Tem muito suor dos quatro nessa banda

Foto – Video Beelzebub

Tem muito suor dos quatro nessa banda

A volta dos que não foram. Cai até bem no contexto, mas o que falar da volta do Jackdevil? É de concordar que seria difícil ver outras caras nesse quarteto maranhense. Pois bem, pra quê mexer em time que está ganhando? O retorno de dois integrantes recolocou a banda de São Luís de volta ao circuito Metal e já chegaram com música nova e propostas para o futuro. Um salve galera. É metal do Nordeste. Confira o que Ric Mukura falou para nós.

Por Pei Fon | Foto Banda/Divulgação

Primeiro de tudo galera. O que fez o Andre Nadler e Filipe Stress voltarem?

Primeiramente, gostaria de agradecer pelo apoio, pela divulgação e o espaço cedido aqui! Quanto a pergunta, eu diria que foi uma soma de fatores. Nos perdoamos por algumas mágoas passadas, passou-se um tempo para ajudar a organizar questões pessoais, bateu a saudade… Nós quatro vivemos e lutamos pelo Jackdevil por anos, de maneira ininterrupta. Tem muito suor dos quatro nessa banda. Sempre tivemos uma ligação muito firme; hoje vejo que esse retorno era natural e inevitável.

No retorno vocês falam de uma ‘missão a cumprir’. Que missão é essa?

A missão de continuar lutando pelo metal, manter o grito de resistência, levar pra frente a música que nós amamos. Não deixar a chama apagar!

 

Música nova no pedaço, podemos presumir que virá o terceiro álbum. O que pode nos adiantar sobre?

 

Com certeza. O lançamento do disco está previsto para o primeiro semestre de 2019, e o que posso adiantar é que ele vem mais rápido, mais agressivo, mais maduro. Mantemos nossas influências do Thrash old-school, do Heavy Metal oitentista e do Speed Metal. Acima de tudo, como acho que o single demonstra bem, o Jackdevil se mantém como Jackdevil, não fugimos de nossas raízes.

“Metal Madness” está disponível para a audição. Como tem sido a resposta do público com esse novo play?

Extremamente positiva, felizmente, o que nos mantém com uma expectativa muito boa para o próximo álbum. Acho que conseguimos manter a essência do nosso som, mas com uma boa evolução, sem se estagnar. Isso faz com que quem gosta do estilo da banda goste do material novo – ainda é o tipo de coisa que esperam ouvir da gente, mas sem ser apenas mais do mesmo; sem ser um “cover do Jackdevil”, por assim dizer. Também vimos uma resposta muito positiva sobre a qualidade da gravação, trabalho da Atom Music Lair, parceria do Filipe Stress com Chris Wiesen. O Filipe já produzia nossos materiais desde o Evil Strikes Again, o que facilita muito na hora de chegar ao som que queremos.

 

Vocês pegaram o povo de surpresa, o que vocês leram por aí? Foi divertido, ficaram espantados, impressionados com algo?

Pessoalmente, fiquei feliz que

 

a resposta foi tão positiva como tem sido. Particularmente, aprecio muito os memes que vi de “eu quando ouço que o Jackdevil voltou com a formação original” hahaha.

 

Diante do atual cenário brasileiro de caos político e econômico, o que vocês têm a dizer sobre? E esses ataques ao Nordeste, como enxergam esses atos de xenofobia até mesmo de gente da própria cena?

Acho uma lástima. Ver um candidato fascistóide não me surpreende, mas é uma pena ver tanta gente do nosso meio se aliando a esses ideais. Ver minorias idolatrando um ser que diz que “as minorias têm que se curvar às maiorias”… Enfim, o povo nordestino historicamente sempre viveu debaixo de uma opressão muito forte, mas ainda assim encontra espaço para sorrir e mostrar o seu valor. Os xenófobos estão mostrando a verdadeira face. Quando eventualmente esse momento atual passar, o que foi dito continuará como uma mancha na vida deles. Isso só nos motiva a nos mantermos firmes e de cabeças erguidas, a lembrar do caminho que trilhamos até aqui. Nós sempre lutamos muito para conquistar nosso espaço numa cena cujo eixo está, essencialmente, no Sul e Sudeste; não é um punhado de acéfalos que vai nos desestimular de seguir em frente e manter a luta.

 ‘O grito de resistência’ de vocês surge até nesse momento mais complicado que vivenciamos. O fã da música pesada pode soar antagônico para aquilo que sempre pregou, mas que agora, nessa eleição, se mostra o contrário?

Não acho que seja obrigação de ninguém se tornar militante ou se envolver com política de alguma forma direta simplesmente por curtir som pesado, mas de fato existe uma veia ideológica muito forte no gênero, e quem escuta deveria no mínimo estar ciente disso. O ser humano é um animal político. O grito de resistência do Heavy Metal é um ato político. Não fazemos esse tipo de música em busca de dinheiro; se fosse o caso, eu estaria tocando sertanejo universitário ou algum outro estilo mais vendável para as massas. Direta ou indiretamente, é através do metal que nós nos expressamos. Por mais que um indivíduo discorde do posicionamento dele, reclamar que o Roger Waters faça uma manifestação política no meio do show é, para não usar outros termos, incoerente. Vejo outro grande exemplo de incoerência quando alguém que escuta som extremo, se proclama inimigo do cristianismo, mas vota em um candidato que se diz contra o estado laico e a favor do Brasil como um Estado cristão. Nunca apoiaremos um candidato que almeja impor sua religião acima dos nossos direitos. Isso é uma mensagem muito fácil de se encontrar entre quase todos os artistas do nosso segmento.

Voltando para a banda. Quais os planos para esse restinho de 2018?

Temos algumas datas fechadas para novembro, em São Luís, Teresina e Paraíba, marcando a volta da formação original aos palcos. De resto, é continuar trabalhando no disco novo, que atualmente está em fase de pré-produção.

E já pensando em 2019, pode vir uma turnê, algo em especial como dvd?

Certamente! O plano é lançar o álbum no primeiro semestre e então sair em turnê. Estamos acertando os detalhes ainda, mas quando tivermos datas mais concretas anunciaremos. Nenhum plano atualmente para um DVD, mas é algo que temos interesse sim de produzir.

Muito obrigada sempre. Fica aqui o espaço livre para as considerações finais. Sucesso!

Obrigado novamente pelo apoio, esse trabalho é essencial para o fortalecimento da cena como um todo. Gostaria de agradecer também a todos que vem nos acompanhando, e pedir para que fiquem de olho nas nossas redes sociais que em breve lançaremos mais notícias a respeito do disco e da próxima turnê. Abração a todo mundo!

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