Tudo tem seu tempo

Eve Desire pode ser considerada um fenômeno. Já foram considerados umas das melhores bandas cover de Nightwish do Brasil, se arriscaram com material autoral e conseguiram mais de 4 mil visualizações em seu primeiro material próprio e em um único dia, além de chamar atenção do músico e produtor Thiago Bianchi. Infelizmente devido a vários fatores a banda teve que dar uma pausa em suas atividades. Mas retornaram com tudo lançando o single e vídeo para Quantica, que vem obtendo um ótimo destaque. Conversei com o tecladista Cappia para saber como andam os preparativos para o lançamento de seu primeiro disco e também mais sobre a carreira.

Por Raphael Arízio | Foto Banda/Divulgação

A banda começou como cover do Nightwish, por que essa banda especificamente e por que resolveram começar com tributo ao invés de autoral?

Escolha pelo Nightwish foi por conta da técnica. Arya é cantora lírica por formação, e NW facilitava para cantar. Ainda mais porque pegamos a fase Tarja.

O tecladista, Cappia, também é de formação erudita e isso facilitava para ele também.

Usamos o cover para ganhar experiência de palco, entrosamento de banda, e ganhar estrada. Se aprende sobre palco no palco.

Eve Desire foi reconhecida como um dos melhores covers do Nightwish e chegou a incrível marcar de 100 shows por ano. Como foi para vocês essa experiência? Chegaram a ter algum reconhecimento da banda oficial?

Foi muito mais do que prevíamos. Aprendemos muito e muitas portas se abriram pela qualidade do nosso cover. Chegamos perto da Tarja ano passado no show dela em São Paulo, foi sensacional. Arya e Cappia ganharam de presente de casamento um CD autografado deles em 2012, que nos foi entregue pela responsável pelo Deusas do Rock Brasil. Nunca pretendemos ser tributo, mas sempre fizemos o cover com o respeito necessário.

Em vista de todo o sucesso que tinham como banda cover, por que resolveram arriscar e trocar para músicas autorais? O que levou a banda a tomar essa decisão?

O objetivo sempre foi o autoral. Aqui a cultura do cover é muito forte, mas achamos que todo músico de alma quer fazer a sua música. Assim que batemos os 100 shows, lançamos a Vitruvia (demo) e ali começou a Eve que planejamos. Sempre teremos o NW como maior influência, mas sempre esteve nos planos ser banda de verdade com som autoral.

Após a mudança para banda autoral vocês lançaram a demo Vitruvia. Como foi a recepção dessa demo e qual a importância dela para o Eve Desire?

A recepção foi muito bacana! Vitruvia estará no nosso álbum, mas agora já com a mão do produtor e totalmente repaginada. Ela foi a nossa primogênita e nos firmou no mercado como banda de som autoral. Mais do que isso, ela chamou a atenção de diversos produtores, e acabamos fechando com o Thiago Bianchi, que já tem currículo nesse segmento e foi, sem sombra de dúvida, nossa melhor escolha.

O clipe da faixa título da demo obteve lançamento pela UOL e teve mais de 4 mil views em um dia. Como foi para vocês ter essa recepção gigantesca e como conseguiram lançar esse clipe pela Uol?

Quando vimos esse número demoramos a acreditar! Mas foi feito com tanta dedicação e foco, que era justo (risos).

Vitruvia havia sido lançada no nosso soundcloud, e um dos responsáveis pela Rádio UOL ouviu. Daí veio o convite para fazermos o lançamento do clip, que até então nem existia. Gravamos e editamos o clip em quatro dias, e demos sorte de ter um espaço mínimo que dava para gravar (nós temos um estúdio – Yourtrack Estúdio) e mais sorte de ter um baixista que trabalha com vídeos (Ramadoni, nosso baixista). Ele dirigiu e editou e entregamos para a UOL lançar o clip. Tudo levou quatro dias. Foi uma loucura.

Após todo esse sucesso a banda assinou com o produtor e músico Thiago Bianchi para a produção do primeiro disco. Como foi feito esse contato e o que Thiago pode acrescentar para o som da banda?

Uma conhecida do baixista mostrou o som para o Thiago, que fez contato para produzir o álbum. De cara, rolou identidade, para o nosso estilo não tinha melhor escolha. Ele já trabalhou em álbum da diva Tarja, é o cara do Shaman, enfim. Melhor currículo para metal sinfônico.

Ele fez o álbum alcançar patamares até então surreais, desde a parte musical até a parte negocial. Com o tempo aprendemos a simplesmente deixar o cara trabalhar e conduzir as gravações e demais coisas, ficou muito bom. Ele extraiu de cada um o máximo possível para esse momento. Ensinou como conduzir os negócios, enfim, está sendo uma verdadeira escola.

A banda foi forçada a parar as atividades devido as duas gestações da vocalista Arya e a problemas de saúde do produtor Thiago Bianchi. O que motivou o retorno da banda, e como foi para vocês ter que parar mesmo tendo conseguido toda essa repercussão?

