Valorize o underground!

Brutal Desire já chega com os dois pés no peito. Essa nova banda do Rio de Janeiro estreia com o single “Dominance” e mostra muita qualidade com seu metal extremo diferente e matador. E mais uma vez mostra que o estado do Rio não está para brincadeira, pois é incrível o número de ótimas bandas surgidas no estado nos últimos anos. Conversei com Oman e Enrico Salvatore sobre a formação a banda e detalhes sobre seus futuros lançamentos.

Por Raphael Arizio

A banda lançou recentemente seu primeiro single “Dominance”. Como tem sido a repercussão para essa estreia? Está dentro das expectativas da banda?

A repercussão não está dentro das expectativas da banda. Ela já ultrapassou em muito nossas expectativas, em curto tempo! Somando as visualizações do Youtube e do Facebook, já ultrapassamos as cinco mil, em menos de duas semanas de estreia. E pelo que temos lido e ouvido, parece que a galera realmente tem gostado do nosso trabalho.

As letras desse single são sobre BDSM, de onde saiu essa influência? As músicas da banda serão sobre esse tema?

A banda já pensava em abordar o tema desde o início. Quando o Salvatore assumiu os vocais, ele trouxe esta proposta que na realidade já era uma ideia da banda: abordar o tema não apenas literalmente, mas também como metáfora psico-social. As músicas que irão compor o primeiro CD da banda (que está em pré-produção) levam os nomes desse acrônimo: Bondage, Discipline, Dominance, Submission, Sadism e Masochism. É um tema que apreciamos, e que estamos abordando neste momento, mas é cedo para dizer que estará sempre presente em nossos trabalhos.

A masterização do single foi feita por Georgio Bokos na França, que já trabalhou com diversas bandas como Dark Tower, Rotting Christ, Unearthly, etc. Qual a importância dele para o resultado final das músicas? Qual a necessidade que a banda sentiu para buscar um profissional de fora do país?

O trabalho do Bokos é indiscutivelmente excelente. Talvez a palavra necessidade seja muito forte, pois sabemos que existem profissionais extremamente competentes no país. Mas surgiu a oportunidade de trabalharmos com alguém que sabíamos que poderíamos confiar de olhos fechados, alguém que entende profundamente sobre o som que fazemos, então foi a decisão mais certa a se tomar.

Um dos diferencias da banda é o vocalista Enrico Salvatore, apesar do som ser calcado em metal extremo, seu vocal por muitas vezes aparece mais limpo e diferente da grande maioria das bandas de metal extremo. Como foi feita essa escolha para esses tipos de vocais? Como trabalharam nisso para que conseguissem casar perfeitamente com o som da banda?

Nós procuramos fazer algo de que gostamos muito e também algo que seja mais acessível, que possa atingir a diferentes públicos. Por isso decidimos fugir de alguns clichês, explorando ao máximo do que somos capazes. O Salvatore tem bastante a oferecer, com uma diversidade de vocais que não se encontra com frequência. Não seria justo com a banda deixar de explorar isso, limitando os vocais apenas às fórmulas mais tradicionais. Trabalhar nisso, a princípio, parecia um desafio. Mas depois mostrou-se como uma liberdade criativa maior.

O Brutal Desire é formado por músicos já experientes da cena do Rio de Janeiro. Como foi a formação e quais as expectativas que todos têm com essa nova banda?

A experiência e a dedicação de cada músico contam bastante! Mas o que tem contado muito mais é o prazer que sentimos em tocarmos juntos. Somos mais amigos do que membros de banda, então essa “chegada” foi algo natural. E quanto as nossas expectativas, acho que a maior delas nós já alcançamos: estamos completamente apaixonados por cada nota que tocamos, de forma que temos a sensação de estarmos tocando em nossa banda preferida. Somos nossos fãs! (risos)

Uma das coisas que mais chamaram atenção nesse single foram os grandes riffs de guitarra da banda, pois apresentam muito peso, agressividade e muita variedade. Como é o processo de composição da banda e quais são as influências?

