“O Thrash foi nosso começo”

 

Hell’s Punch pode ser o que chamamos de Dream Team. Um time dos sonhos, pois temos integrantes de bandas lendárias de Minas, como por exemplo Sextrash e Overdose. Grupos que fizeram história no Metal mundial. Com essa união de talentos o grupo lançou seu primeiro disco “Burn It Down” e vem chamando atenção com seu Thrash Metal misturado com muito Hardcore. Conversei com Sérgio Ferreira, vocalo e guitarra, para saber dele os detalhes de criação e os planos para o futuro do Hell’s.

Por Raphael Arizio | Fotos Iana Domingos

 A banda lançou seu primeiro disco, intitulado “Burn It Down”. Como tem sido a repercussão desse lançamento?

Cara, tem sido muito legal, intenso! Já no ano que foi lançado já apareceu nas listas de melhores CD’s do ano. O que para uma banda desconhecida é uma grande honra! Estamos felizes demais, pois até fora do país tem uma galera já falando da gente. Obviamente tem muito a ver com meus contatos das épocas de Tournes com o Overdose. Mas os comentários são tão legais que só nos deixam felizes, os reviews têm sido incríveis!

É verdade que no início o Hell’s era uma banda cover do Slayer? De onde surgiu a ideia de começar a compor suas próprias músicas?

Mais ou menos (risos). Começamos para fazer jams de Metallica, Slayer, Alice in Chains e etc, só entre amigos. Aí um promotor perguntou se a gente não queria ser o Slayer em um Big 4 Cover. Achamos du caralho! SLAYERRRRR! Aí começamos a ensaiar mais e a resposta do povo aos shows foi foda. Então chegamos a conclusão que tínhamos que compor, pois a banda tinha uma energia boa demais e a resposta era agressiva! Mandamos ver…

O som da banda é uma mescla do puro Thrash Metal com Hardcore. De onde vêm essas influências de hardcore? O fato do irmão de Sérgio ter tocado no lendário Atack Epiléptico tem a ver com isso?

Cara, eu sou um pouco mais fã de HC na minha essência pessoal. A postura HC, questões usuais do HC como o vegetarianismo, som direto e de rua, atitude mais consciente em relação a questões sociais, alguma fé em algo superior e sem preconceitos, irmandade. Tudo a ver comigo, mas por outro lado, o Thrash foi nosso começo e ainda andamos muito por aí. Na verdade, não sou irmão de sangue do Nado, mas me considero irmão dele, irmão que escolhi e acho o Atack fodastico! Letras fodas, atitude, caos sonoro. Fiz o último show da vida do Nado tocando guita rra para o Atack, abrindo para o Terveet Kadet e foi uma honra inenarrável! Acho que é por aí a mistura de HC e Thrash… Dois estilos diretos, pesado e urbanos.

O disco foi praticamente gravado no estúdio HC, de propriedade do próprio Sérgio, com alguns vocais sendo gravados no estúdio da banda Eminence. Como foi a experiência de gravar a própria banda? E por que decidiram não chamar nenhum produtor de fora para esse disco?

Na verdade a gente foi compondo e gravando. Saiu assim, saca! A gente não queria nada rebuscado, era para fazer um som de garagem, rápido e pesado. Não chamamos ninguém meio que por isso. Temos também bastante experiência de estúdio, então não foi complicado. Espero que tenha gostado da qualidade do som. Estudei demais para isso, ainda estudo. Além do CD, eu também, junto com o Wesley, nosso baixista, fazemos nossos vídeos também. Gostamos demais disso, cara! Estudo demais som e vídeo.

Como foi para você decidir ser o vocalista da banda? Em vista que era conhecido em toda a cena como guitarrista do lendário Overdose. Como foi a adaptação de tocar e cantar ao mesmo tempo?

Sempre fiz backing no Over, nas tours americanas eu cantava a musica “Who’s Guilty” do Over ao vivo, Bozo me dava essa canja. Sempre gostei de cantar. Quando fui fazer o primeiro ensaio foi foda, meu irmão Rodrigo, na época na banda, cantava mil vezes mais legal que eu, fiquei frustrado por não saber colocar a voz. Mas quando quero algo vou atrás e meti as caras. Fiz um ano de aula com a professora Julie Amaral, daqui de BH, e ela é fera demais. Tocar é cantar é foda! Ainda mais bases mais complexas, mas com o tempo aprende-se a desvincular voz e guitarra. O que mais me deixa feliz é que, invariavelmente nas críticas do CD, sempre colocam o vocal como o ponto alto, só fico feliz com isso. Me dediquei e acho que me esforcei para isso, mas sei que tenho que estudar e continuar a berrar para melhorar mais e mais.

O disco conta com dois covers: “Ato Facultativo” da banda de HxCx Extremo, Atack Epiléptico e “Filhos do Mundo” da banda Overdose.  De onde surgiu a ideia de gravar essas versões para o disco?

Homenagens! O CD é dedicado ao Nado que é meu brother e o perdemos pouco antes do CD ser lançado. Têm duas letras dele também que adaptei para inglês – Customized Fetus e Freedom is Betting in a Slow Death. E o Overdose é a banda da minha vida. Fizemos coisas maravilhosas juntos e queria homenagear. Deixar marcado para sempre. Meus irmãos, minha vida representada aí.

O disco de estreia foi lançado pela gravadora mineira Cogumelo, já lendária no Metal pelo lançamento de dezenas de clássicos mundiais do estilo. Como a banda chegou até a Cogumelo, e como avaliam o trabalho que foi feito até agora?

Cara, tinha que ser, o João é uma lenda do Metal e um amigo. A Cogumelo é lendária e fiz questão disso, temos um passado de amizade e parceria juntos e o João e a Pat compraram o projeto. O que estamos fazendo é o que podemos fazer, saca? O Brasil está em crise e o metal também, então fazemos mesmo por amor ao som, faço isso desde os 12 anos, então lá se vão 33 anos e vou continuar até não poder mais. Por amor ao som, meu velho! Tá tudo foda, não posso reclamar!

A banda é formada por alguns integrantes de bandas lendárias de Minas, como Overdose e Sextrash.  O que podem falar sobre a cena de Minas nos anos 80/90? E como pode ter surgido tantas bandas de Metal vindas de somente um estado?

Cara, foi uma época sem igual. SEM IGUAL! Não sei como surgiu tanta banda legal, cara. BH foi sem igual, com todo respeito a SP, RJ e etc, mas aqui era algo surreal. A Cogumelo tem muito a ver com isso, ela impulsionou algo que estava adormecido, colocou fogo mesmo! A cena aqui é foda! Foda só isso!

Ano passado tivemos a volta do Overdose após anos parados. O que isso muda nos planos do Hell’s Punch? Podemos esperar shows conjuntos das bandas?

Poxa, foi lindo voltar a tocar com o Over. Voltamos na hora certa, eu acho. A energia estava lá na hora certa. Não muda nada para o Hells não, acho que até ajuda muito. O Over é a banda do meu coração e o Hells da minha mente. Penso assim. Já tivemos participações especiais de parte o Over no show do Hells, mas ainda não fizemos um show juntos, porém em 2018 vai rolar!

Espaço para considerações finais e agradecimentos

Rock Meeting, obrigado pelo espaço, de coração. Obrigado pelo apoio, sei o quanto é duro manter-nos forte trabalhando com Metal e HC. “TAMUJUNTO”. Valeu!

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