“A música move os sentimentos”

Com uma trajetória respeitável no cenário do rock de São José dos Campos-SP, tendo passagens por várias bandas, se formar na Faculdade de música, o cantor, compositor e guitarrista Alex Bluyus criou o projeto Bluyus, estreando com o EP “Pés na Areia” (2011). Agora contanto com Euclides Carneiro (baixo) e Ricardo Costa (bateria), ousou com o lançamento dos álbuns de estreia “#Rock” e o ao vivo “Bluyus nos Estúdios Showlivre”, além da gravação do show realizado no Teatro do Sesi, em SJC, para  lançar em DVD. Conversamos com Alex sobre estes projetos e muito mais!

Texto Rômel Santos | Foto Banda/Divulgação

Alex, você tem uma longa trajetória na música, com princípio entre o final dos anos 80 e início dos 90. Conte-nos sobre o começo na música, formação pela Faculdade de Música, bandas as quais integrou até fundar o Bluyus.

Alex Bluyus: Iniciei na música através dos amigos da rua onde moro, pois alguns tocavam violão. Comcei a tocar aos 13 anos. Na Faculdade tive a oportunidade de aprender a ler e escrever música. Aprendi Harmonia a quatro vozes, entendi melhor o papel da melodia e percebi que a música que move os sentimentos independe do quanto a gente sabe tocar. Fiz parte de várias bandas. A primeira foi formada na escola em 1984, o Ânsia. Tocávamos músicas próprias. Entre 1986 e 1988, não me recordo, fiz parte da banda Noiser Gate. Tocávamos Heavy Metal em inglês, só autorais. Aqui tem uma matéria da nossa Demo – Lonely Walker. Em 1989 formei o Scavenger, com o baixista e o baterista da própria Noiser Gate. Esses dois (Luciano – bateria e Eduardo – baixo, faziam parte do Ânsia). Em 1991, entrei para o Gestalt e fiquei na banda até dezembro de 2011. Gravei com a Gestalt um Vinil em 1993 – Scombrus – , um CD em 1996 – Musicanativa –, no estúdio BeBop onde o Miranda produzia o primeiro trabalho do Raimundos. Na época, eu não conhecia nem o Miranda e nem o Raimundos. Ainda Gestalt, eu sugeri montarmos uma banda paralela, Novos Eléctricos. Gravamos um CD que nunca foi lançado e então resolvi sair. Comecei tudo de novo do zero. Tive que aprender a cantar e voltei a trabalhar nas minhas músicas. Nesse novo caminho encontrei Fred Semensato que ouviu meu trabalho e resolveu produzir. Criamos o CD “Pés na areia”. Eu cantei, toquei guitarra e violão e escrevi arranjos de orquestra e teclados. O resto foi tudo o Fred que gravou. Na hora de prensar o CD, eu não tinha banda e por isso não tinha nome de banda. Fred sugeriu colocar meu sobrenome. Tá feito!

Na capa do EP “Pés na Areia” (2011) e do álbum ao vivo “Bluyus no Estúdio Showlivre” (2017) não deixa claro se Bluyus é uma banda ou seu projeto solo. De qualquer forma você conta com os ótimos músicos Ricardo Costa (bateria) e Euclides Bittencourt (baixo). Como chegou até eles? Ambos contribuem no processo de composição?

Essa capa (Pés na areia) é uma foto tirada enquanto eu gravava o clipe da música de trabalho, “Sem água”. Nessa época eu estava sozinho gravando com o produtor e ele sugeriu o nome. A capa do Showlivre eu não sabia da existência, eles fizeram essa capa. A foto que mandei pra divulgação foi com nós três. Conheço o Ricardo desde 1991. Em 2013, fiz o convite pra ele entrar na banda e ele aceitou. O Euclides já havia tocado com o Ricardo e por isso rolou o convite, isso foi em 2014. Desde então estamos juntos. Eu chego com a composição crua e então começamos a ensaiar e a música vai se transformando. O que você ouve no CD é o resultado de muitos ensaios e ajustes. A contribuição dos dois na banda acontece nos ensaios, com ideias novas em cima do esqueleto da melodia que já criei. Estamos em evolução, quando eles entraram eu já tinha muita coisa pronta. O próximo trabalho com certeza vai ter muito mais vindo dos dois.

A sonoridade da Bluyus remete ao rock brasileiro praticado em décadas passadas com referências a nomes como Rita Lee, Barão Vermelho, Raul Seixas, Titãs, Paralamas do Sucesso, Lobão e Ira! Comente sobre a influência desses artistas em sua vida.

