Um bom trabalho é construído com determinação

Fotos Elisa Assmann

Marenna hoje é o grande nome do Hard Rock nacional. Seu som vem se destacando no mundo todo. O músico gaúcho demostra muita qualidade com seu Hard com grandes toques de A.O.R e mostra ser um músico que tem todas as qualidades para despontar de vez no exterior. A qualidade e o cuidado em cada detalhe de seus trabalhos é algo que chama a atenção de todos. Vamos saber de Rodrigo detalhes sobre seu destaque internacional, suas influências e seus planos para o futuro.

Por Luis Harley Caires | Fotos Elisa Assmann

 

Primeiramente obrigado Rod Marenna por dedicar seu tempo para responder essa entrevista, confesso que não sou um profundo conhecedor do AOR, mas trabalhos como o seu chamam atenção e se destacam em um mar de tantos clones. A primeira pergunta não poderia ser outra, o que te direcionou a montar um projeto com seu nome invés de um outro trabalho com a Lacross Rock?

Bom, gostaria de iniciar agradecendo o espaço e a consideração pelo meu trabalho junto ao Marenna. Houve um tempo que eu tinha desenvolvido algumas ideias de músicas dentro deste estilo mais melódico, na verdade sempre foi a minha verve,  mas faltava o norte e a coragem para lançar este material, após perceber que não conseguiria usar elas com a Lacross, resolvi investir em um ano de pesquisa e numa ideia 100% minha e com alguns diferenciais, dentre eles os cuidados com a produção, sonoridade, mercado, nicho e principalmente as participações especiais, que deram o charme final ao trabalho. Diria que o Marenna nasceu sim como projeto solo, mas de nada seria sem as parcerias que fechamos nestes três anos de trabalho, que cabe comentar, foram escolhidas a dedo.

Um dos pontos que mais me chamou atenção foi a sonoridade, muito mais moderna, mas sem abrir mão do bom gosto, sabemos que não existe fórmulas mágicas e sim talento. Poderia nos dizer quais foram suas influências musicais na hora de compor?

Minhas influências são sempre as mesmas há praticamente 25 anos que componho: David Coverdale, Ian Gillan, Glenn Hughes, Eric Martin, Jon Bon Jovi e muitos outros, mas percebi que o mercado caminhava em outra direção e, ao invés de ficar preso num ambiente por vezes defasado, eu uni o que achava de melhor da old school, com o que estava soando de melhor atualmente. Dentro do contexto de referências que agradava o meu gosto pessoal, obviamente com muita pesquisa junto aos meus dois produtores, Arthur Appel e Jonas Godoy, foi com este foco que demos a direção para a sonoridade do Marenna.

Existe uma seleta lista de músicos que trabalharam com você na gravação de “No Regrets”. Gostaria que comentasse um pouco sobre a seleção de músicos. Sendo um artista de renome na cena AOR, como você observa a sua contribuição no lançamento de novos talentos?

Sim, a premissa do Marenna sempre foi esta, desenvolver talentos, influenciar, agregar para que todos ganhem força. A seleção meio que foi ao natural, me direcionando a músicos locais que já tinha trabalhado ou que sempre quis trabalhar, e as coisas foram se encaixando, não foi fácil, mas no final deu certo, e é o que importa. Corremos todos os riscos, e correríamos de novo, o foco sempre será a boa música. Sobre minha contribuição, acho que ela é constante, sempre que posso invisto nisso, um bom trabalho é construído com muita determinação, planejamento, porém com as parcerias certas ‘corre o risco’ de ficar melhor ainda.

Gostaria que comentasse um pouco sobre a votação para tocar no Sweden Rock festival. Imagino que estar entre os dez mais votados é algo que está além da imaginação ainda mais tratando se do nosso país onde a boa música tem cada vez menos espaço na mídia

Sim, tínhamos apenas 100 dias de vida quando fomos uma das três bandas brasileiras escolhidas pelo júri técnico e logo depois ficamos entre os 25 mais votados. E lá estávamos com o Marenna disputando voto a voto, finalizando a competição em #9 no mundo. Foi surreal e recompensador! Diria que um pontapé muito positivo, tínhamos apenas uma música lançada, mas muita vontade, percebemos a partir deste ponto que o trabalho deveria prosseguir e com mais força.

Como aconteceu o contato com a Lions Pride Music, e como foi a recepção do EP “My Unconditional Faith” e do cd “No Regrets” nos mercados europeu e japonês que são grandes consumidores desse tipo de som?

A Lions Pride Music me procurou e, após algumas negociações, chegamos ao acordo final. Lançamos os dois discos com uma boa aceitação nos mercados europeu e japonês, ótimas resenhas e afins. Posso dizer que estamos satisfeitos com o retorno.

