“A música é uma linguagem universal”

Fotos: Annamaria DiSanto

Armored Dawn soa bem novo aos ouvidos brasileiros, mas vem conquistando o seu há bastante tempo. Nesse meio musical, tudo é uma questão de escolha. Eles escolheram as batalhas, a história nórdica para representar seu som. Com opiniões bem definidadas, toda a banda fez questão de conversar conosco. A banda é formada por Eduardo Parras, Fernando Giovannetti, Rafael Agostinho, Timo Kaarkoski, Rodrigo Oliveira e Tiago de Moura. Deleitem-se!

Por Pei Fon | Foto Annamaria DiSanto

Armored Dawn é uma banda nova, com apenas 3 anos de existência, mas já garante lugar em festivais e shows importantes. Conta pra nós como nasceu a banda.

Eduardo Parras (vocal) – A banda foi idealizada por mim há mais de 10 anos e teve algumas mudanças em sua formação até chegar ao nome Armored Dawn. O Rafael Agostino (teclado) e Tiago de Moura (guitarra) entraram em 2012. Em seguida, veio o guitarrista finlandês Timo Kaarkoski. Em janeiro de 2014, o baixista Fernando Giovannetti veio a fazer parte da banda.E em 2016, o renomado baterista Rodrigo Oliveira.

Em pouco tempo, a banda já conseguiu uma visibilidade na mídia internacional, tendo bons resultados. Ao que vocês atribuem?

Fernando Giovannetti (baixo) – Nosso trabalho sempre foi focado no mercado internacional e uma soma de fatores resultou em conquistarmos uma excelente visibilidade no exterior. Gravarmos nosso primeiro álbum na Dinamarca, tivemos uma grande campanha nas principais revistas especializadas da Europa, lançando CDs promos e, no começo de 2017, fizemos uma importante tour na Europa com uma série de 11 apresentações ao lado do Fates Warning.

Com essa pegada mais nórdica, ter um finlandês na banda ajudou ou a proposta já existia e só fez ampliar essa ideia?

Rafael Agostino (teclado) – A proposta sempre foi falar sobre temas medievais, batalhas e conquistas. A música “Viking Soul”, do nosso debut álbum, já havia sido composta antes do Timo entrar na banda. O mais engraçado é que ele sempre diz ser um finlandês com alma viking e coração brasileiro, então a música se encaixou perfeitamente para ele (risos).

 “Sail Away” é o novo single do segundo álbum que será esse ano. Como está sendo a receptividade da galera?

Rodrigo Oliveira (bateria) – A receptividade tem sido ótima! Conseguimos entrar diversas vezes entre as músicas mais tocadas da rádio KISS FM, em São Paulo, e nosso videoclipe já está batendo 1 milhão de visualizações. “Sail Away”, com certeza, é a música “comercial” do álbum, mas temos outras faixas bem pesadas, que também deve agradar fãs de metal mais tradicional.

ARMORED DAWN PHOTO SESSION

Ainda sobre o novo álbum, o que pode nos contar sobre “Barbarian in Black? Inspirações, temática?

Timo Kaarkoski (guitarra) – Este álbum já teve a temática toda inspirada em histórias vikings e batalhas medievais e as músicas estão bem variadas, entre temas épicos e riffs pesados.

Barbarian in Black” contou a mixagem e masterização de pessoas renomadas. O primeiro álbum também contou com esse aporte. Qual a diferença em buscar fora e não no Brasil?

Eduardo Parras – O ‘Barbarians’ teve a produção do americano Kato Khandwala e do brasileiro radicado nos Estados Unidos, Bruno Agra. O álbum foi gravado em nosso estúdio no Brasil, então podemos dizer que foi metade da produção brasileira, temos hoje profissionais muito competentes aqui, mas o Kato e Bruno foram essenciais para esse trabalho, nos ajudaram tanto na parte musical, como nos temas das letras, são produtores fantásticos.

Power of Warrior” foi lançado ano passado. Produção com grandes nomes da cena metal. Um ano depois vocês estão lançando material novo. O que isso significa para a atual realidade musical?

Tiago de Moura (guitarra) – Nosso primeiro álbum foi produzido pelo Tommy Hansen, que já trabalhou com bandas como Helloween, Jorn, o álbum foi lançado ano passado, mas foi gravado em 2015, então temos praticamente dois anos entre um disco e outro, a maioria das bandas hoje levam em média de 2 a 3 anos para lançarem álbuns novos, para poder focarem um período na promoção do álbum e posteriormente na tour, quando não há planejamento, a probabilidade do disco ou da tour não sair bem feita são muito grandes.

Agora em novembro participam do Dark Dimensons Folk Metal. Um festival assim é difícil de acontecer no Brasil, até por não termos vivido esse período, no entanto, muito admirado. Qual a importância deste em terras brasileiras?

Rodrigo Oliveira – Na verdade, o estilo medieval e viking vem crescendo muito em todas as partes do mundo. A cada 2 ou 3 meses temos grandes eventos aqui. Em especial, no Dark Dimensions Festival tivemos o privilégio de ser a única banda brasileira, mas há muitas outras bandas do estilo também no Brasil.

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Muitos conservadores implicam porque bandas brasileiras exaltam o medieval e não o indígena. Acredito que não é um desmerecimento histórico, mas, como tudo na vida, é afinidade. O que vocês podem falar a respeito?

Rafael Agostino – Exatamente, se trata mais em uma questão de escolha. Acredito que se cada banda falasse apenas da sua cultura regional, seria meio óbvio. Abordamos muito sobre temas de batalha, que é um tema universal e ninguém mais que o brasileiro entende disso, pois enfrentamos já há muitos anos batalhas políticas e sociais. Gostamos e respeitamos muito a cultura brasileira como a indígena, mas a música é uma linguagem universal e permite a abordagem de qualquer tema, independente da nacionalidade.

Top 5. Quais as principais inspirações da banda? Cite uma banda e fale um pouco sobre cada.

Eduardo Parras –  Nos inspiramos muito em música celta, clássica, a banda é bem eclética, cada um ouve coisas bem diferentes, mas temos sim algumas bandas em comum:

Black Sabbath: Em todas as diversas fases tem músicas fantásticas sempre cheia de riffs pesados e criativos.

Dio: É uma influência unânime pela banda, não só pelas linhas vocais fantásticas, mas também pelos riffs e solos criativos.

Deep Purple: Foi uma das primeiras bandas a introduzir música clássica de forma mais “RocknRoll”

Entre coisas mais “novas” também podemos citar bandas que ouvimos como: Pantera, Sabaton, Testament, Paradise Lost.

Por fim, o que podemos esperar do Armored Dawn em 2017? Muito obrigada. Sucesso enorme para vocês.

Eduardo Parras – 2017 tem sido um ano muito importante para a nossa carreira, tivemos muitas conquistas, diversos shows importantes e logo mais estamos dividindo o palco o De La Tierra em algumas datas no Brasil e Argentina. Esse vai ser o aquecimento para o lançamento oficial de “Barbarians in Black”, que acontecerá em 2018. Acabamos de assinar contrato com uma grande gravadora alemã, já temos também alguns shows importantes agendados na Alemanha, eles nos pediram um tempo para organizarmos uma bela campanha nos próximos meses. Acreditamos que 2018 será o ano mais produtivo da banda! Agradecemos ao espaço do Rock Meeting, e nos vemos nos shows!

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