que acabam dando um ‘pitaco’ em partes dos textos.

Com relação as temáticas, tentamos fazer as mais variadas possíveis, tendo temas que variam desde guerras, críticas à igreja e religião, até mesmo assuntos psicológicos e de personagens históricos, dentre outros. Basicamente não há uma linha específica para os temas das letras, aparecem aleatoriamente, às vezes baseados em livros lidos ou em textos, pesquisas feitas na internet.

Quais são as influências musicais da banda?

As influências são basicamente as das bandas da época em que começamos, ou seja, das décadas de 80/90, tais como: Slayer, Kreator, Destruction, Exodus, Death. Mas atualmente estamos tendo algumas digamos assim “pitadas” de bandas um pouco mais novas e um pouco mais na linha de Death Metal em especial a linha escandinava, como por exemplo, Dark Tranquillity, Arch Enemy. Há também até pequenas pitadas de bandas mais porrada e pouco conhecidas, mas que são muito boas, interessantes e diferentes que estamos colocando em nossas música, mas sempre tentando manter nosso estilo original.

Vendo todos estes anos, o que vocês acham que mudou dos anos 80 para os anos 2000? Ficou mais fácil ou mais difícil lançar e divulgar algo?
Na década de 80/90, a divulgação era mais difícil de se fazer, além de lenta. A divulgação das demos tinha que ser toda feita através dos correios, o que levava muito tempo e algumas vezes nem vinha a acontecer. Naquela época, para divulgar, tínhamos apenas as rádios (nada de internet) e também tínhamos estes problemas mencionados acima. Além do mais, era mais difícil conseguir bons instrumentos e equipamentos e quando conseguíamos os preços eram ainda mais altos dos que hoje (no Brasil estas coisas são absurdamente caras), e difícil encontrar estúdios com gravação de qualidade boa que tivessem um custo razoável.

Hoje em dia, com o acesso à internet, a melhoria da qualidade e a redução do custo para gravação facilitou muito a divulgação do trabalho.

Contudo, esta mesma facilidade aumentou muito o número de bandas, dificultando a visibilidade.

Como está a cena metal carioca na visão de vocês? Há locais para shows? E bandas, tem surgido nestes últimos anos?

Muito embora existam shows de pequeno, médio e até mesmo de grande porte (como o Hell in Rio), de um modo bem geral há poucas casas e, na maioria das vezes, são para bandas não autorais, ou seja, as melhores datas são para bandas covers. Acreditamos que esta seja a situação até mesmo em vários lugares aqui no Brasil pelo menos.

Apesar de a cena parecer não estar em alta, tem surgido algumas boas bandas no cenário do metal carioca, bem como no nacional. Além de terem surgido bandas novas, tais como Forceps e Vorgok, há também algumas de gente das antigas que estão retornando a fazer som com formações novas como Unmasked Brains e ColdBlood.

A banda sonha com turnê europeia? Se sim, este sonho está perto de se realizar?
Claro que a banda deseja em divulgar seu trabalho no exterior, em especial na Europa, mas este é um caminho ainda meio restrito e ainda está meio difícil de acontecer. Até mesmo por lá, acreditamos, as coisas não estejam lá tão fáceis assim para bandas estrangeiras e que não tem nome conhecido ainda.

Fale um pouco sobre os projetos futuros do grupo. Podemos esperar um novo álbum em breve?

Os objetivos da banda são trabalhar em novos projetos e divulgar estes projetos em shows.

Após a estabilização da formação da banda, já estamos trabalhando em novas músicas e estamos com planos de fazer outra gravação, possivelmente, no inicio de 2018. Neste material, iremos apresentar ainda um pouco de material que já havíamos composto na década de 90, bem como músicas mais novas compostas após o lançamento do “Forbidden Art”.

Deixamos este espaço para as considerações finais.
Queremos agradecer a força de vocês aí da Rock Meeting e de todo o pessoal do mundo underground que fazem com que a cena do metal no Brasil ainda continue conseguindo se manter em atividade. Valeu mesmo a força!

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