A nossa maneira

 

Todo mundo gosta de conhecer bandas novas. E quando essas estão vinculadas a figuras já carimbadas na cena, a curiosidade só aumenta. Sendo assim, a vez é do Cosmic Rover, do rodado baterista Edson Graseffi, que já foi da lendária Panzer. Incansável, nesses 30 anos de estrada, o cara surge com mais uma banda, agora de Stoner Rock. Aquela pitada de passado repaginada para o presente, é isso que você vai encontrar no som do Cosmic Rover. Acompanhe agora a entrevista que fiz com o Edson.

Por Pei Fon | Fotos Carla Graseffi

É praxe que as bandas se apresentem para os nosso leitores. Por favor.

Edson – Antes de tudo agradeço a oportunidade da entrevista. O Cosmic Rover é uma banda Stoner Rock recém formada em São Paulo. Apesar de ser um trabalho novo, nós já somos músicos experientes do cenário paulistano. O Rick (guitarrista) é antigo guitarrista do Laboratory, o Rodrigo (baixista) é um músico muito ativo na noite e eu venho da cena dos anos 80. Nos últimos 30 anos passei por diversas bandas , entre elas o Panzer, banda na qual estive por 26 anos como baterista.

Cosmic Rover vem aí para agitar ainda mais a cena Stoner brasileira. Como tudo surgiu?

O Cosmic Rover surgiu da minha vontade de tocar de Stoner Rock, estilo que sempre me influenciou desde os anos 90, quando começou a despontar lá fora. Eu também queria usar todo o material de letras que eu compus e nunca pude usar com minhas outras bandas, porque são letras bem loucas sobre temas espaciais , espirituais e histórias loucas que vivi nas últimas décadas. Eu queria cantar também, algo que faço desde criança e pouca gente sabe. Então, resolvi condensar tudo num mesmo trabalho. Assim  me tornei vocalista também,  além de baterista da banda.

Tudo começou com um convite que fiz ao Rick Rocha para vir tocar guitarra comigo. Era apenas uma ideia,  eu e ele. Logo em seguida surgiu o Rodrigo, que é um amigo de longa data. Eu estava tatuando ele no meu estúdio e falei do projeto e ele disse na hora que queria ser o baixista. Eu havia conhecido o Rick no estúdio também, pois ele havia me procurado para tatuar comigo. Posso dizer que o Cosmic Rover é uma banda unida pela tatuagem (risos)!

A banda acabou de lançar seu primeiro EP. Como está sendo a repercussão?

Esta sendo a melhor possível. Estamos divulgando o material no meio Stoner e a resposta da galera que curte e entende do estilo está sendo ótima em todo o mundo!

Na faixa “Never Forget” tem uma parte que diz que ‘Nunca esqueça do que você acredita”. O que você atribui essa parte? Que crenças, pensamentos seriam esses?

Essa letra é bem pessoal. Eu falo de nunca esquecer dos seus sonhos, pelo que você luta e pelo que vive sua vida. Ela não tem nenhuma relação  com religião ou fé religiosa e sim sobre algo muito maior, que é sua própria vida. Essa é a única letra “séria” desta banda até então. Por acaso ela entrou como Lyric vídeo, mais pela pegada sonora do que pela letra em si. Todas as outras letras falam muito de temáticas espirituais, ficção cientifica, experiências com alucinógenos, coisas do tipo…

EP lançado, já está aí para ser ouvido, mas quando podemos esperar um full? É cedo, está nos planos, já tem algo pronto?

Já temos mais músicas compostas para completar o full, muita gente tem nos pedido isso. Lançar um EP logo de cara foi a forma mais rápida e eficiente de fazer a banda surgir no cenário. Acredito que até o início do próximo ano lançaremos um début. Mas posso garantir que o álbum completo será gravado nos mesmos padrões do EP, ou seja, ao vivo, com todo mundo tocando junto, sem edições, sem metrônomo e tudo soando muito orgânico. E não será um álbum imenso de 15 músicas por exemplo. Acreditamos que esse é um formato que morreu. O formato de menos músicas como na época que só haviam LPs ainda é o mais viável porque não cansa o ouvinte. Estamos fazendo as coisas a nossa maneira, criando nossa sonoridade própria na gravação, sem cair no “esquemão” dos produtores.

