“Estamos no caminho certo!”

O Camus volta ao batente com o disco “Abyssal”, mostrando uma evolução gritante para uma banda tão jovem. O disco veio para firmar o nome dos pernambucanos de vez no cenário nacional. Mais uma prova que o Nordeste continua tendo bandas de destaque com um enorme potencial e talento. Conversamos com Marcelo Dias (Bateria), Thiago Souza (Baixo/Voz), Jones Johnson (Guitarra) e Deniere Martins (Guitarras/Voz) para saber da produção do seu novo play, além dos planos futuros da banda.

Por Raphael Arizio | Foto: Banda/Divulgação

A banda lançou recentemente seu novo disco“Abyssal”. Como tem sido a repercussão desse lançamento?

Marcelo Dias: A repercussão está sendo melhor do que esperávamos. Pensamos em um cd variado, homogêneo, e a resposta das pessoas é que acertamos nisso. Não há uma unanimidade sobre alguma faixa, a preferência das pessoas varia e isso nos deixa felizes.

Thiago Souza: Está compensando o trabalho. As músicas estão sendo bem aceitas pelo público e o disco recebeu bastante elogios da mídia especializada. Sensação de dever cumprido.

Jones Johnson: Todas as pessoas que ouvem o “Abyssal” e ouviram o “Heavy Metal Machine” vibram com as composições. Como Marcelo citou, não há uma “melhor faixa do disco” para quem ouve. Se conseguimos ter esse tipo de reação do público, estamos no caminho certo!

Foi lançado recentemente um lyric video para a faixa “Knights of Metal”. Como foi a escolha por essa música? E o que podem falar sobre um samurai ter sido escolhido para ilustrar o vídeo?

Deniêre Martins: “Knights of Metal” é um faixa que tem muito da pegada do último disco da banda, mas traz todo um corpo e arranjos modernos e mais pesados. Escolhemos ela para mostrar ao público que vinha coisa nova e diferente no disco, mas sem perder a cara da banda. Acho que é isso.

Thiago Souza: Acreditamos ser a música que melhor mostra a cara da banda. Samurais seguem um código de honra e são extremamente fieis a ele. Outro fato que me inspirou para a escolha foi a batalha de Shiroyama, onde 500 samurais enfrentaram as forças imperiais japonesas em um cenário de 60 soldados para cada 1 Samurai, e mesmo com a desvantagem em número lutaram até a morte sem rendição. Não existe público tão fiel como o do Metal.

Jones Johnson: “Knights” foi a primeira música que a Camus ensaiou quando resolvemos criar algo autoral. Thiago nos mostrou, praticamos em casa e fomos ensaiar. Ela mudou muito ao longo do tempo e sempre pra melhor. O resultado final é o que se ouve em “Abyssal” e estamos muito orgulhosos!

O disco contém várias participações especiais sendo elas, Sandro Barbosa, Sérgio Costa, e do produtor do disco Nenel Lucena. Como foi feita a escolha por essas participações e o que acrescentaram para o disco?

Marcelo Dias: Como o conceito do cd é abordar os vários “eus” que existem na mente humana, algumas vozes diferentes caíram como uma luva. Já tínhamos o Deniere que ingressou na banda e também canta muito bem. As vozes mudam sempre que o personagem também muda, principalmente no conflito interno em War of Madness, onde Sérgio Costa e Deniere fazem praticamente um diálogo.

“Abyssal” foi produzido por Nenel Lucena. Como foi para a banda trabalhar com esse profissional, e o que ele passou de aprendizado para a banda e ao disco?

Marcelo Dias: Trabalhamos com Nenel também no nosso EP – Heavy Metal Machine (2015). Criamos uma amizade grande, o que era bem tranquilo pra ele conduzir a produção, a última palavra era sempre dele, já que somos 4 na banda. Aprendemos muitas coisas, mas, principalmente, a soar como nós mesmos e que, muitas vezes, menos é mais.

Deniere Martins: Meu primeiro EP solo, Dominus (2015), também foi gravado no estúdio de Nenel. Logo, foi tranquilo demais trabalhar com o cara (ele é monstro). Mas posso dizer que o maior aprendizado, para mim, foi sobre superação.

Thiago Souza: Além de um grande profissional, Nenel é meu amigo de longa data. Não teria melhor escolha para o trabalho.

Jones Johnson: Trabalhar com Nenel foi bem tranquilo. Como já tínhamos trabalhado no Heavy Metal Machine, foi natural o processo de gravação do Abyssal.

Nota-se em “Abyssal” que a banda está mais madura e ao mesmo tempo acrescentou mais peso ao seu som. Com alguns riffs bem pesados, beirando quase um Thrash Metal. Como a banda vê essa mudança do som? Essa foi uma mudança pensada ou foi algo que surgiu naturalmente?

Marcelo Dias: Foi totalmente natural. A entrada de Deniere na banda também abriu o leque de opções sonoras. Ele trouxe muitas ideias excelentes, ele compõe muito bem também. Alguns riffs mais pesados nós já temos desde 2012 mais ou menos, só não tínhamos trabalhado eles ainda, assim como já temos muitas ideias para um outro cd, mas tudo no seu tempo.

