A tatuagem realista

Arte por Patric Grazziontin

Trago verdades – A tatuagem realista

Por Samantha Feehily  (jornalista e modelo Wonder Girls)

Quem nunca pensou em eternizar o rosto de uma pessoa que admira na pele?! Pois bem, esse estilo, a princípio, foi mais utilizado por pessoas que tinham o desejo de tatuar algum retrato, o que fazia com que a reprodução tivesse que ser bem fiel à fotografia. Hoje, porém, é possível contar com criações exclusivas, em que o tatuador é procurado para elaborar um desenho e aplicá-lo na pele usando as técnicas realistas. Nada como poder dar ‘vida’ a um desenho da forma que ele realmente é!

Conhecidas por retratarem da forma mais fiel possível uma pessoa, animal ou objeto, utilizando técnicas de profundidade, cores e sombreado que garantem à tatuagem um aspecto muito próximo do real, o estilo realismo é a praia do tatuador Fernando Tampa, que trabalha atualmente na Tatuaria Reis.

Fernando começou a tatuar em 2006, meio que sem ter mais como fugir já que desenhava desde pequeno, por volta dos sete anos. Aos dezesseis anos começou a frequentar o estúdio de seu cunhado na época, o qual o iniciou no mundo da tatuagem. “O desenho está comigo desde moleque, desenhava copiando dos gibis que tinha, usando carbonos velhos que meu pai trazia pra casa, ele era cobrador de ônibus, então ali saia tudo falhado e eu ia olhando e fazendo, e assim foi evoluindo, lá pelos 16 anos, minha irmã namorava um tatuador de bairro e eu frequentava o estúdio e tudo mais, ali foi surgindo a vontade de tatuar, mas só criei coragem já com 21 anos, nunca fiz curso de desenho, pintura ou outro, somente workshops de tattoo mesmo”, conta o Fernando.

Arte por Patric Grazziontin

 

Para o tatuador Patric Grazziontin, o realismo tanto preto/sombra como colorido é “como um quebra-cabeça, montado peça por peça com MUITA paciência. Gosto muito de trabalhar com bastante contraste ir das cores pesadas e intensas até a luz os tons claros que iluminam a tattoo.  Pra mim quanto mais detalhes e texturas melhor”.

Para uma boa tatuagem realista é preciso avaliar alguns detalhes importantes, além da escolha do profissional, a qualidade da foto utilizada como referência também influencia no resultado final. Fotos fora de foco ou com má iluminação dificultam bastante o trabalho do tatuador. É preciso, também, ter cautela na hora de escolher a parte do corpo que será tatuada. Algumas regiões podem acabar deformando o desenho e fazendo com que ele fique bem distante do real. Costela e barriga são exemplos de regiões que podem tornar a tatuagem irreconhecível ao longo do tempo. “Não é qualquer lugar que a tattoo fica boa, especialmente, por causa da anatomia do corpo, sempre se tem que ter esse cuidado para não distorcer um rosto devido a região do corpo, aliás, isso serve não só para o realismo né, mas pra todos os estilos”, alerta. Quando se trata de rosto “evito alguns lugares, juntas e áreas estreitas do corpo, para não distorcer. Áreas mais planas dão um resultado melhor”, conta Patric.

Viver de arte não é fácil, cobrar pela sua arte é pior ainda, “o grande problema é ficar restrito a usar somente os materiais ‘legalizados’, além do bloqueio que temos desde a infância em relação a arte em geral, quando adultos nem podemos usar um material de primeira pra desenvolvermos melhor os trabalhos, isso é desmotivador no Brasil, e a desvalorização da tattoo que vem acontecendo também é ruim, isso devido ao grande número de novos tatuadores e pessoas que na real só veem um jeito de ganhar dinheiro com isso, tratam a tattoo como um emprego, e não como arte…” expõe Tampa.

Arte por Patric Grazziontin

Aos que acham que podem ser tatuadores e que esperam dicas, lá vai: “Você entendendo de anatomia já é o primeiro passo para ser um bom tatuador, o desenho não precisa ser necessariamente o mais foda do mundo, eu mesmo desenho, mas não tenho muita paciência no papel, prefiro tatuar, muito mais legal de fazer, fui evoluindo meu desenho, dessa forma, na pele mesmo. Workshops são a melhor forma de adquirir conhecimento, cada um tem uma coisinha para passar. Convenções são legais, pois você vê os outros tatuarem. Eu sempre estudo outros estilos, nem que seja observando fotos, neo trad me influencia muito, assim como o new school, preto e cinza, oriental, full color, um trabalho bem feito sempre inspira, seja pela criatividade, aplicação, linhas firmes, enfim, eu vivo e respiro tattoo o tempo todo, essa é minha vida e não consigo mais ficar sem isso!”, finaliza Tampa. E Patrick é categórico, “desenhar é fundamental, ter noção de luz, sombra e anatomia, com certeza faz toda a diferença em uma boa tatuagem. O tatuador tem que estar em constante estudo, nunca s chega em um máximo, quanto mais curso, mais desenho, mais vídeos, tudo que te traga conhecimento, melhor. Primeiro de tudo arriscar todos os estilos. Nem sempre oque você mais gosta é o que você vai ser melhor, no início e não queria usar cor de jeito nem um, só queria preto e sombra, até descobrir que as cores também eram legais perdi um bom tempo. Aí depois que encontrar seu estilo, mergulha nele, e novamente estuda o máximo que der e mais um pouco”.

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