É difícil falar das influências da banda, porque cada um traz um background diferente, que vão de Mozart a Annal Nathrakh! Até aqui, como os fundadores da banda, foram o Oman (bateria) e o Álvaro (Guitarra), a maior parte das composições surgiram do Álvaro, que trouxe arranjos prontos sobre os quais cada um acrescentou sua personalidade. Mas estamos compondo coisas novas de uma outra forma: cada um se sente totalmente à vontade para trazer um riff ou uma batida, sem uma vaidade boba do tipo “quem manda no meu instrumento sou eu”. Mas especialmente sobre as guitarras, temos apostado muito na dualidade entre o peso visceral das cordas do Haony e as melodias intensas da guitarra do Álvaro.

Diferentemente da grande maioria das bandas, o Brutal Desire resolveu entrar em estúdio e gravar antes de começar a tocar. Por que a banda resolveu fazer dessa maneira não tão usual?

Depois dos nossos primeiros shows, sentimos que estávamos prontos para dar mais um passo. Resolvemos lançar o single para podermos mostrar mais facilmente nosso trabalho, com isso tendo “um cartão de visita” para mais shows.

Nos próximos shows vão dividir o palco com grandes bandas como Affront, Darktower e Justabeli. Quais são as expectativas da banda para esses grandes shows?

É uma grande honra tocar com essa galera de quem somos ao mesmo tempo fãs e amigos! Nossa expectativa é de que o público que vai estar lá para ver essas grandes bandas se sinta satisfeito, e talvez até surpreso, com o trabalho da desconhecida banda de abertura.

O Brutal Desire é mais uma grande banda que surge no estado do Rio de Janeiro, algo que vem acontecendo bastante nos últimos anos. Qual é opinião da banda sobre a cena do Rio de Janeiro? Quais são as bandas que gostariam de dividir o palco?

Agradecemos por nos considerar ao lado dos grandes, embora saibamos que ainda temos um longo caminho a percorrer. A cena do Rio nos parece às vezes um quebra-cabeças desmontado: há grandes bandas, há produtores competentes, há bons espaços, há um excelente e numeroso público, mas há por todo lado uma inexplicável queixa de que a cena é fraca. Falta juntar essas peças! Sem panelinhas ou rivalidades, apenas paixão pelo som que a gente adora!

Sobre as bandas com quem gostaríamos de dividir o palco… Sabe, pode parecer estranho, mas nós temos o profundo respeito por cada músico e cada banda que se esforça para levar o seu melhor para o palco. Cada um de nós traz uma história de bandas anteriores e já teve oportunidade de dividir o palco com bandas gigantes, com décadas de estrada, nacionais e estrangeiras. Então hoje o que mais queremos é tocar, seja onde e com quem for, sem afetação.

O que podemos esperar da banda para esse ano? Algum possível lançamento de disco ou E.P por exemplo? Pois o single deixou todos os bangers com aquele gostinho de quero mais.

Bom, o Brutal Desire está em fase de pré-produção do CD. Mas não podemos dizer se vai ficar pronto ainda neste ano, porque nosso foco agora é o palco. Queremos fazer show! Mas se o tempo permitir, quem sabe não soltemos em breve mais uma prévia do que está por vir. Não planejamos, mas também não descartamos a possibilidade de um segundo single.

Espaço para considerações finais e agradecimento.

A banda só tem a agradecer! Todos os nossos amigos e conhecidos, membros de bandas já bastante respeitadas, têm nos mostrado um apoio maior do que poderíamos imaginar. E o público, em todo canto onde a gente toca, tem sido um tesão, uma grata surpresa! A essa galera só o que temos a dizer é: continue assim! Continue respeitando e prestigiando as bandas mais novas, desconhecidas, de abertura… porque são elas que amanhã manterão a chama acesa. Valorize o underground!

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