30 anos de carreira

Genocidio. Foto: Aivan Moura

Uma das bandas mais tradicionais da cena paulistana, o Genocídio, completa 30 anos de carreira e estão mais potentes do que nunca! “Under Heaven None”, seu mais recente trabalho, traz uma banda coesa e que sabe muito bem pra onde vai, um deleite para nossos ouvidos. Batemos um papo com o guitarrista Rafael Orsi e com o vocalista/guitarrista Murillo Leite falando um pouco do novo álbum, um pouco dos 30 anos e você confere agora essa entrevista exclusiva!

Por Edi Fortini | Foto: Aivan Moura

Olá, pessoal! É muito legal fazer essa entrevista com vocês nesse momento comemorativo de 30 anos da banda. Uau! É muita estrada! Vocês devem ter ótimas histórias pra compartilhar por esse caminho… vamos lá. 🙂

Como é fazer 30 anos de estrada? Qual a sensação? Vocês hoje se sentem satisfeitos com o resultado desses 30 anos?

Murillo Leite: A sensação é indescritível, todo mundo sabe como é difícil manter uma banda de metal no Brasil ativa por tanto tempo e o mais desafiador, gravando material inédito e fazendo shows. A gente faz isso porque a gente realmente ama o que toca, nunca precisamos nos adequar a qualquer moda ou tendência. Estamos satisfeitos sim com essa longevidade, prova é o disco que lançamos este ano, um apanhado sonoro de nossa trajetória e ainda com a inserção de elementos que de certa forma surpreende quem ouve Under Heaven None. Portanto, se tivermos saúde, disponibilidade e principalmente, a paixão, o fogo de produzir metal a gente estará levando o Genocídio a quem sabe para os seus quarenta anos, né? (risos)

Há muita coisa que vocês gostariam de ter feito diferente nessa história? Podem citar algumas?

ML: Muita não diria, fizemos bastante coisa nesses já 31 anos de estrada, e somos muito realizados afinal, para uma banda que nasceu na Zona Leste de São Paulo com instrumentos e técnica limitados, nos propusemos a nos superar ano a ano e creio que conseguimos! Gravamos discos da forma que concebemos, sem interferência de gravadora ou produtor, integridade é fundamental para nós. Talvez tocar fora seria um dos itens em branco desse checklist de realizações, mas em geral ao olharmos para trás vemos uma carreira bem resolvida.

O que basicamente mudou na indústria da música? Hoje temos mais acesso a boas gravações, mas ainda vemos muita dificuldade de bandas se inserirem no mercado. Como vocês lidam com essa retrospectiva?

ML: Pegamos desde a época do vinil, a pressão para que o disco vendesse para cobrir os custos de produção até a fase do download. Na verdade, é o que eu repetidamente falo, as bandas e os músicos de metal evoluíram muito mais que a infra ao seu redor, sejam locais para tocar ou empresários que saibam vender o produto para uma massa maior de pessoas, o que impossibilita uma maior penetração das bandas no mercado.

Como tem sido a divulgação do novo cd?

ML: Diferentemente do álbum anterior, In Love With Hatred, onde logo que o disco saiu já começamos a fazer shows, desta vez isto foi sendo possível por uma série de razões, então direcionamos nossa divulgação para a internet, fizemos um Official Track de “Requiescat In Pace”, um Lyric Video para a faixa título “Under Heaven None”. Na sequência iremos soltar um vídeo para o cover do Sarcófago “Black Vomit” e tocar em festivais como o Maniacs Metal Meeting no sul do Brasil.

Vocês fizeram uma divulgação diferente para esse novo cd, postando depoimentos de vários músicos sobre as músicas novas. Como surgiu essa ideia?

Rafael Orsi: Nós queríamos bolar algo para mostrar nossa ligação com essas bandas, muitas estiveram no palco conosco e temos orgulho de dividir nossa história com eles.

E a participação no tributo brasileiro ao Mötorhead, Going to Brazil? Como rolou? Vocês chegaram a falar com as outras bandas do tributo?

RO: Foi muito divertido produzir essa música! Eu e o João tocamos algumas vezes, e notamos que ela ficava melhor quando não tocávamos com metrônomo, então gravamos a bateria e a guitarra base ao vivo sem nenhum tipo de guia, apenas no feeling! No melhor estilo Mötorhead. Depois gravamos o resto dos instrumentos. Uma curiosidade sobre a gravação é que não pensamos em fazer dois tons de vozes juntas durante a música, mas durante a gravação notei que ficava muito bom, e a versão original é assim, então o Murillo dobrou a música toda.

Um dos destaques do novo álbum é a cover Sarcófago, “Black Vomit”. Como rolou isso? Como foi a escolha?

RO: Foi uma ideia do João, e todos acataram, pois curtimos muito o trabalho do Sarcófago. Há umas mudanças mínimas no instrumental apenas para levar a música mais para o Death Metal que curtimos.

O Genoca tratou de diversas influências durante todos esses anos. Death, Gothic Rock, HC, vários estilos abordados dentro do trabalho de vocês. Como foi conseguir encaixar tantas influências sem perder o estilo?

RO: Uma particularidade deste álbum é que ao invés de trazermos outros estilos para diluir no nosso som, trabalhamos mais nas estruturas das músicas, usando escalas diferentes, explorando mais dissonâncias, e estruturas de tempo diferentes do que a banda fez ao longo da carreira. Eu ouvi boa parte do material antigo (de antes da minha entrada na banda) antes da composição, para ter certeza de que boa parte desse álbum não tivesse nada parecido.

A atual formação já está presente há alguns anos. Isso facilita o processo entre vocês? Como é a rotina do Genocídio fora das gravações? Vocês ensaiam com frequência? Como é manter a rotina com todos os compromissos e trabalhos dos músicos?

RO: O processo de composição foi bem tranquilo, gravamos nossas ideias e fomos trocando pela internet, o Murillo organizou as letras e as detalhou, depois juntamos tudo e ajustamos as estruturas das músicas. Com a parte “macro” decidida, fomos ao estúdio ensaiar e fazer ajustes nos arranjos de cada instrumento e foi quando fechamos definitivamente a pré-produção. Com tudo decidido eu assumi a produção e começamos a captação da bateria no estúdio Big Rec aqui de Osasco. O João teve pouco tempo para ensaiar, mas gravamos boa parte das músicas nos primeiros takes. Todas as cordas e vozes foram gravadas em meu home estúdio e foi um processo bem tranquilo também. Os solos foram decididos na última hora do processo, pois eu queria algo mais espontâneo e eu gosto de trabalhar sob pressão. Os vocais já estavam definidos, mas não as dobras, e fizemos isso no final também, de acordo com o que eu e o Murillo sentíamos na hora da gravação. A mixagem e a masterização foram feitas em 2 meses. Toda a logística de gravação ficou em minhas mãos, como produtor, toda a agenda foi ajustada semanas antes, e não tivemos problemas com atrasos. Todos foram bem comprometidos com o processo e foi muito gratificante produzir tudo.

Quais são os planos para o futuro do Genocídio? O que falta ainda pra vocês realizarem na carreira de vocês?

ML: Divulgar Under Heaven None em todo o lugar possível e quem sabe fazer mais um disco, nessa fase o passo a passo é primordial. (risos)

Deixem uma mensagem para os fãs. 🙂

RO: Obrigado pelo apoio sempre! É comprando nosso material que vocês mantem a banda ativa e apaixonada pelo DEATH METAL!

ML: Obrigado Edi e à Rock Meeting pelo espaço ao Genocídio, nos vemos na estrada!

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