A explosão tropical do rock progressivo

Necro. Powertrio de Alagoas. Foto: Pei Fon

A explosão tropical do rock progressivo

Ano agitado para a Necro, banda de Maceió (Alagoas) que tem motivos para comemorar 2017 e muito devido à excelente repercussão do terceiro álbum da carreira, “Adiante”, lançado ainda no final de 2016. Em formato virtual, nas principais plataformas de streaming como o primeiro lançamento do selo da Abraxas, o disco jogou músicas em playlists diversas, despertou o interesse de diversas mídias por entrevistas e resenhas, além da invejável agenda de shows ao longo do ano, que contemplou diversos estados do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. O rock psicodélico cantado em português em canções viciantes, contagiantes e de um impecável instrumental, com muito feeling, fez da Necro uma referência da música viajada progressiva no Brasil. Especial como a edição 100 da Rock Meeting, esta entrevista com o guitarrista Pedro Salvador faz um esperto balanço de 2017, comenta sobre a parceria com a produtora Abraxas, lança luz sobre novidades e já adianta: a banda já compõe o novo álbum e nem tudo é sobre o rock… confira!

Por Erick Tedesco | Foto Pei Fon

 O ano de 2017 foi bem intenso para a Necro, não? Qual é o balanço da banda sobre todos os acontecimentos e conquistadas?

Pedro Salvador – Lançamos o disco “Adiante” em dezembro de 2016, então 2017 foi um ano em que focamos na divulgação do álbum. Pudemos tocar em cidades que nunca tínhamos estado antes, assim como grandes e históricos festivais, como o Aldeia Rock e o Goiânia Noise. Também pudemos retornar a lugares que adoramos tocar, como Aracaju, Rio de Janeiro e São Paulo, cidades que sempre nos recebem com muito carinho. O saldo do ano foi muito positivo!

Recentemente o álbum ‘Adiante’ saiu em CD físico, assim como a distribuição virtual, pela Abraxas Records. A Necro tem alguma relação afetiva com o disco, o formato físico, e acreditam que é ainda um essencial cartão de visitas para conquistar espaços e público aqui no Brasil?

Nós somos entusiastas de LPs, então esse aspecto físico da música sempre nos encantou e foi importante para nós. Tivemos a oportunidade de lançar através do extinto selo Hydro-Phonic (EUA) nossos primeiros discos, e assim vimos o quanto a paixão pelo material ainda é muito viva entre as pessoas que curtem música. As estatísticas obviamente não são as mesmas da época do auge da indústria fonográfica, mas mesmo assim não podemos dizer que não existe mais procura por mídias físicas. A Abraxas lançou o “Adiante” nas plataformas de streaming, e desde então temos recebido várias mensagens perguntando sobre o CD e o LP, algumas até meio agressivas, exigindo! Haha. Ainda hoje é indispensável ter material físico, apesar da internet. A edição em CD que a Abraxas preparou ficou muito linda, e em breve também sairá a versão em LP.

Necro. Powertrio de Alagoas. Foto: Pei Fon

Falando sobre ‘Adiante’, o álbum só recebeu elogios e, quando lançado no final de 2016, foi até nome em listas de melhores do ano. O potencial é inegável, o registro fala por si. O que de legal e inusitado leram ou escutaram sobre o álbum durante o ano?

O disco teve uma recepção maravilhosa! Em geral o que se falou foi que a banda deu um passo à frente em relação ao disco anterior, e isso nos fez muito feliz, com aquela sensação de “deu certo!”. As palavras mais inusitadas vieram de textos gringos, que conseguiam identificar elementos de tropicália e africanidade nas músicas. Porém, o comentário mais estranho veio do Brasil mesmo, dizendo que nos faltam refrões e letras que grudem!

E como é gravar com o Gabriel Zander?

O Gabriel é um baita músico e produtor, com uma experiência enorme de estúdio e estrada, além de manjar tudo sobre o rock. Assim, ficou fácil pra gente gravar com ele. Foi nossa primeira vez gravando em estúdio profissional com a Necro, estávamos um pouco nervosos e receosos pelo curto tempo que tínhamos (apenas 3 dias para gravar tudo), mas o Gabriel nos deixou logo à vontade, ouvindo nossas ideias e fazendo tudo fluir bonito. Além de gravar, ele também mixou e masterizou. “Adiante” não seria o que é sem a presença do Gabriel Zander.

No começo de ano a Necro fez uma mini-turnê com o Augustine Azul no Sudeste. Como foi esse giro em termos de experiência na estrada e formação de público?

Foi a primeira tour de divulgação do disco e estávamos empolgados para apresentar o som a um público novo e também às pessoas que já nos acompanhavam. Nesta tour, contamos com a participação muito especial do Rodrigo Toscano (Psilocibina). Viajar com outra banda é sempre uma experiência especial, e assim criamos um laço de amizade bem massa com a Augustine Azul. Os pontos altos foram nossa primeira vez em Brasília e Formosa, a participação no clássico festival Aldeia Rock e o retorno a São Paulo depois de dois anos.

O que mais emperra armar shows pelo Brasil, sentem alguma dificuldade? 

As dificuldades de rodar o Brasil em geral são financeiras. Não é toda produção que pode custear as despesas de deslocamentos de uma região a outra. Mas, mesmo assim, não ficamos parados e até que rodamos bastante em 2017, passando por Sergipe, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás, Brasília e Mato Grosso, além dos shows em Maceió que fazemos ao longo de todo o ano.

Necro. Powertrio de Alagoas. Foto: Pei Fon

Como é a relação da Necro com a Abraxas? Vocês foram a primeira banda da Abraxas Records e ainda um dos principais nomes do selo. 

Nosso laço com a Abraxas é de parceria e amizade. Através dela fizemos importantes tours e shows em boa parte do país. Como selo, a Abraxas colabora ainda mais com a divulgação do nosso trabalho, espalhando a Necro via streaming e CD.

Vê a Abraxas como uma precursora na formação de uma cena contemporânea do rock psicodélico no Brasil?

O grande mérito da Abraxas é aglutinar bandas de todo o país ao redor de algo concreto. Bandas que existiam “soltas”, sem se encaixar em nenhuma cena pré-existente e isoladas por questões geográficas ou estilísticas, mas que agora tem um canal para se conectar e tocar. Falar em “cena” é sempre delicado, mas é fato que a Abraxas tem sido fundamental para a construção de um momento histórico para o rock no Brasil.

E sobre o próximo álbum, o que pode adiantar em relação à sonoridade, haverá os mesmos experimentos de ‘Adiante’, novos elementos?

Estamos no processo de composição das novas músicas. Ainda é cedo para falar como soará o álbum, mas com certeza trará coisas novas, frutos de nossos aprendizados e audições nos últimos anos. Uma pista do que está por vir é: o rock não tem predominado em nossas playlists.

As novas fotos são de autoria da editora do Rock Meeting, Pei Fon. Como foi o ensaio e o que acharam do resultado? E qual a previsão de lançamento deste álbum? Sairá novamente pela Abraxas Records?

Fizemos um ensaio maravilhoso com a Pei, que é uma das melhores fotógrafas no Brasil atualmente. Foi nosso primeiro ensaio profissional, e ainda estamos encantados com o resultado! Queremos lançar dois singles ainda nos primeiros meses de 2018 pela Abraxas, preparando terreno para uma campanha de financiamento coletivo para gravação do próximo álbum.

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