Outra coisa interessante é que acabamos de gravar uma live session, ela será disponibilizada no Youtube como vídeo e será lançada como áudio, ou seja, provavelmente quando esta entrevista for publicada talvez já tenhamos lançado mais um EP ao vivo. Ele traz as 4 músicas do EP de estreia em versões “live” e uma inédita chamada “Mushroom Memories”.

Sendo músicos já experientes e conhecidos na cena paulistana, cada um com seu projeto particular, o que fez vocês três se juntarem e criar o Cosmic Rover?

Como já disse acima fomos unidos pela tatuagem e paixão pelo Rock N Roll pesado, mas talvez a amizade tenha sido o principal fator que nos uniu. Hoje o Cosmic Rover é o principal trabalho musical dos três e estamos super empolgados com tudo que esta por vir.

O Stoner deu uma crescida exponencial nos últimos anos. Ao que se deve esse crescimento significativo? Um resgate sonoro, por exemplo?

Vou te dar uma opinião muito pessoal, mas de um cara que vive e viveu a cena pesada intensamente por 30 anos. Eu vejo que o crescimento do Stoner no mundo se deve aos extremos que a música pesada chegou. Principalmente dentro do Metal, as bandas chegaram a extremos de velocidade e de peso e “perfeição robótica” na produção dos álbuns que colocaram de certa forma um ponto final no estilo. Para onde progredir a partir dali? Tocar mais rápido ainda? Produzir discos mais perfeitos tecnicamente? Eu acho que muita gente como eu cansou disso tudo e vem procurando pela simplicidade do Rock pesado, na sua essência, na sua raiz, da forma como ele surgiu. Acredito que perdeu a “diversão” dentro do Rock Pesado e o Stoner te permite isso, saca? Vejo também que Stoner é na verdade apenas mais um rótulo colocado pela indústria fonográfica como foi o grunge, o punk, mas na verdade é uma reação que faz parte de um ciclo que sempre aconteceu no Rock. Porém esse estilo abrange uma imensa quantidade de pessoas que querem  viver e ouvir o Rock n Roll da forma que o fez tão especial. Puro e simples… E nós somos mais alguns deles.

Quais bandas do estilo vocês conhecem, tem  contato e a receptividade é boa?

Como somos antigos da cena brasileira, conhecemos muita gente, nosso trabalho tem alcançado públicos de outras vertentes do som pesado e estamos surpresos com a aceitação. Acredito que isso se deve ao “beat” mais lento e vocais mais limpos. Isso torna nossa música mais acessível para todos. Quanto as bandas de Stoner do Brasil, gosto muito do RiffCoven, Ownl Co. Hortizon, Dogman, e o BearsWitness. Procure por essas bandas e vocês irão se surpreender.

Vocês são mais uma banda que estão buscando um lugar ao sol. Como vocês enxergam a cena atualmente, o mercado fonográfico, o advento da tecnologia, a crise política brasileira, por exemplo? Influencia ou não na manutenção de uma banda?

O cenário lá fora é muito forte, mesmo nos países latinos. A coisa aqui está chegando lentamente. No Sul do país existe uma cena forte com muitas bandas. Já em São Paulo começara a surgir mais nomes de algum tempo para cá, porém como tudo neste país, tenho visto uma certa “distorção” do estilo. Muita coisa que se diz Stoner e não é, muita coisa misturada até mesmo com MPB e psicodelia brasileira. De certa forma vejo isso com uma certa estranheza, pois sou fã do estilo desde os anos 90 e nunca vi nada parecido… Coisas que só realmente acontecem aqui. Quanto a manter a banda, mercado fonográfico é a mesma batalha de qualquer banda que queira um lugar ao sol.  Nada é muito fácil e tudo custa muito. Mas seguimos com nosso caminho! Como venho de uma história muita longa dentro desse cenário, as coisas têm sido mais fáceis em relação a mostrar uma nova banda, pois a mídia tem nos aberto as portas como vocês estão fazendo e sou muito grato por isso.

Para finalizar, o que podemos esperar do Cosmic Rover? Muito obrigada e sucesso!

Podem esperar muito som pesado vindo de três caras que estão muito realizados com essa banda. Isso aqui é só o começo!

Leave a Comment

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.