Mãe é tudo igual

Simone Lima- Wonder girls

Mãe é tudo igual, só muda o estilo de tattoo

 

Materia Samantha Feehiy e Iúri Cremo (Wonder Girls )

Ser mãe é padecer no paraíso, não?! Agora junte a essa conta o preconceito por ser uma mãe – jovem ou não! – tatuada… Pois é, tudo fica ainda mais difícil, não para elas, claro, mas para a sociedade que ainda vê na arte da tatuagem um estigma preconceituoso.

Em nossa sociedade, dita moderna, ainda observamos estereótipos e padrões que predominam na maneira como é esperado o perfil de cada papel social que desempenhamos, seja papel de mãe, profissional, de mulher ou homem. É muito comum esbarrarmos ainda naquela imagem de mãe tradicional (o que é ser tradicional?), aquela mãe protetora e acolhedora, sempre vestida em tons pastéis… Pois bem, o ano é 2017 e cada dia vemos mais mães tradicionais rabiscadas que exalam amor, zelo e proteção tão bem (ou melhor) do que as chamadas mães tradicionais.

Mas como quebrar esse preconceito? “Sutilmente, acredito que é a melhor maneira. Estardalhaço a gente deixa pra lá. Um desenho é um desenho, pra alguns uma lembrança, para outros, propósitos, para outros, nada demais… Acredito que é o lance de ‘entrar e fazer o que tem de fazer’, sem drama, nem rodeios, ser competente independente dá área ou lugar. A sociedade tá mudando no que diz respeito a imagem, nós ganhamos espaço”, diz a modelo Wonder Girls e mãe, Aline Guissan.

Criar filho não tem a ver com tamanho, cor (ou cores!), peso, religião e sim como a forma que você precisa educá-los para que sejam pessoas melhores do que a gente.  “O diálogo com a criança precisa ser constante, estimulando sentimentos como generosidade, compaixão e amor ao próximo. As diferenças são sementes para um terreno fértil para crianças crescerem com mentes saudáveis e flexíveis às diferenças e mudanças”, explica a psicóloga Dra. Cristiane Pertusi.

Sabemos que a tatuagem ainda carrega um certo ar de rebeldia, e as mamães tatuadas precisam estar sempre atentas para que isso não seja um problema para os pequenos. A tatuagem pode ter diferentes significados relacionado com a história pessoal, momento de vida e características de personalidade de cada um. Não existe fórmula, mas alguns ingredientes podem ajudar, como um bom vínculo afetivo, diálogos, exemplos positivos para lidar com temas complexos,  e tranquilidade e naturalidade para discutir e compreender todos os assuntos que a vida trouxer. “É tentar mostrar que tatuagem é arte e não significa que somos ‘marginais’ por isso, vou tentar passar para minha filha, que nosso corpo é algo inteiramente nosso, e podemos fazer o que nos faz sentir melhor”, reforça Karen Ellqvist, mãe e modelo Wonder Girls. “É um caminho árduo ainda quebrar por completo essa barreira, cabe a nós mães tatuadas mostrarmos que nossas arte na pele não diminui nossa capacidade de sermos mães responsáveis e presentes na vida dos nossos filhos, ensinando valores que realmente transformem nossos filhos em bons cidadãos”, confirma Simone Lima, mãe e modelo Wonder Girls.

Aline guissan

Mãe, quero me tatuar!

Proibir ou liberar? Tornamo-nos pais e temos nossos filhos, e um dia eles talvez chegarão com o papo que querem fazer uma tatuagem ou colocar um piercing em algum lugar. Como pais, geralmente não incentivamos, e procuramos deixá-los conscientes do que essas ações acarretarão em suas vidas. Isso é uma grande decisão, não um assunto qualquer.

