Mentes Separadas

Eminence – Mentes Separadas

Por Samantha Feehily | Foto Banda/Divulgação

 

Conversei com o Bruno Paraguay, vocalista da banda Eminence,  sobre o lançamento do EP Minds Apart, que além das novidades, falou um pouco sobre os planos e história da banda.

 Primeiramente gostaria de agradecer pela oportunidade, o Eminence é uma banda que tá na estrada desde 95, desde a fundação da banda até agora, na sua opinião o que mudou desde a sua entrada na banda?

Eu que agradeço em poder falar um pouco da minha história e da banda. Muito obrigado! Voltando ali no final da década de 90, início do século XXI, estava eu e alguns amigos ouvindo várias bandas gringas e nacionais. A gente costumava se juntar e levar as bandas, músicas que descobríamos e compartilhar. Daí o som aumentava e nos víamos moshando na sala! haha Foi divertido. E no meio desse medley sonoro  estava o “disco verde” do Eminence, regravado em alguma tape. “Chaotic System”. Lembro ter achado sensacional, eu e meus amigos, achávamos que era uma banda gringa, saca? Daí só depois do lançamento do álbum Humanology, em 2006 (Na época já tinha um pouco mais de acesso à internet) que fui descobrir que os caras eram Mineiros, logo ali… Belo Horizonte. E de lá até minha entrada eu era apenas um fã que ia aos shows, colava na grade, mas achava péssima a falta de informação da banda, material na internet,  variedade de merch e etc. E foi exatamente nisso que acho que deu uma mudada. Pois passei a cobrar e incentivar a geração de material, contato maior com o público além de ter trago um sangue novo, pois tem ai duas gerações diferentes de vivencias e influências musicais dentro da banda o que acabou também afetando um pouco o som.

O que inspiraram vocês a compor o EP Minds Apart? Creio que inspiração não faltou.

Já estávamos de um hiato de quase cinco anos do lançamento do anterior, The Stalker. A banda estava indo muito bem desde o lançamento. Fizemos duas ótimas turnês passando por quase todos os continentes do mundo entre 2013 e o final de 2015.

Mas em 2016 a banda acabou presa na construção do studio, Eminence Studio, além de termos perdidos alguns familiares e amigos o que tornou inviável continuar com a loucura e ritmo que estávamos. A banda meio que parou de shows e até de ensaiar por um tempo, mas aí aquele sentimento que estava ali guardado dentro da gente, mais a ânsia de tocar, nos fez compor esse novo material, menos músicas, mas verdadeiro, pesado e trazendo uma nova cara pra banda sem deixar de ser o Eminence, saca? Esse EP acabou abordando muito esses assuntos como depressão, ganância e mensagens de autoajuda, porém de uma forma mais ‘in your face’, bruta de se dizer.

A música que mais me marcou nesse EP novo foi a Obey, música que vocês escolheram pra gravar o clipe, que é sensacional na minha humilde opinião, qual música pra vocês é a mais especial e que  pode se encaixar no atual momento em que vivemos?

Acho que eu escolheria duas. Minds Apart & Obey. São músicas que completam a outra. Que trazem uma mesma mensagem no final… Buscar seus sonhos, lutar contra as pessoas e coisas q te puxam pra baixo e obedecer seu coração. Acredito que cada vez mais, nesse mundo loco, rápido e incerto as pessoas tinham q se preocupar menos com bens, discursos de ódio e procurar entender melhor o real sentindo de sociedade, comunidade. Se ajudarem, perder menos tempo com coisas que te fazem mal e se jogar no que amam.

Hoje em dia estamos passando por um momento de merda, você acha que a música ajuda a manter as mentes da galera separadas do que é certo ou errado?

Acredito demais. Porém tenho visto cada coisa… Às vezes nós músicos brasileiros temos que cantar em português mesmo e o mais inteligível possível. Porque o que vi de hipocrisia por aí… gente pagando língua, se contradizendo, botando dedo na cara. Falando merda de bandas. Enfim… Acho que tem gente prestando atenção só nos riffs, velocidade de bumbo e/ou só tentando ser rockeiro descolado.

Já estão pensando em gravar um full?

Se tudo der certo… 2019 sai! \o/

Pretendem lançar algo em português?

