“Temos trabalhado pesado”

Foto: Banda/Divulgação

Demorou, mas valeu a pena esperar. “No Fear to Face what’s Buried Inside You” (2016), primeiro álbum do AttracthA, foi aclamado pelo público e mídia especializada do metal nacional como um dos melhores lançamentos de 2016. A banda é formada por Cleber Krichinak (voz), Ricardo Oliveira (guitarra), Guilherme Momesso (baixo) e Humberto Zambrin (bateria).  Conversamos com o Humberto sobre a trajetória da banda, composição e os planos da banda. Confira!

Por Pei Fon com Rômel Santos | Fotos: Banda/Divulgação

 

Entre o EP “Engraved” (2013) e o début “No Fear to Face what’s Buried Inside You” (2016), houve o lançamento do single “Unmasked Files” (2015). Como você avalia a evolução do AttracthA entre estes trabalhos?

Humberto Zambrin: A banda que gravou o “Engraved” era outra, outro vocalista e outro baixista – apesar do Guilherme Momesso aparecer nos créditos, as linhas de baixo eram do Leonardo, que ocupou o cargo antes dele – é natural dizer que o AttracthA que se ouve no single “Unmasked Files” é mais próximo do AttracthA de hoje. Já nosso novo álbum mais recente mostra o fruto do entrosamento de três anos de uma formação estabilizada. É o que todos chamam de evolução natural das coisas. Ainda acho que a banda pode crescer mais musicalmente. Diria que estamos no meio do caminho!

As músicas de “No Fear to Face what’s Buried Inside You” apresentam ótimos arranjos, mas sem os exageros da técnica. Conte-nos como funcionou o processo de composição.

O processo foi dividido em duas fases distintas. Quatro músicas foram feitas entre 2013 e 2015, ainda com membros da formação antiga. Outras quatro foram criadas nas sessões de pré-produção do álbum e uma, “Unmasked files”, foi feita na formação anterior, mas ganhou uma versão diferente, foi retrabalhada nesse novo processo. As músicas mais antigas foram feitas com todos da banda compondo juntos em estúdio, num processo que eu, particularmente, considero lento e pouco produtivo, porém bem democrático, o que ajuda as músicas terem a participação intensa de todos. Já as mais novas, foram compostas exclusivamente pelo Ricardo, na guitarra, ele apresentava pra nós, criávamos a estrutura juntos e depois cada um trabalhou sua parte isoladamente. O fato curioso disso é que os outros caras da banda não tinham a menor ideia de como seria a versão final da música! Foi bem legal!

O álbum apresenta uma interessante arte, com 4 capas diferentes, sendo apontada como uma das melhores de 2016 pela imprensa nacional. Fale sobre a ligação entre o conceito lírico e o trabalho do designer João Duarte.

O conceito lírico veio primeiro, ou seja, eu escrevi todas as letras, dentro do conceito da visão pura do ser humano sobre sua personalidade e etc. Depois eu fui até o João explicar o que eu imaginava para o trabalho artístico-gráfico do álbum. Eu já tinha tido essa ideia de usar artes distintas para o álbum, possibilitando ao fã escolher a que ele melhor se identificasse como principal. O João abraçou a ideia, e fechamos, se bem me lembro, logo na segunda versão que ele fez! Ele entendeu bem o conceito e trabalhou super bem! Tempos depois ele me disse que não acreditava que ia dar certo quando começou a fazer (risos)… mas deu muito certo!

Vocês recrutaram Edu Falaschi para produção de “No Fear to Face what’s Buried Inside You”. Quais critérios utilizaram para a escolha? Edu contribuiu no desenvolvimento das músicas?

Fomos buscar o Edu por conta do trabalho dele no Almah. Sempre tivemos o “Motion” como uma forte influência de sonoridade e quando soubemos que praticamente ele compõe tudo que o Almah faz, achamos que seria uma ótima opção. Obviamente, por conta disso ele ajudou muito nas composições. Muito mais nas mais antigas, onde ajudou a mudar as estruturas e a arredondar muitos arranjos de voz, principalmente. Para as mais novas, pegamos o jeito rapidamente e tivemos poucas intervenções em estrutura e riffs, mas ainda assim, um bom suporte nas melodias, porém, mantendo as características do nosso som.

O álbum impressiona também pela excelente sonoridade, mixado e masterizado nos Estados Unidos por Damien Rainaud (Fear Factory, DragonForce e Babymetal). Gostaram do resultado final de toda produção?

Amamos! (risos) Se não tivéssemos gostado, não teríamos pago o Damien (risos). Obviamente demos muito trabalho pra ele no quesito mixagem, principalmente, mas ele soube captar o que buscávamos e fez um excelente trabalho. Não há nada no álbum que nos traga arrependimento. Tudo está como queríamos.

