“Rock no Brasil é muito difícil”

Foto: Banda/Divulgação

Com as atividades iniciadas no começo da década de 8o, o Lobotomia é um dos percursores do Crossover no Brasil. Seu primeiro disco auto intitulado marcou época e é, até hoje, lembrado como um dos clássicos do Underground nacional. Mas além disso, a banda lançou ótimos cds e se mantém na ativa até hoje. Vamos saber do batera Paulo Grego como andam as coisas com a banda e também um pouco mais sobre a sua trajetória e planos do Lobotomia.

 Por Raphael Arizio | Foto Banda/Divulgação

 O último disco da banda, “Desastre”, foi lançado em 2016. Como foi a repercussão desse lançamento? Supriu as expectativas da banda?

A repercussão foi das melhores, muitas críticas boas em relação ao álbum.

A banda demorou sete anos para lançar “Desastre”, quais as dificuldades enfrentadas durante esses anos para que houvesse esse hiato?

O principal empecilho foi a troca de integrantes, porque acaba atrasando um pouco o trabalho da banda e a crise econômica que vivemos.

Em 2017, a banda realizou uma elogiada apresentação no festival Roça n Roll. Como foi para vocês tocarem nesse festival? E qual a resposta que tiveram dessa apresentação?

Foi muito bom, mesmo sendo um fest mais metal. Mas não nos importamos em trocar com outros estilos, pois o nosso som também é bem diversificado, agranda aos público roqueiro. No entanto, a galera que esteve presente curtiu bastante o nosso som.

Por ser uma banda de Hardcore/Crossover, têm letras bem ácidas sobre a situação do nosso país e as mazelas que parecem nunca ter fim. Podemos assim dizer que esses problemas enfrentados nos últimos anos será usado pela banda em um futuro lançamento?

 Parece que nada muda neste país, alguma letra tem mais de trinta anos, mas          o contexto é o mesmo.

A banda vai tocar em novembro no festival “Capial Fest”, quais sãos as expectativas para esse show?

Estamos ansiosos pelo fest e outras bandas muito boas irão tocar como Test, Os Capial, entre outras.

Nos últimos anos o Lobotomia tem feito diversas tours internacionais. Como tem sido a recepção da banda em terras estrangeiras? E como o público gringo reage as letras cantadas em português?

O Lobotomia é bem recebido no estrangeiro, tocamos em muitos festivais como, Puntala, na Finlândia, Vive Le punk em Calac (França), Play fast or Dont na República Tcheca. E o povo curte as músicas cantadas mesmo em português e as vezes você ouve alguém cantando junto (risos).

Quando iniciou as atividades em 1984, o que depois se chamaria de Crossover, a banda percebeu que estava ajudando a criar algo único? E como é feita essa mistura de Punk/Hardcore com Metal?

Não imaginávamos nada, só queríamos tocar e dizer sobre como a humanidade estava se degenerando. E quando começamos a tocar muitos punks chamavam a gente de metal, pra você ver como eram as coisas nos anos 80.

O clássico disco “Nada é como Parece” foi lançado pela lendária gravadora Cogumelo em 89, época que o cenário nacional estava em alta. Quais são as melhores lembranças da banda dessa época e como foi trabalhar com a cogumelo?

Foi do caralho esta gravação. Passamos uma semana em Belo Horizonte. Realmente os anos 80 foi sensacional diferente dos 90, mas mesmo assim ainda era difícil fazer uma banda alternativa no Brasil porque não tínhamos como divulgar, a internet não existia ainda e tudo foi feito pelos integrantes da banda praticamente.

A banda sofreu diversas mudanças de formação ao longo da sua história e somente o baterista Grego esteve em todas as formações Quais são as dificuldades de ter uma formação estável?

Manter uma banda de rock no Brasil é muito difícil, com tantas crises no país, muito desemprego, a primeira coisa que as pessoas deixam de fazer é se divertir, ir em shows. Com a grana curta, as artes são as primeiras a sentir a recessão.

Espaço para considerações finais e agradecimentos

Agradecemos pelo espaço para divulgar a banda e continuamos firme. Em 2018 pretendemos fazer outra tour pela Europa. Agradeço a todos. Força e Saúde.

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