Quando cheguei com as primeiras músicas pro Fred Semensato ouvir, eu tinha uma demo gravada em casa. Fiz tudo, bateria-baixo-teclas (FruitLoops), guitarras direto no computador (Cubase) e voz. Ele ouviu e me retornou dizendo – Cara suas músicas são legais, mas você está vivendo na década de 80, posso mudar tudo? Sim, eu respondi. Em “#Rock” eu tentei ser mais atual, já que não teve a produção do Fred, nós produzimos. Nós sempre tentamos chegar em um som mais acessível ao público. A música “Bússola”, por exemplo, teve mais de quatro versões até chegar nesse ponto. Esses artistas são fonte de inspiração pra mim, não só esses, Cartola-Zé Ramalho-Fagner, e muitos outros brasileiros que eu cresci ouvindo por influência da minha mãe. Acredito no conteúdo da letra, quero pensar e entrar na letra. Ou a letra me move ou não rola!

“#Rock” (2017) tem um som excelente, você assina a produção? Fale um pouco sobre o processo de gravação e a parceria com a Showlivre para lançamento e distribuição do álbum em todas as plataformas digitais.

Muito obrigado, ficamos muito felizes de saber que você ouviu e gostou do resultado do nosso trabalho. Posso dizer que assino a produção, mas tive ajuda da banda também. O papel do produtor não é transformar a banda em algo novo, é entender o que a banda é e tirar o melhor que ela tem. Por isso, primeiro chegamos a um som como banda, e só depois eu pude entender onde deveríamos chegar na produção. Depois de estarmos com onze músicas prontas, marquei um ensaio gravado aqui no estúdio Oversonic e isso acabou resultando na gravação do CD. O CD tem doze músicas, tínhamos onze prontas, a décima segunda eu tinha pré-produzida no GarageBand, a “Nada Mais”. Eu expliquei o que o batera precisava fazer, por isso a simplicidade da bateria (não sou baterista) e gravei o baixo no lugar do Euclides. O resto foi como todas as outras. O Fábio Alba, engenheiro de som do Oversonic, criou todos os Backing Vocals. Enquanto eu gravava a voz ele ia criando os backs. Eu saía pra ouvir o que tinha gravado e ele dizia – Agora grava isso aqui! E vinha com a linha do back. A mixagem foi feita por Fred Semensato, o produtor do “Pés na areia”. A masterização foi feita por Paulo Pollon do Estúdio PSP de Guarulhos. Depois de gravarmos o programa ShowLivre, o Clemente me disse que ali também era uma distribuidora. Tudo o que fizemos foi assinar um contrato e a distribuição era deles. Eles não participaram em nada no processo do trabalho “#Rock”.

Aliás, “#Rock” é um título simples, interessante e bem curioso. Tem a ver com as mídias sociais? Explique pra nós qual o objetivo.

Sim #Rock tem a ver com o mundo digital. Esse CD já teve outro nome – Dois Mundos. Depois de estudar um pouco de marketing digital e Music Business entendi que a arte é um produto, independente da qualidade. O artista precisa entender que pra viver de arte é preciso vender a arte. E como podemos transformar algo que vem da alma em produto sem tirar suas características? Difícil né? Eu sei. Tive que estudar e entender como fazer isso. O nome “Dois Mundos” não tem procura na Internet, já “#Rock”, tem de cem mil a um milhão de procura por mês. Isso quer dizer que estou em uma avenida movimentada com o meu produto. E eu gosto do nome, é o estilo que tocamos.

Antes mesmo do debut, o Bluyus lançou um álbum ao vivo gravado nos estúdios Showlivre.com. O que achou da experiência?

Na verdade o CD #Rock já tinha sido lançado, aproveitamos o Showlivre pra fazer o lançamento. Gratificante. A experiência do Showlivre foi gratificante. Nós entendemos que somos capazes. Com essa apresentação conseguimos outros trabalhos. Conseguimos o Sesi, onde foi gravado o DVD, e o Sesc. Os dois viram a apresentação do ShowLivre e nos convidaram.

O videoclipe “Todo Amor”, disponível no canal YouTube, traz ótimas imagens de um show realizado no Teatro do Sesi em São José dos Campos-SP, e sugere que em breve haverá um lançamento de DVD. Fale mais sobre o projeto!