Meses após o lançamento de “No Fear to Face what’s Buried Inside You”, como você avalia a repercussão do disco perante  público e imprensa especializada?

Pela imprensa, não temos do que nos queixar. Todos os veículos de comunicação especializados em Metal, e praticamente todos os jornalistas especializados, colocaram o álbum entre os melhores lançamentos do ano passado. Para uma banda que começou do nada, com um EP, conseguir esse reconhecimento logo no primeiro álbum, é a maior das vitórias! Somos muito gratos pelo apoio e reconhecimento da imprensa! Já os fãs, isso é indescritível! Perdi a conta das pessoas que vem falar com a gente agradecendo por um álbum tão bacana e bem feito… isso não tem preço! Pra cada aperto de mão, felicitação e cumprimento temos certeza de que cada minuto dedicado valeu a pena!

Promovendo o álbum, vocês lançaram o lyric video “231” e o videoclipe “Payback Time”, ambos muito bem produzidos. Qual a importância do material audiovisual para o AttracthA? Há planos para novos vídeos?

Eu acredito que o material audiovisual é essencial para qualquer banda nesse momento do mercado. Muito mais do que na época dos videoclipes nas TV’s, hoje os vídeos nas mídias sociais expõem a banda de maneira completa, podendo levar muito conteúdo a todos os cantos do mundo. É de suma importância! Temos planos sim, para novos vídeos! Já temos algumas coisas prontas e outras em desenvolvimento. Aguardem novidades, logo mais!

Humberto, observamos que você tem realizado trabalhos em paralelo a banda, com vídeos mensais para sua coluna no canal Música Fácil e agora também com dicas profissionais para músicos no blog. Comente um pouco sobre seus projetos!

Bom, eu vivo e respiro música, 24 horas por dia. E eu tinha muita vontade de colocar algumas ideias em prática, como vídeos de dicas para iniciantes. O Musica Fácil abriu essa porta pra mim em 2015, quando fiz dois vídeos pilotos, que foram recordistas do canal durante muito tempo. A partir daí criamos a coluna que deve seguir ainda por algum tempo. Fora isso, iniciei meu blog, com a ideia de colocar num só veículo um pouco das minhas experiências no mundo de trabalho corporativo, afinal, paralelo à música tenho uma boa carreira como engenheiro numa grande multinacional no mercado de telecomunicações. Vejo muitos profissionais das artes, não só da música, cometendo muitos erros nas suas carreiras por falta dessa visão mais “profissional” de gestão da carreira. Então o blog vem pra colocar esse outro lado lá. Em breve estarei lançando mais um ou dois projetos na área de educação e disciplina. Espero que ajude muita gente!

Top 5. Faça um top 5 das bandas ou músicos que influenciam seu gosto musical e comente sobre cada um.

Meu Deus! Sempre me enrosco nesse tipo de pergunta (risos). Só 5? Não é justo! Vou tentar:

  1. Eric Carr (Kiss): tenho que mencionar o Eric Carr, porque ele foi o músico que me fez querer tocar. Eu já ouvia rock quando era criança, mas foi quando vi o primeiro vídeo dele tocando com o Kiss (o clipe de “I Love it Loud”) que decidi ser baterista;
  2. Iron Maiden: Quem viveu nos anos 80 e se tornou headbanger, com certeza deve isso ao Iron Maiden. Pra mim, eles foram os precursores da massificação do Metal no mundo. Apesar de não ser mais uma influencia musical hoje, é uma forte influência de gestão de carreira e caso de sucesso na indústria musical do Metal, sem dúvida! “Up the irons!”;
  3. Megadeth: Certamente a banda que mais me influenciou na adolescência, em conjunto com todo trabalho do Nick Menza. Foi um divisor de águas pra mim o “Rust in Peace”. Uma obra suprema!;
  4. Arch Enemy: Simplesmente adoro! Uma das melhores bandas na minha opinião, no quesito completo, de melodia, harmonia, performance e tudo mais. Escuto diariamente e não me canso;
  5. Kiko Loureiro: Não musicalmente, mas como profissional, acredito que o Kiko seja o músico brasileiro de metal de maior sucesso, devido à sua disciplina e seu profissionalismo. Me espelho muito na maneira como ele lida com a carreira para desenvolver meus projetos. Ele é um excelente profissional da musica e um músico muito talentoso.

Quais os planos do AttracthA para 2017?

Temos trabalhado pesado em conseguir manter uma frequência boa de shows, para divulgar o álbum e espelhar ainda mais o nome da banda no cenário. Queremos muito fazer mais shows pelo Brasil e pela América Latina entre 2017 e 2018. Como comentei antes, teremos mais material em vídeo saindo em breve para aumentar nosso portfólio e estamos tentando lançar o “No Fear…” na Europa e nos EUA. Torçam por nós!

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