Pais e adultos não devem julgar os adolescentes pela capa, ou focar demais na parte física, mas ajudá-los a entender que sua personalidade e inteligência emocional é o que mais importa. A conversa sobre tatuagens e piercings pode ser uma boa oportunidade para ajudar os filhos a terem mais visão do futuro que sonham para si mesmos. “Os limites podem ser negociados e compreendidos dentro do bom senso dos pais e de acordo com a idade dos filhos. Limites são negociados e colocados dentro da ideia que respeite faixa etária do filho, não traga proibição ou conflitos rígidos no vínculo pai e filho. Vale lembrar, não queira ser compreendido se a frase em questão estiver em jogo for ‘faça o que eu digo, mas não faça o que faço’, esse tipo de mensagem não gera bons exemplos e empatia nas relações afetivas”, explica Dra. Cristiane Pertusi.

“Nós somos o espelho dos filhos e é um processo constante de aprendizagem, então tudo depende de como nos comportamos perante eles, que nos veem como exemplo a ser seguido. Meus filhos já me perguntaram se quando forem grandes poderão ser tatuados como eu, minha resposta sempre será, se te faz feliz e não prejudicará ninguém, vá em frente, seu corpo suas escolhas”, frisa Simone Lima. “Temos de mostrar que tatuagem não é sinal de rebeldia. E sim de vontade de gravar algo, marcar um instante, uma fase ou até mesmo só de ter um desenho ali pra sempre. Cada um fazer o que quer não deve nunca ser apontado como sinal de rebeldia e sim de individualidade assumida, cada um com o seu e respeito máximo pelo outro”, esclarece, Aline Guissan.

Karenellqvist

Na escola

Sabemos que não há ambiente mais cruel do que a escola. Contornar os olhares preconceituosos dos pais do amiguinhos dos filhos também não é tarefa fácil. “Estou começando a viver essa experiência agora e não tenho tido insatisfação nesse quesito, para os amiguinhos ele já contou que sou a mamãe cheia de desenhos. Hoje educo para que ele não ligue para como quer que sejam os pais das outras crianças, ensino-o a se preocupar sempre em aprender com o outro do que se indispor”, diz Aline Guissan.

“A escola, assim como em outros lugares é difícil, infelizmente o mundo nos vê como revoltados, marginais, irresponsáveis e sem capacidade alguma de cuidar de uma criança, é preconceito em todo lugar e em qualquer hora, mas vamos ensinar nossos filhos que independente do que falem, ele sabe que nada daquilo que dizem é verdade, então não ligar” planeja Karen Ellqvist.

“Olhares preconceituosos são comuns nas reuniões escolares, mas o que me deixa muito feliz é que quando as professoras falam sobre o comportamento exemplar e as notas impecáveis das crianças, propositalmente falam em alto e bom som para todos os pais ali reverem seus conceitos, muitos ali associam tatuagem com rebeldia e irresponsabilidade, até mesmo negligência com os próprios filhos e o fato d’eu poder mostrar o contrário me deixa muito orgulhosa. Na escola sou bem presente, participo das reuniões e eventos, gosto de estar por dentro de tudo que acontece e sobre a barreira que existia entre mim e os funcionários no início, foi quebrada à partir do momento que eles viram minha dedicação na construção do caráter e no interesse em relação ao aprendizado escolar das crianças”, explica Simone Lima.
Para a psicóloga Cristiane Pertusi, “uma abordagem positiva nesse caso é sempre a melhor opção, mostrando visões diferentes do mundo, porém sem instigar raiva e visão preconceituosa e/ou raivosa. Sempre estimular uma compreensão e de que não se combate preconceito com outro preconceito.  Buscar a escola como apoio para tratar o assunto na coletividade”, garante.

Ser mãe foi a melhor escolha que fiz na vida, me deu maturidade, confiança, me fez ver o mundo de uma maneira mais ampla, são duas vidas que serão moldadas de acordo com cada escolha que eu fizer e isso e é uma responsabilidade e tanto, vibro com cada aprendizado, a cada sinal de que eles estão se tornando pessoas generosas,educadas, sou uma mãe coruja de carteirinha, finaliza Simone.

 

 

 

 

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