Retrospectiva 2018

Retrospectiva 2018 – O ano em que o Metal brasileiro colapsou…

Foto: Camila Cara

Por “Metal Mark” Garcia

O ano de 2018 vai deixar marcas severas no cenário Metal brasileiro que, talvez, não consiga se reerguer novamente. Os danos são severos e as pessoas, cegas.

Vamos por partes.

Metal e política:

É o pior dos assuntos. Nunca se viu tamanha divisão no cenário por causa de algo. Mas como já fora avisado antes nessa coluna, esta vocação milichata que se infiltrou no meio tem um preço, e que está sendo pago em amargas prestações.

Se não repararam, desde janeiro até a divulgação do resultado das eleições, os bangers brasileiros largaram TUDO de Metal em prol de “#elesim” e “#elenão”. Sinceramente, deveriam crescer e entender que, quando falamos de democracia, as pessoas têm direito de votar em quem elas bem entenderem, e sem serem julgadas por isso. Não é uma apologia ao presidente eleito, mas uma crítica dura aos que querem transformar o Metal na nova MPB. Seja você fã, músico, escritor ou outra coisa, deveria se questionar sobre suas ações. E para ser bem sincero, foi a empáfia de muitos que elegeu o atual presidente eleito. Sim, a empáfia da esquerda e dos milibobos que criou e fortaleceu a oposição. As causas sociais que vemos sendo veiculadas não são injustas, mas querer enfiar as coisas goela abaixo dos outros, ainda mais pela internet, não funciona.

Sequerem entender o sentido dessas palavras, melhor procurarem um vídeo no Youtube do comediante britânico Tom Walker, interpretando o repórter fictícioJonathan Pie sobre a eleição de Trump. Os paralelos com o que ocorreu por aquichegam a ser assustadores: 

E chega desse assunto. Aliás, ele está eleito e governará o país pelos próximos quatro anos, logo, parem de encher a paciência com fakes news e outras chaturas. Deveriam ter sido críticos quando a esquerda, que ficou 16 anos no poder (se votou em Dilma, votou no Temer, ponto final), aprontou, mas ficaram quietos por causa de ideologias. Hashtags, filtros, isso não muda o mundo, não é protestar com a cabeça. Agora, aguentem!

Lançamentos:

Uma pena a perda de tempo com política em que muitos se envolveram. Orphaned Land, Dimmu Borgir, Amorphis, Riot V, St. Madness, Watain, Saxon, Judas Priest e tantos outros grupos relevantes lançaram seus novos discos, mas poucos foram os fãs que pararam para escutar com calma cada um deles. A internet encheu-se de opiniões insípidas que não traduziam o que esses discos tinham a oferecer. Mas a orientação política faz dessas coisas…

Das bandas nacionais, Angra e Krisiun lançaram seus discos novos. O primeiro foi muito bem, graças “Black Widow’s Web”, que pela participação de Sandy, chamou muito a atenção do público. O Krisiun veio com “Scourge of the Enthroned”, mas como o disco saiu muito perto da eleição, poucos foram os comentários sobre ele. Se o Facebook servir como um termômetro, a coisas não foi lá tão bem assim para o trio (embora o disco seja ótimo). O Soulfly lançou seu disco novo, assim como o Krisiun, não teve a repercussão esperada por aqui.

Aliás, nem o todo-poderoso Iron Maiden, pois o ao vivo “The Book of Souls: Live Chapter” mal foi falado em postagens na internet. Se nem ele se saiu tão bem como o de costume em um cenário como esse, o que dirá bandas menores…

Shows:

Muitos shows bons foram vistos esse ano. Kreator, Arch Enemy, Judas Priest, Accept, e tantos outros fizeram bonito por aqui. E com o anúncio de alguns nomes do próximo Rock in Rio (como Scorpions, Megadeth, Iron Maiden), pode ocorrer um processo de renovação do cenário. E isso é bom, bastando algumas caveiras velhas que cismam de aborrecer a garotada ficarem curtindo seus velhos vinis arranhados e mofados na deles.

Mas ao mesmo tempo, o underground vai pagar uma alta conta por causa da política, pois adaptando a frase de Churchill, “nunca tantos bloquearam tantos em tão pouco tempo”, já que a política colocou banger contra banger. Uma pergunta carece de resposta: será que algum militante iria a um show de uma banda onde um dos integrantes é conservador, ou vice-versa? Pelo que se viu na internet, a resposta é não. E assim sendo, como os produtores vão pagar um evento?

Tempos negros se aproximam…

Mortes:

“Fast” Eddie Clarke (ex-Motorhead), Jim Rodford (do Argent), Craig MacGregor (Foghat), Erik Lindmark (do Deeds of Flesh), Dave Holland (ex-baterista do Judas Priest), Chris Tsangarides (produtor que trabalhou com Judas Priest, Anvil, Thin Lizzy e outros), Pat Torpey (baterista do Mr. Big), Vinnie Paul (ex-Pantera), Ralph Santolla (ex-guitarrista de Death, Obituary, Deicide e outros), Marty Balin (vocalista e fundador do Jefferson Airplane), Geoff Emerick (engenheiro de som que trabalhou com o The Beatles nos álbuns Revolver, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, The Beatles e Abbey Road), e tantos outros fizeram sua passagem em 2018. Este texto é do início de dezembro, logo, mais alguém pode ir, mas fica a ideia de agradecer por suas contribuições. Mas uma morte bem sentida por fãs de Metal foi a de Stan Lee, pai do universo Marvel, mesmo não sendo do meio, e superou mesmo as tretas políticas.

Mas é preciso lembrar-se da mortalidade, e que cada um dos citados acima legou algo de bom ao mundo. Agora, é aproveitar o que foi deixado, juntamente com o que os novos podem dar.

Polêmicas:

A maioria delas causadas pelo pensamento politicamente correto militante. JÁ DEU!

Toda hora começa essa avacalhação de “machista-homofóbico-fascista-mimimi” que já cansou a paciência. Ninguém é nada disso por gostar dessa ou aquela banda que não apoia sua ideologia. Se você realmente acredita nisso, é um problema seu, e não de todos. Mas se você se acha no direito de se meter na vida/gosto alheios, seu lugar não é no Metal, mas sim na MPB. É o estilo de música/letra/atitude na medida. Saiam da caverna, ou saiam do Metal, porque está CHATO aturar este tipo de coisa.

No mais, que no próximo ano, vocês se importem mais com a música do que com partidos e ideologias, e desejo a todos um 2019 cheio de alegrias a todos e suas famílias.

Leave a Comment

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.