Mötley Crüe

Por “Metal Mark” Garcia

Sendo um fã de Metal e Rock de muitos anos, confesso que tenho gostado bastante das produções cinematográficas focando as bandas dos gêneros. E pelo visto vem mais por aí, cruzemos os dedos! Isso pode restaurar o Metal ao topo, como era em 1986, bem como poderá trazer novos fãs ao gênero.

Mas é interessante como, mesmo depois de 30 anos, o quarteto Mötley Crüe ainda consegue causar furor e polêmicas para todos os lados!

Por Paul Brown

Os dois parágrafos se unem em uma ideia central: com o lançamento de The Dirt (filme baseado na biografia de mesmo nome) pela Netflix, todos tiveram acesso ao que se encontra na história do grupo. Tá, têm coisas que nem foram citadas no filme, mas difícil equilibrar a necessidade de se expor tudo com a duração de um filme.

Basicamente, The Dirt conta aspectos referentes à banda, aos seus altos e baixos, e mesmo o conflito de egos entre Nikki, Vince, Mick e Tommy, bem como todas as loucuras e dramas pessoais. Aliás, que se diga que as atuações de Douglas Booth (Nikki Sixx), Iwan Rheon (Mick Mars, mas o ator é a cara do Tom Warrior do Celtic Frost), Colson Baker (Tommy Lee) e Daniel Webber (Vince Neil) são ótimas.

Mas as polêmicas que surgiram: Em uma matéria da Rolling Stone (que pode ser lida aqui), Tommy soltou cobras e lagartos às críticas feitas ao filme. E não deixa de ter motivos para tanto.

Mas sinceramente: as críticas são dignas da infantilidade das doutrinações. Dizer que The Dirt é um filme “humilhante para as mulheres” (Madison Vain da revista Square), que eles “tratavam mulheres como panos de prato” (The Altantic) é um reflexo de militâncias, quando na realidade, The Dirt só conta eventos históricos. E como tais, são fatos, e com fatos não existem argumentações ou debates: se aceita que ocorreram, pois fazem parte da vida deles quatro. As drogas, as mulheres, os discos, a convivência e brigas, bem como a doença crônica de Mick (Espondilite anquilosante), a vida familiar e overdose de Nikki, a agressão física de Tommy à sua noiva, bem como a vida de Vince mudou devido ao impacto das mortes do baterista do Hanoi Rock Nicholas “Razzle” Dingley e da filha Skylar. São fatos duros de encarar para eles, mas ocorreram. Você pode não gostar dos fatos, não tem o direito de maquiar a verdade para satisfazer egos militantes.

Simples assim.

Mas o mais legal é ver que o Mötley Crüe ainda é capaz de criar polêmicas, seja contra os setores mais conservadores, contra os politicamente corretos engajados, enfim, contra tudo e todos. Definitivamente, ver estas reações trouxe memórias de quando eles eram ofendidos (mesmo pelos headbangers mais radicais nos anos 80) como gays (por causa do visual andrógino, tão comum da época nos EUA) e, no entanto, cada um deles deve ter pego em uma única tour mais mulheres que todos os seus detratores juntos (risos)… Ah, aqueles anos foram realmente mágicos.

Lembro-me de uma polêmica na época em que os primeiros trailers de Bohemian Rhapsody (o filme biográfico do Queen): militantes queriam porque queriam enfoque no lado gay de Freddie. Não vi esse filme ainda, mas quando rebusco minhas memórias pessoais, é fácil lembrar que ninguém afirmava com toda certeza que ele era gay. Mesmo porque a vida pessoal dele era algo bem fechado. Além disso, o público da época não se importava com a vida pública, ou seja, apenas com a música e os shows. Só se soube com 100% de certeza que ele era aidético quando foi divulgada uma carta aberta para todos, escrita um dia antes de sua morte. O filme deveria passar e falar nesse ponto, mas não poderia ser o foco. O Queen não é somente Freddie…

Politicamente correto ou incorreto, a verdade é que o Mötley Crüe continua sendo aquilo que é: ofensivo, ferino, provocador, e ainda destila música da melhor qualidade. E The Dirt pode ser um dos estopins para uma nova invasão Metal no mundo.

E que venham outros!

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