Citando um pouco mais “No Regrets”, ele me mostrou ser um álbum muito dinâmico, pois temos feeling em músicas como “Never Surrender”, e uma balada fantástica “So Different” e boas faixas como “Reason to live” e “The Price”. Se fosse apresentar esse trabalho para alguém por qual faixa começaria e por quê?

Começamos com singles, e fomos sentindo cada lançamento, pois a ideia nem era lançar álbum ou qualquer coisa do gênero, até a gravadora aparecer (risos). Após amadurecer o foco do trabalho, decidimos que lançaríamos um disco e correríamos todos os riscos, pois a ideia era justamente essa, ser dinâmico dentro do estilo, porém transitar entre os inúmeros climas que o Rock e o Melodic Rock nos possibilitam sem ficar preso a um único tipo de beat ou riff. No entanto, queremos interagir entre as músicas, criando várias possibilidades. Para apresentar esse trabalho, sem dúvida, começaria por “Never Surrender”, é uma das minhas preferidas, essa música tem muito feeling e uma carga emocional muito forte, acredito que se você entrar para dentro de cada detalhe do arranjo e sacar a mensagem da letra, você vai entender.

Outra aula de boa música é dada na faixa “Fall in Love again”, que tem parceria com os irmãos Busic do antigo DR Sin. Difícil não pensar como que tal música não ganha as rádios rock por aí. Isso gera um questionamento: Por que nosso Hard Rock e AOR é tão forte no mercado externo, mas no Brasil ainda é underground?

Foi surreal trabalhar com eles, souberam dar exatamente o que a música pedia.

Quanto ao Rock no Brasil, acho que nunca foi realmente explorado como deveria ser, acredito que por uma série de fatores, entre eles a preguiça por parte do público e dos veículos de comunicação, e amadorismos produzidos em série por muitas bandas, produtores e afins. Enfim, não sou a pessoa certa para julgar isso e o que passou, passou. Os tempos mudaram, temos a chance de escrever nossa história na página do Rock nacional a partir de agora, ou vamos ficar lamentando? Acho que o trabalho tem que ser feito com foco, buscar seu nicho e identidade, além de soar de igual para igual com o que é feito fora daqui, afinal de contas isso tudo começou lá, mas se buscarmos maturidade e vocabulário musical, temos chances reais de fazer a roda girar aqui dentro do país com o Rock. Ainda não trabalhei esta faixa como gostaria, mas em breve  será feito.

“No Regrets” ganhou um vídeo oficial que pode ser encontrado no canal no youtube. Gostaria que comentasse como foi o processo de edição e qual o feedback que tem recebido da mídia? Acredito que as redes sociais e as mídias são sempre uma ferramenta a favor das bandas.

A ideia surgiu com uma gama de material de vídeo que tínhamos dos shows da tour. Então fechamos uma parceria com a Bunker 85. Editamos ele com a ideia justamente de mostrar um pouco da nossa rotina nos shows para criar uma empatia com as pessoas com a nossa energia, provocando-as para virem nos nossos shows (risos). Acho que funcionou, muita gente compartilhou e deu um feedback muito positivo, tiveram alguns portais que compartilharam por conta própria o vídeo atingindo mais de 40mil views em poucos dias, eu acho que as mídias sociais são o caminho do futuro, basta saber usá-las.

Como nasce uma composição do projeto Marenna? Sendo uma banda com seu sobrenome, cria a ideia de algo mais centralizado em um único musico, mas é só olhar a ficha técnica que vemos a parceria de vários músicos. Então, gostaria que comentasse um pouco mais desse processo criativo.

Sim, o projeto é centralizado em mim. Por ser solo, eu defino desde o princípio a sequência das composições, inicio com todas as melodias e ideias de arranjos criando o primeiro esboço de cada música, após isso, defino as referências, e possíveis participações especiais, juntamente com meus dois produtores, Jonas Godoy e Arthur Appel. A partir disto, gravamos as linhas e direcionamos parte das músicas para a banda fixa gravar e logo após distribuímos as participações especiais.

Tendo um feedback tão positivo, já existem planos para o sucessor de “No Regrets”?  Como você avalia tal trabalho, tanto em produção como em mixagem?

Sim, já existem planos para novos lançamentos, o próximo será em breve, e vocês logo terão acesso a ele. Para 2018, buscaremos consolidar nossa marca cada vez mais e novos lançamentos também. Avalio o “No Regrets”, como um divisor de águas, acredito que sempre podemos nos reinventar e buscarmos renovação.

Segue o espaço para deixar um recado para os nossos leitores e, se possível, divulgar os próximos shows e lançamentos. Obrigado pela entrevista.

Primeiramente muito obrigado a todos que nos apoiam: veículos, jornalistas, fãs, amigos, patrocinadores, nossa assessoria de imprensa, familiares. Sei que é difícil acertar sempre, mas estamos na batalha e contamos cada vez mais com vocês, nos vemos em São Paulo, em março de 2018. Faremos nosso show de lançamento, sigam a página e fiquem por dentro do que virá a seguir.

 

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