Deniêre Martins: A coisa fluiu demais. Mesmo as músicas que eles já tinham, ou as que eu trouxe, receberam contribuições de todos e isso deixou a coisa verdadeira. Abyssal é um disco que tem a nossa cara!

Thiago Souza: Evoluimos como músicos e banda, nada mais natural que essa mudança ser representada em nossas músicas.

Jones Johnson: Esse cd foi crescendo ao longo do tempo. Alguns riffs não tinham sido usados em nenhuma composição e resolvemos revê-los em estúdio. Tudo foi se encaixando e as ideias que Deniere trouxe para as composições levou as músicas a outro patamar de composição na banda.

O disco foi lançado em todas as plataformas digitais, algo comum hoje em dia. Tem alguma previsão de lançamento do disco em formato físico? Porque a banda preferiu lançar “Abyssal” primeiramente nesse formato?

Thiago Souza: Praticidade e maior alcance com menor custo, mas estamos vendo a possibilidade de lançarmos o material físico também.

O cenário nordestino e Pernambucano, de onde vêm a banda, tem crescido bastante nos últimos anos, como novas bandas sendo destaque e com um bom público presente nos shows. Como o Camus enxerga o cenário do Nordeste hoje em dia? O que acham que teria que ser feito para termos um underground melhor, não só em Pernambuco, mas em todo país?

Marcelo Dias: Acho que a palavra é “União”. Em Pernambuco, e no Nordeste, temos bandas ótimas, porém, sinto falta de uma aproximação de todas as partes. Ultimamente os shows estão escassos, muitas casas fecharam e o público se afastou um pouco, digo isso num geral.

Deniêre Martins: Concordo com Marcelo. Além disso, falta “suporte” por parte dos grandes medalhões da cena (não todos, mas a maioria). A gente sabe o quanto a “moral” de uma banda se eleva quando é endossada pela galera que já está no topo. E, diga-se, não é por falta de bandas boas… mas acho que o maior fator é o público, que não comparece como antigamente. Mesmo em eventos abertos tem uma galera significativa que não chega junto. Acho que festivais mais diversificados podem ajudar a combater um pouco disso.

O disco marca a estreia da nova formação da banda, agora composta por Deniêre Martins (guitarra/vocal), Jones Johnson (guitarra), Thiago Souza (baixo/voz) e na bateria Marcelo Dias. O que essa formação acrescentou de novo para o som de vocês? Como foi o processo de composição desse novo line up para o disco novo?

Marcelo Dias: Essa formação consolidou a base (Thiago, Jones e eu) e trouxe um elemento novo que é Deniere. Nos sentimos muito à vontade pra compor, arriscar um pouco mais. Deniere é bem técnico, como falei antes, compõe muito bem, canta muito bem também, isso nos abriu um leque de possibilidades. Creio que mantivemos nossa essência e um toque especial que foi sair da zona de conforto.

Deniere Martins: Curto muito Power Metal, Thrash e Progressivo, e isso reflete nas minhas composições. Ao passo que os meninos têm uma pegada mais Heavy/Hard, e algo de Thrash. Todos tivemos que nos adaptar um pouco pra fazer essa “mistura” mantendo as raízes da banda. Penso que conseguimos!

Thiago Souza: Sem essa formação não teríamos chegado ao resultado contido no disco.

Jones Johnson: Cada um tem uma influência musical que aflora mais nas composições. Em certo ponto, todos nos encontramos.

Espaço para considerações finais e agradecimentos

Marcelo Dias: Agradecer primeiramente a todos da Rock Meeting pelo espaço, ao pessoal da Black Legion Productions, Alex e Raphael, por acreditar no nosso trabalho. A todos que nos acompanham nessa batalha sangrenta que é ter banda de metal. Nenel Lucena pela paciência, pelas risadas até faltar ar, Alcides Burns pela arte do nosso Cd, ao Renato Alexandre da Batera Sticker que sou endorsee e a todos os fãs que nos dão feedback do Abyssal!

Deniere Martins: Queria parabenizar a Rock Meeting pelo trabalho de “guerrilha” que faz no front da cena metal, ajudando a manter a chama viva. Muito obrigado pelo espaço! Aos leitores, vocês podem escutar o “Abyssal” nas principais plataformas de streaming. Esperamos que vcs curtam!

Thiago Souza: Gratidão a todo o pessoal da Rock Meeting pela oportunidade, gratidão ao pessoal da Black Legion pelo apoio. Nenel lucena por mais um trabalho fantástico e a todos os irmão de batalha que lutam em nome do metal.

Jones Johnson: Gostaria de agradecer a todo pessoal da Rock Meeting pela excelência no trabalho, ao pessoal da Black Legion pelo suporte, aos leitores que sempre dão mais força pra todas as bandas continuarem a fazer metal no Brasil, à Nenel Lucena por nos auxiliar em mais um trabalho, à todos que participaram no “Abyssal” e todos os nossos seguidores e fãs. Esperamos que vocês gostem deste disco tanto quanto nós! Obrigado!

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