Pouquíssimo provável de acontecer. A banda tem um foco internacional desde de 1995 e temos colhido bons frutos. A ideia é chegar no máximo de lugares possíveis. Não só os riffs e a barulheira… mas a mensagem também.

Como está sendo o retorno do público com o EP?

Por enquanto tem sido algo bem surpreendente. Temos recebido muitas mensagens de lugares que a banda não tinha chegado antes. Estamos embarcando pra nossa segunda tour no México em 20 anos. Mais shows na américa do norte e Brasil. Views e plays aumentaram consideravelmente. Todavia só tivemos um feedback em 2 shows por enquanto. Então estamos ansiosos para começar essa tour do EP e ver como será olho no olho.

O que você acha da cena metal nacional ultimamente?

Cada vez mais nascem bandas excelentes. É um mercado, uma paixão que acredito que nunca deixará de existir. E tenho visto as bandas já chegando com um pouco mais de estrutura, se preocupando mais com a gravação, composição, imagem… qualidade em geral. Bom… ao menos tentam. É uma parada que o mundo digital meio que te “obriga” a ter. Hoje em dia é muito mais fácil gravar e ter seu som mais audível do que sei lá… 10 anos atrás ou mais. Já não é algo financeiramente exorbitante para começar. Mas o problema que isso gera muito imediatismo, o oba oba, e algumas pessoas esquecem que musica sai de dentro pra fora. Além de faltar o lance do Empreendedorismo… Acredito que muitas bandas podem melhorar nesse aspecto também.

Quais bandas do cenário atual que você destacaria?

Black Pantera, Pense, Riviera, Far from Alaska, Project 46, Expurgo, Ego Kill Talent, Carahter, Nervosa, DJAMBÊ, Oceania & Desalmado.

A cena mineira em especial é berço de muitas bandas que se destacaram do cenário metal/rock, como vocês, Sepultura, Sarcófago, Pense, Skank e por aí vai, como tá esse cenário local e o que Minas tem pra fabricar tanta banda boa? Será que é o feijão tropeiro?  hahahahaha.

Acredito que é tipo você crescer em um ambiente onde tem um nivel elevado de cultura, educação de exemplos bem sucedidos. A probabilidade de dar bom pra quem está crescendo nesse meio é maior. E em Minas tem muito isso… Bandas como o Sarcofogo, Sepultura, Overdose, Chakal e tantas outras abriram o caminho. BH é considerada a capital do metal da América latina. Décadas passadas tocar em Minas era o ápice do rolê. E quem fez isso foram eles junto com o público e produtores da época. Nos deixaram a inspiração e sempre saiu e sai coisas boas daqui. E claro aquela cachaça pra juntar isso tudo. hehehehehe

Dia 27/10 vocês abriram para o Sepultura em São Paulo, como é dividir o palco com eles e como foi o show? E nem preciso perguntar se eles são influências para vocês.

Sempre foi e sempre serão. Não sei dizer exatamente, mas essa foi provavelmente a 5a vez que tocamos com o Sepultura. Tocar com uma das maiores bandas do mundo não é fácil, a responsabilidade é enorme. Porém toda essa ânsia e aflições acabam sendo, geralmente, recompensadas com a energia do público. O show na Audio Club foi incrível, tinha muita gente que não nos conhecia, então ao longo das músicas eu olhava pra cara da moçada e eles pareciam meio tímidos com os olhos arregalados, daí a gente ficava meio sem saber o que estava rolando na real. Mas aí toda vez que acabava uma música  rolava aquele grito da galera trazendo aquela energia pra gente. Foi foda!

Depois de tantos anos de estrada ainda rola aquele nervosismo ou vai de boa?

Sempre rola. Independente do show, rola. No dia que perdemos isso não haverá mais graça de estar em cima de um palco.

Bom, pra finalizar, deixa um recado pra galera e o que podemos esperar do Eminence daqui pra frente, muito obrigado pela oportunidade. \m/

Mais uma vez agradecer o espaço, por esse “bate papo”. Sempre falo isso mas é real… Pessoas como vocês que fazem fomentar a cena! Não Para. Pra quem leu até aqui o meu muito obrigado também em nome dos meus manos da banda. E meu… sair de casa faz bem, menos shows em youtube e mais mosh pit na cara. Nos vemos por aí. Grande abraço!

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