Depressão e suicídio

Thaisa Carvalho

Precisamos falar sobre depressão e suicídio

Um estudo divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou uma realidade chocante no Brasil: 32,3 casos de suicídio são registrados por dia no país, isto representa uma média de mais de uma morte por hora. A ideia de que o ato tem relação com doenças mentais, como depressão, por exemplo, é consolidada. Entretanto outros fatores que podem contribuir para que uma pessoa recorra ao ato.

O suicídio pode e deve ser considerado um grave problema de saúde pública. O que se estima é que cerca de seis a dez pessoas, no mínimo, são afetadas de maneira direta quando ocorre o suicídio de uma pessoa próxima. Este é um comportamento determinado por uma diversidade de fatores – psicológicos, biológicos, genéticos, culturais, sociais – e por isso não pode ser tratado como um acontecimento isolado na vida de uma pessoa.

Sempre vai existir uma grave fragilidade que precisa ser compreendida, pois, em geral, a decisão de terminar com a vida, independente do ponto de vista ao qual é analisado, é a consequência final de um processo de grande sofrimento. Algumas vezes a pessoa pode não desejar de fato morrer, mas sim eliminar a dor insuportável que vem sentindo.

Aqueles que já tentaram suicídio em algum momento de sua vida têm de cinco a seis vezes mais chances de tentar novamente, sendo esse o fator de risco mais significativo. Também não é possível ignorar que a maior parte dos que tiraram a própria vida tinham um transtorno mental que frequentemente não foi identificado ou mesmo tratado adequadamente. As psicopatologias mais comuns que apontam um fator de risco para o suicídio incluem depressão, transtorno bipolar, transtornos de ansiedade, alcoolismo, abuso de drogas, transtornos de personalidade e esquizofrenia. Por conta disso o diagnóstico correto é também uma forma de prevenir a mortalidade nessas situações. Pesquisas apontam ainda um aumento da necessidade de atenção entre aqueles com história familiar de suicídio ou de tentativas.

Debora

Falta de esperança no futuro, desespero, desamparo e impulsividade, são as emoções mais comuns que podem se associar ao comportamento suicida. O impulso para cometer suicídio pode ser transitório e desencadeado por eventos do dia a dia – recriminação, fracasso, falência. Quando uma pessoa decide terminar com a sua vida ela é incapaz de perceber outras maneiras de enfrentar ou de sair do problema.

Existem inúmeros mitos sobre o comportamento suicida. O primeiro é de que quem ameaça, quer apenas chamar a atenção. Esse é um pensamento inadequado, pois a maioria dos suicidas falam ou dão sinais sobre suas ideias de morte. Também existe um certo tabu em relação ao tema, como se verbalizar o desconforto da vida causasse um aumento do risco, porém falar com alguém pode aliviar a angústia e a tensão que esses pensamentos trazem.
A prevenção ao suicídio passa pela mesma proposta de qualquer intervenção em saúde mental. É preciso que, não só os profissionais da área da saúde, mas familiares, professores e toda a sociedade, sejam capazes de reconhecer quando um fator de risco está presente. É possível que facilitando o apoio emocional necessário para reforçar o desejo de viver, a intenção e o risco de suicídio venha a diminuir. Em geral, sentir que existe ligação afetiva com um grupo ou uma comunidade auxiliam a pessoa a lidar com a ideação suicida. Quanto maiores e mais sólidos os vínculos sociais, menor a mortalidade por suicídio.

Thaisa Carvalho

Depressão e prevenção de suicídio

 Esta doença causa um sofrimento intenso no indivíduo, que de repente se vê sem forças e sem energia para as atividades que realizava habitualmente. É comum o indivíduo deprimido se culpar pelo que está sentindo, achando que é preguiça ou má vontade de melhorar. Entretanto, é importante salientar que a depressão é uma doença que requer tratamento e não depende apenas da força vontade da pessoa para se recuperar. É essencial também apontar a diferença entre tristeza e depressão. Todos nós ficamos tristes de vez em quando e isso é normal. Na depressão, essa tristeza não passa e começa a prejudicar várias áreas da vida como o trabalho, os estudos e a relação com amigos e família. Podemos dizer que a pessoa deprimida olha com uma lupa todos os problemas e dificuldades e por outro lado quase não enxerga ou minimiza as coisas boas de sua vida. “Inicie processos terapêuticos muito nova, com uns 5 anos, na época quem me levava às terapias era minha mãe, devido a agressões que eu sofria e coisas que passamos na época também relacionadas a agressão, lembro que nessa época, nós ficamos algum tempo fugindo, de um ente de nossa família, por medo, então nessa época eu comecei a desenvolver traumas os quais carrego comigo até hoje. Os anos passaram e eu parei de ir às terapias, mas as agressão e palavras que me machucavam continuavam doendo, então resolvi procurar ajuda novamente, para que eu soubesse lidar com o medo com a dor se, sentia , e até um sentimento de culpa, mesmo sabendo que eu não tinha culpa, pois eu  era apenas uma criança, mas queria entender o porquê de tanto sofrimento, então iniciei as terapias, porém nunca conseguia terminar porque me doía muito, e em várias terapias eu passava mal. Uns anos após minha irmã mais velha, que também sofria de depressão,  infelizmente tentou suicídio. Hoje faço terapia, a pouco tempo, porém amo minha terapeuta, consigo falar sobre todos os meus sentimentos, com ela, e tenho conseguido sair dessa maré de dor e tristeza guardada, porém nunca é fácil, mas como minha terapeuta diz: é preciso doer, para que nunca mais doa!”, diz Thaisa Carvalho, 24 anos, modelo Wonder Girls e técnica em segurança do trabalho.

Pessoas com depressão têm mais chance de pensar na possibilidade de suicídio, tentarem se suicidar ou se suicidarem. Por isso é importante que familiares e/ou amigos ficarem atentos a qualquer sinal de que a pessoa esteja fazendo planos nesse sentido. Muitas vezes a pessoa deprimida comenta que quer se matar e as pessoas à sua volta acham que ela está só querendo chamar a atenção.  É importante entender isso como um pedido de socorro e imediatamente comunicar ao psiquiatra e psicoterapeuta para obter a orientação necessária. O suicídio é um tema tabu do qual se fala pouquíssimo. As pessoas têm, inclusive receio de perguntar a um amigo ou familiar se ele tem ideias suicidas, mesmo que suspeitem que ele esteja cogitando se matar. Em ambientes de trabalho ou universidades em que uma pessoa cometeu suicídio, apesar do sofrimento, também se percebe um bloqueio em se falar do assunto.  É como se as pessoas achassem que falar de suicídio fosse incentivá-lo e é justamente o contrário. A melhor forma de prevenir é ter abertura para falar do assunto. Quando se aborda o assunto é possível ajudar, pensar em outras possibilidades e buscar ajuda profissional.

É importante frisar que em torno de 90% das pessoas que cometem suicídio apresentavam transtornos mentais e uma boa parte destes suicídios poderiam ser evitados com tratamento psiquiátrico e psicológico.

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