“Cru, bem pesado e intenso”

Não tão distante do nosso objetivo, fomos além mar e conhecemos o Mnemocide, banda suiça que nasceu um dia desses, mas mostra personalidade, ambição e quer conquistar o seu lugar. Aproveitando a maré, trocamos algumas palavrinhas o vocalista Matthias e você pode conferir agora mesmo.

Por Pei Fon | Foto: Banda/Divulgação

English version – Click Here

É costume que bandas novas se apresentem. Por favor, quem é Mnemocide?

Somos cinco caras que se conhecem há muitos anos de um projeto anterior. Somos bons amigos e compartilhamos o amor pela música extrema, principalmente o death metal. Com o Mnemocide nós honramos as raízes desse estilo de música: cru, bem pesado e intenso.

Para início de conversa, o que significa Mnemocide? Qual é a história por trás do  nome da banda?

Mnemocide significa: Assassinato da memória. Se você observar a história da humanidade, verá que as tragédias do passado não têm nenhum impacto profundo no comportamento futuro da nossa espécie. Isso quer dizer que apesar de termos sofrido tanto por conta de guerras e por poluir nosso planeta, continuamos a repetir a mesma merda sempre. Essa cegueira nos conduzirá, cedo ou tarde, a um obscuro e frio futuro. Onde a sociedade terá um colapso e o caos e a destruição reinarão. Esse será o resultado do chamado «assassinato da memória». Se não formos capazes de aprender com o passado, a extinção nos aguardará no futuro.

Vocês praticamente nasceram ontem. Acabaram de lançar seu primeiro EP “Debris”. Como tudo iniciou até chegarem ao seu début?

Mnemocide nasceu 2017 com o Chris (Guitarra), Richy (guitarra); Niggi (Baixo), Laurent (bateria) e eu (Matthias) nos vocais. Assim finalizamos nosso projeto anterior para focar na nossa visão de uma banda de Death Metal muito boa. Com o sentido de montar uma banda nova veio muita energia e motivação. Nesse meio tempo nós tivemos nossos primeiros shows (teremos mais a seguir) e gravamos o EP “Debris” (no estúdio Iguana com o produtor Christoph Brandes). “Debris” é nossa declaração à cena metal: Aqui estamos.

Inicialmente escutando ‘Debris’ tenho a sensação de ser ‘músicas de guerra’, caos. Soa até ‘Mad Max’. “Only Shades” me dá essa margem. A intenção é essa mesmo?

Essa é exatamente nossa intenção. Você não poderia ter nos dado um elogio maior. Então soubemos: missão cumprida. Seu sentimento está absolutamente certo. É nossa proposta criar essa imagem aos ouvintes.

Vocês são de Basel, na Suíça. O que podem falar da cena Rock/Metal? O que podemos lembrar logo de cara é de seus conterrâneos suiços Eluveitie.

Sim, Eluveitie é bem conhecido na cena. A cena de Basel cresceu bastante durante os últimos anos. Temos muitas bandas interessantes como Gurd ou Total Annihilation (Thrash). Muitas bandas especiais e únicas como Zatokrev, Schammasch, Cold Cell e especialmente Zeal and Ardour. Zeal and Ardour faz uma fusão de música gospel com black metal. A cena metal da nossa cidade vale a pena de se acompanhar. Há muitas bandas por aí!

 “Pawns” é poderosa. Um passeio com riffs pesados e um vocal cheio de ódio. Fale um pouco sobre essa música.

Pawns é uma música sobre soldados. Mas não do estilo glorioso. É uma espécie de rebanho que marcha num tabuleiro de xadrez de política internacional. Sacrificado como cânone da forragem para conquistar mais poder e influência para os que estão por trás da cortina.

“Collapse” é bem no sentido de sua palavra. Fazendo um paralelo com a atualidade, onde vocês enxergam esse colapso?

Nós podemos ver o colapso em todos os lugares. A destruição do nosso planeta está acontecendo muito depressa e muitas espécies estão próximas da extinção. A humanidade perde sua confiança nas instituições internacionais, nações, governos, globalização, ciência, religião e tudo mais. Se toda a confiança em tudo se foi, por que manter a sociedade unidade? O que sobrará? Eu acredito que será o caos, os clãs e os punhos direitos. Se não há nenhuma grande história para seguir que nos traga conforto e identidade aos homanos, o caos prevalecerá. Espere e veja…

 “Soul Collector” chama atenção já pelo nome. Sem entrar muito no som, o que vocês acreditam que seja um coletor de almas? Seria bom ou ruim?

É sobre as trevas que vivem dentro de cada um. É só uma questão de quão profundo você deve cavar para descobrir. Em certas circunstâncias, as almas de todas as pessoas podem ser infectadas. O colecionador de almas traz o ódio, desespero e a violência. Ele está dormindo em você… então não o alimente.

No texto de apresentação vocês deixam claro que querem conquistar. O que querem de fato? Estão prontos?

Claro que queremos espalhar ao mundo o nome da banda, a música e nossos conceitos. Queremos ser respeitados na cena, alcançar e influenciar muitos headbangers com nossa música. Conquistar o mundo? O tempo dirá…

Brasil. O que vocês sabem sobre a nossa cena, o nosso país? Como é transmistida a nossa imagem para vocês?

Acredito que quase todo mundo conheça o Sepultura. Outra grande banda do seu país é o Krisiun. E claro, todas as bandas com os irmãos Cavalera. Acredito que há um grande número de bandas ótimas no Brasil. Quais você recomenda?

Top 5. Dentre as suas inspirações, quais os cinco melhores lançamentos de 2018? Fale um pouco sobre cada uma.

É difícil para nós escolher apenas 5 bandas que nos influenciaram. São tantas bandas fantásticas com tanto metal oldschool e temos muitas influências. Dentre os lançamentos de 2018, destacamos:

  • Weak Aside: Forward into Darkness
  • Sulphur Aeon: The Scythe Of Cosmic Chaos
  • Crescent: The Order Of Amenti
  • Wombath: The Great Desolation
  • Bloodbath: The Arrow of Satan is Drawn
  • Judas Priest: Firepower

Por fim, o que podemos esperar de vocês para 2019? Sucesso e muito obrigada!

Teremos alguns shows na Alemanha e Suíça, então fiquem de olho na nossa página do Facebook para ver as datas: facebook.com/mnemocide.

E pretendemos voltar ao estúdio Iguana na primavera para gravar mais sons para nosso próximo lançamento, então fiquem antenados.

Muito obrigado pela entrevista e quem sabe tocaremos no Brazil algum dia… quem sabe…

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