“Soar mais agressivos e brutais”

Forceps é mais uma banda que mostra a força do metal extremo nacional. Os cariocas acabaram de lançar seu primeiro disco, “Mastering Extinction”, e vão partir para uma grande turnê americana neste mês. Com certeza, o caminho para ser mais uma banda brasileira com grande destaque no exterior será bem pavimentado. Vamos saber do vocalist Doug Murdoch sobre as expectativas do seu début e curiosodades sobre a banda, como por exemplo o fatídico show ao lado da lenda Cannibal Corpse.

Por Raphael Arizio | Foto: Banda/Divulgação

 

A banda acabou de lançar seu disco “Mastering Extinction”, quais são as expectativas para esse lançamento?

Esperamos que ele alcance fãs de Death Metal mundo afora, muito além do que o  seu antecessor, “Humanicide”. Esperamos também poder ter a oportunidade de tocar para esses fãs ao vivo algum dia.

Foi lançado antes do disco um vídeo para a faixa “Atrocities”. Por que essa faixa foi a escolhida e como tem sido a repercussão desse lançamento? Para vocês qual a importância de  lançar vídeos hoje em dia?

A faixa “Atrocities” foi escolhida basicamente por ser a primeira do álbum, mas também por ter um riff de entrada marcante e por resumir bem as influências do álbum inteiro. A primeira música liberada foi o lyric video da “Transdifferentiated Nano-Cells”. Foi escolhida por ter as mesmas características da “Atrocities”, porém mais “porrada” e de cara já mostra pra que veio. Para uma primeira mostra do álbum, achamos que ela foi perfeita. Já o clipe foi feito sem muitos investimentos, simplesmente a banda tocando no estúdio, com o objetivo de mostrar outra música do álbum novo e principalmente que a banda estava de volta, com formação nova e com força total para o lançamento do novo material. Vídeo é essencial pra mostrar a “cara” da sua banda para as pessoas que não tem a oportunidade de ir aos shows e que querem conhecer a banda. Estamos finalizando agora um novo clipe, da faixa-título do álbum, esse sim com suporte, investimento e feito com mais tempo e cuidado. Esperamos que ele impulsione bem a visibilidade do novo trabalho e da tour.

O último lançamento da banda tinha sido o E.P “Humanicide, lançado em 2012. Por que houve essa demora de um lançamento para o outro? Quais as maiores dificuldades enfrentadas por uma banda de Metal Extremo no Brasil?

Nós passamos por uma mudança muito grande na formação durante as gravações. Com a saída do Fernando e do Raphael, devido a diferenças criativas, isso influenciou muito na demora, já que não sabíamos se iriamos lançar o material como estava até ali e, principalmente, por não ser trivial encontrar músicos com as habilidades e disponibilidade necessárias para tocar no Forceps. Não sabíamos se a banda iria continuar ou não. Acabamos recebendo uma resposta muito positiva durante o anúncio da seleção de novos integrantes e demos muita sorte em encontrar o Thiago e o Bruno, músicos exímios, que encaixaram perfeitamente e deram nova vida pra seguir em frente. Essa foi a quinta mudança de formação nesses 11 anos de história do Forceps. Foram muitos altos e baixos, por diversos motivos. Acredito que manter uma consistência é a maior dificuldade, infelizmente ninguém sobrevive só de banda no underground brasileiro, nem aquelas que muitos consideram não ser underground, mas ainda não ganham a vida assim, no entanto poderiam, como acontece lá fora.  A realidade é que todos temos nossos trabalhos paralelos para manter a roda girando, a vida leva para caminhos diferentes muitas vezes, e no final é tudo por amor mesmo, então esses altos e baixos acabam sendo muito suscetíveis infelizmente. Mas eu sinto que se o público se interessar mais por bandas locais, se os shows aumentarem no underground, é possível sim ter uma cena cada vez mais efervescente onde todos possam focar 100% do seu tempo no seu som.

 

No dia 7 de setembro a banda participou do Brutal Holiday festival, evento em qual o disco foi lançado. Originalmente teria a banda americana Suffocation com headliner, mas mesmo com todos os problemas resolveram seguir em frente e realizar o show somente com as bandas locais. Qual o saldo após isso tudo a banda tira? Como foi repercutido o show de lançamento perante os bangers cariocas?

Foi um sucesso e a repercussão não poderia ter sido melhor. Acredito que o fato de termos a coragem de mater o evento, mesmo com todas as circunstâncias, cancelamento do Suffocation, uma semana apenas pra divulgar o novo evento, sem outro local disponível a não ser o próprio Teatro Odisseia, sem saber se conseguiríamos pagar por tudo isso e lançar o CD ou não, tudo isso colaborou para o público se mobilizar e ajudar na divulgação. Os fãs e amigos se solidarizaram, chamaram e divulgaram bastante o evento, no final, tudo valeu a pena e o evento foi um sucesso! Ficamos muito felizes com o resultado e deu um gás a mais para a tour internacional que nos espera mês que vem.

O disco foi lançado por três gravadoras/selos nacionais e um internacional. Como foi para a banda essa negociação e escolha dos parceiros, e ainda mais conseguir uma parceria internacional?