Faz parte da vida. Tem horas que não temos opção e tudo tem seu tempo. Arya e Cappia têm um conservatório musical, que havia aberto na mesma época que montamos a Eve. Uma empresa nova requer muita, mas muita dedicação.  A grana havia acabado, tudo estava investido. Com o casamento deles e leve diferença de idade entre eles, os planos de completar a família e a necessidade de se dedicar a esses dois projetos veio na frente. E nesse intermédio, tocamos muito cover e aprendemos muito, abrimos muitas portas. Hoje sabemos que tudo foi como tinha que ser. Nesse tempo, o Ramadoni também saiu e voltou, e sempre soubemos que ele era o bass da Eve, por muitos motivos. O Paulo também, foi e voltou. Idem. E agora o Fábio Matos, um guitarrista do estilo, assume as cordas elétricas junto com o Ramadoni. O power metal voltou para a alta de mercado. Tudo aconteceu da melhor forma possível.

Após o retorno, a banda fez o arranjo orquestral da faixa de abertura do CD comemorativo aos 25 anos de carreira do Edu Falaschi. Como foi feito esse contato e como receberam a ótima repercussão que teve na imprensa especializada, inclusive recendo nota 10 na revista Roadie Crew?

Na época, a assessoria de imprensa que nos acompanhava nos convidou para fazer parte. O arranjo foi feito pelo Cappia, gravado, editado e masterizado no nosso Estúdio. A avalição da revista foi um dos nossos melhores momentos, pois deram destaque à nossa faixa. Ali pudemos mais uma vez firmar nossa raiz erudita e foi um prazer enorme participar.

Foi lançado em 2018 o single Quantica. Como tem sido a repercussão desse material novo? Tem suprido as expectativas de vocês?

O material está quentinho, foi lançado 15/12/18. A repercussão tem sido a melhor possível. Quantica reflete nossa verdade, é o que gostamos de ouvir e fazer. Agora está também on-line nos streamings e a ansiedade aumenta. Não vemos a hora de ver toda a plateia cantando junto com a gente nos shows!

O single teve participação de Mauricio Nogueira (Matanza), algo não muito comum com o estilo da banda. Como foi feito esse contato e por que escolheram Mauricio para participar? O que ele pode trazer de diferente para o som da banda?

O Maurício é professor de guitarra no Conservatório Ever Dream, de propriedade de Arya e Wagner. Na época da gravação do clip ainda estávamos sem guitarrista e o Maurício estava sem banda, pois foi o fim do Matanza orginal. Então, convidamos e ele topou, para ter possibilidade de fazer e mostrar coisas diferentes, e para nós foi uma honra tê-lo em nosso clip. Com certeza chamou ainda mãos a atenção!

O último lançamento da banda foi o clipe de Quantica. Como tem sido a repercussão do vídeo? Conta como foi a produção desse play.

A direção do clipe foi do Bianchi e do Daniel Mazza. Tudo foi feito dentro do Fusão, e levou muitas horas de trabalho. O roteiro também foi deles dois. O conceito é de apresentar a banda em diversos quadros, pois o tema do álbum é tempo e espaço. Quantica fala sobre tempo e espaço. E apresentar uma soprano heavy metal, além de mais um vocalista do estilo. Deu certo! Está elegante, pesado, tudo que nos traduz em imagens e som.

Agora em 2019 a banda promete lançar seu primeiro álbum, inclusive com uma nova versão para a faixa Vitruvia. Por que resolveram regravar essa música, e como tem sido a gravação até agora?

As gravações estão quase finalizadas. Depois é o tempo de mixagem do produtor. Saíra pelo selo Fusão Records. Regravar Vitruvia foi uma opção da banda e do produtor e achamos muito interessante ver o antes e o depois.

Tendo em vista que foram uma banda cover do Nightwish no passado e ela ainda servir de influência para vocês, o que acharam dessas trocas de vocalistas na banda e a entrada de Floor nos vocais?

Arya é fã de carteirinha da Tarja (risos). Floor manda muito bem também, é sensacional. A Anette era a que menos combinava com as músicas que haviam sido compostas para o vocal lírico da Tarja, mas as músicas compostas para ela também eram incríveis. Trocar integrante faz parte da vida! O bacana é quando uma banda se torna tão grande que independente de quem está nela, ela vive, ela é som!

Espaço para agradecimentos e palavras finais

Agradecemos pelo espaço e pela dedicação com as bandas nacionais!

Fiquem ligados que a Eve tem muitas novidades em breve para todos vocês! Agradecemos ao público que nos acompanha desde a época do cover por todo carinho.  Só temos a agradecer tudo isso que está acontecendo e agora é daqui para frente, sem pausas para bebês (risos) e doenças do produtor (Amém!). Vamos cair na estrada e levar nossa música onde tiver espaço.

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