Sim, estamos trabalhando pra esse lançamento. Primeiro estamos divulgando a faixa de trabalho do CD #Rock, a música “Todo amor”. Pretendemos lançar esse DVD em agosto desse ano. Já estamos vendo um local aqui em SJCampos pra fazermos essa festa. Vamos registrar tudo. Vocês já estão convidados, falo sério, seria uma honra pra nós!

O Top 5 Rock Meeting é uma pergunta tradicional em nossas entrevistas. Sendo a primeira vez do Bluyus em nossas páginas, faça um top 5 das bandas ou músicos que influenciam seu gosto musical e comente sobre cada um.

1 – Van Halen

Mesmo antes de saber o que era a banda eu já curtia o som. Com mais ou menos 13 anos de idade, eu ouvi “Eruption” no tape de um carro que estava parado em uma padaria perto de casa. Fiquei pirado, loucura! Depois ouvi “Jump” no rádio do carro de meu pai. Sempre esperava pra ouvir de novo no rádio. Até que em 1984 fui em uma festa de um amigo e ele tinha comprado o vinil do Van Halen que acabara de sair. Lembro da intro 1984 no “Talo” rolando na festa, foi muito louco. Van Halen com David Lee Roth é perfeição. Cada vez que ouço esse disco é como se eu lesse um livro. Harmonia, melodia, solos, tudo o que envolve a música está de acordo.

2 – Led Zeppelin

Com 15 anos de idade mais ou menos, eu saí com minha mãe pra comprar o vinil de “Stairway to Heaven”. Cheguei na loja e não sabia o nome da banda. Vi um cabeludo olhando os vinis e fui direto perguntando: O vinil de Stairway, onde está? O cara foi direto no lugar e me entregou o LP. Eu ouvi milhares de vezes. Hoje minha preferida é “When the Levee Breaks”. Tenho todos os vinis. Todos da banda são incríveis. Melhor banda de todos os tempos.

3 – Jimi Hendrix

Pra mim o melhor interprete de tudo o que ele criou ou gravou. O cara realmente era um artista. Desde o visual até cada nota que ele dava. Ele realmente se entregava ao instrumento. O melhor groove que já ouvi. Suas letras são excelentes e as músicas também. Controle total da guitarra. A música do Hendrix entra na alma, não tem como não percebê-lo, mesmo quem não curte sabe que o cara é bom. Adoro “Castles made of sand”. O melhor em tudo o que faz.

4 – Rolling Stones

O primeiro vinil que saí pra comprar foi um vinil dos Stones. Pra minha sorte, o vendedor da loja quis me empurrar um vinil caro. Meu pai não gostou muito do valor, mas eu adorei o vinil. Era “Exile on main Street”! Levou um tempo pra eu me acostumar com a sonoridade, mas cada vez que eu ouvia curtia mais. Eu devia ter uns treze anos. A música que mais gosto do vinil é “Loving Cup”. Acho a interpretação de Charlie Watts uma obra prima, não só em “Loving Cup”, mas em todo álbum. Jagger não existiria sem Keith e Keith não existiria sem Jagger. O casamento perfeito do rock.

5 – Ace Frehley

Eu adoro Kiss, uma das bandas que mais ouço. Eles são os Beatles com o volume no máximo. Mas Ace Frehley é demais. Sou vidrado em suas músicas e no jeito dele colocar as notas em seus solos. Além disso ele é “o cara” dos rifes! Uma de suas músicas que mais ouço hoje em dia é “Inside the Vortex”! Nesse disco seus solos são perfeitos, Space Invader. Quando os quatro do Kiss lançaram seu discos solos o de Ace foi o melhor. Tenho esse vinil e não troco por nada. Um dos guitarristas mais sinceros que já ouvi.

Além do DVD ao vivo, quais os próximos passos da Bluyus em 2018? Shows? Lançamento de singles?

Os próximos passos estão focados em divulgar esse novo trabalho pra conseguirmos shows. Queremos divulgar bastante, achar nosso público e vender o nosso show. O nosso foco agora é colocar nosso produto no mercado. Estranho né? Dizer que nosso som é um produto. Mas é assim que temos que pensar, levou muito tempo pra chegarmos a essa conclusão. A arte é um produto e o artista precisa vendê-la pra conseguir viver do que ele gosta. É isso pessoal! Queremos agradecer do fundo do nosso coração, estamos muito felizes pelo convite pra essa entrevista. Estaremos sempre a disposição. Muito obrigado mesmo, e muito sucesso pra nós! Grande abraço!

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