Com relação a gravadora norte-americana (Sevared Records), a história começa lá atrás com o EP “Humanicide”, que também foi lançado por uma gravadora norte-americana chamada Ossuary Industries, em 2012. De lá pra cá, o nome da banda lá fora cresceu e fomos indicados para a Sevared por amigos e contatos em comum. Quando enviamos a master do novo material para alguns dos nossos contatos, recebemos a resposta deles comentando sobre a indicação e que haviam adorado o som novo.  Logo em seguida, enviaram uma proposta de trabalho para o lançamento lá. Coincidentemente, mais ou menos na mesma época, quando começamos a mandar o material para as gravadoras, chegou aos ouvidos do Alex Chagas da Black Legion, ele entrou em contato conosco e fez uma proposta de lançamento nacional e trouxe mais dois parceiros para a distribuição nacional, a Extreme Sound Records e a Horde of Demons.

Em outubro, a banda parte para sua primeira tour americana, com diversas datas já marcadas. Qual a expectativa de vocês em tocar em um país com uma cena underground extrema tão forte? Tem algum sabor a mais por ser o país de onde surgiu o Death Metal e ter tido uma cena como por exemplo a da Flórida com diversos nomes seminais do estilo?

Sem dúvida! Se há uma unanimidade na banda, com certeza é a influência inegável de bandas como Death, Morbid Angel, Atheist, Deicide além de várias outras da região da Flórida. É inacreditável que vamos estar tocando na terra onde praticamente nasceu e floresceu o estilo, além de ser o lugar do lendário estúdio Morrisound onde foi gravado vários discos clássicos do Cannibal Corpse, Cynic, e dois dos maiores clássicos nacionais, “Beneath the Remains” e  “Arise” do Sepultura. Por tudo isso, que tanto nos influenciou e nos influencia até hoje, a expectativa não poderia ser maior. Não estamos com a pretensão de lotar casas na nossa primeira tour, apenas de realizá-la e ter a possibilidade de espalhar nosso trabalho para mais pessoas e principalmente onde tudo começou, já é uma total realização para nós.

É comentado pela galera, que puderam ver a banda ao vivo, a grande técnica dos músicos, que não deixa a brutalidade de lado em nenhum momento. Como a banda consegue aliar a brutalidade, mas sem deixar de ser cada vez mais técnicos, sem soar chato ou pretensioso demais?

É tudo sentimento. A brutalidade é a palavra que define o sentimento que nos representa dentro do Death Metal. Ela pode ser representada de várias formas na música, nas letras, no tema, na mensagem. É a brutalidade que nos faz percorrer por caminhos mais técnicos nos nossos instrumentos. Não existe nem espaço para pensar em “soar chato”, nós apenas pensamos em soar mais e mais agressivos e brutais.

Um dos fatos que chama atenção na história na banda foi a abertura do show do Cannibal Corpse, no Circo Voador. Episódio marcado por diversas bombas jogadas no local, devido as manifestações acontecidas na época. Como foi para vocês esse episódio incomum?

Acho que único é uma palavra que resume bem. Talvez um dia, a gente possa abrir um show novamente pro Cannibal Corpse. No Circo Voador podemos tocar novamente, inclusive já tocamos depois desse show na abertura para o Napalm Death, em 2014. Mas tocar naquelas circunstâncias, no dia dos maiores protestos de rua da história do país, vendo a invasão de pessoas de fora que fugiam da truculência policial. Vendo o Circo abrir suas portas pra acolher as pessoas que estavam chegando pra curtir o show e foram surpreendidas por aquilo. Vendo bombas sendo jogadas nos arredores do Circo e o público correndo desesperado sem saber pra onde ir, isso tudo no meio do show. E o gás subindo na cara e mesmo assim a gente tocando até finalizar a música. Tudo rolando ao mesmo tempo, e ainda voltamos ao palco pra terminar o show ainda sob os efeitos de muito gás. Acho que isso nunca mais vai acontecer!

O Rio historicamente sempre revelou ótimas bandas de Metal Extremo ao longo dos anos. Com quais bandas cariocas gostariam de tocar e quais destacariam? E o que poderiam falar sobre a cena carioca?

Podemos destacar várias! Sem sombra de dúvida, o Rio vive hoje uma cena  de metal extremo aquecida, muitas bandas permanecem ativas, além de estar rolando cada vez mais shows na cidade. Dentre várias vertentes podemos destacar o Lacerated and Carbonized, Gutted Souls, Dark Tower, Velho, Poems Death, Coldblood, Brutal Desire, Ágona, Reckoning Hour, Born2Bleed, Vociferatus, Hatefulmurder, Siriun, entre outras.

Espaço para considerações finais e agradecimentos.

Primeiro quero agradecer a Rock Meeting pelo convite e interesse na história da banda e por estar divulgando o nosso trabalho. E, não menos importante, a todos os nossos fãs e todas as pessoas que apoiaram, contribuíram e acreditaram no Forceps durante todo esse tempo, mais uma vez, muito obrigado!

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