A amizade e o Metal

A amizade e o Metal, a hipocrisia fede…

Por Marcos “Big Daddy” Garcia

Muitos e muitos são os problemas que existem dentro do cenário nacional do Metal. Mas um é objeto de interesse desse autor nos últimos anos: o número de amizades desfeitas no Metal por muitos motivos.

E uma pergunta: com quem vocês aprenderam o valor de uma amizade? Com o Temer, o Lula, a Dilma, o Bolsonaro, o Jean Willis ou outro desses fascínoras? Ou foi com aquele professor doutrinador chato que ganha os tubos e não dá a cara à tapas (mas quer que você coloque a sua)?

Apesar das referências políticas acima, não quero falar mais sobre isso. Acho que todos estão bem de saco cheio em ver como amizades andam sendo destruídas em nome dos vermes acima, dentro e fora do Metal.

Vou citar um exemplo. No ano de 2014, eu tinha muitas amizades nos vários segmentos do Metal. Sempre fui bem quisto, mas foi eu fazer amizade com cristãos, e pronto. Devo ter perdido por volta de umas 20-25 “amizades”. Se bem que não vejo quem partiu como amigos reais, já que a amizade implica na palavra respeito. Provavelmente, alguma casualidade nos uniu, e do lado deles, nunca houve amizade.

É um bom ponto de partida: amizades entre cristãos e headbangers dentro do Metal. Me focarei nesse aspecto, mas serve para qualquer outro que pense.

Parem para pensar: já viram o número de capetosos chatos e ateus militontos enchendo a paciência? “Banger de verdade não tem amigos cristão”, ou coisa do tipo deve ser pregada nos púlpitos dos bares onde muitos enchem a cara para falar esse tipo de merda.

Desculpem, mas eu não sigo suas regras, não vejo o mundo através delas, ou aceito que pensem por mim. Aliás, não me justifico diante das pessoas por nada que eu faça, e creio que este deveria ser o proceder de todos. Mas o encapetamento do Metal “pós anos 90”, depois que as primeiras entrevistas de bandas radicais de Black Metal chegaram aos fãs do Brasil, nunca mais houve paz. Nos anos 80, eu mesmo era católico, tinha amigos ateus no Metal, e nunca tivemos problemas por isso. Aliás, o que nos unia era a música, além do ideal de tornar o Metal grande. Mas o radicalismo que praticávamos (do qual me purifiquei em 1990, graças ao FireHouse) nos dividiu e enfraqueceu, coisa que muitos tiozões do Metal não admitem. Sou um deles, tenho 34 anos nessa vida de Metal nas costas, e estou quase com 50 de idade, mas vivo ensinando aos mais jovens: antes de tudo, seja fiel a si mesmo, as suas convicções.

Ou seja, a música que antes unia tantos, hoje virou motivo de caçada às bruxas e total enfraquecimento da mentalidade individual!

Só para terem a noção clara das coisas. Em 1993, a Rock Brigade Records lançou a versão em vinil do “Scrolls of the Megilloth”, do Mortification por aqui. O vinil sumiu muito mais rápido das lojas que muitas bandas de Death Metal da época. Óbvio que tiozões cabeça fraca (ou que precisam de um papa Nicolau para as merdas que saem pela boca) irão dizer que foram “os White”. Não, não foram. Foram todos os fãs de Death Metal que gostaram do disco e adquiriram. Só bem depois que se soube que vários fãs e artistas mandaram cartas à Nuclear Blast (gravadora de licenciou e distribuiu o disco) reclamando de uma banda cristã no selo, e tiveram resposta pública que deve ter feito muitos deles saírem com a bunda para cima, pois a carcada foi firme e bem bruta.

Devem estar sem as pregas do bufante até hoje.

Muitas bandas de Death Metal nacionais usavam camisetas, curtiam o som e não prestavam contas às corregedorias do Metal do baixo underground. Mas sabe-se lá de onde o capetismo chato entrou no cenário. Daí, criou-se essa dualidade estúpida, que retira das pessoas o direito delas ouvirem o que bem desejarem.

E não, isso não é papo de bandas do Black Metal. Muitos vivem nas deles, sem se incomodarem com escolhas alheias (óbvio que um ou outro apronta gracinhas, mas são poucos). Os bangers “tias do muro ou da janela” (a tradicional fofoqueira que fica espiando a vida alheia em telenovelas e seriados cômicos), são ligados ao típico Metal Old School, ou seja, a uma parte enorme de clonadores do que foi feito nos anos 80, o que justifica o radicalismo voltar quando ele já estava morto.

Podem existir quantas tias existirem, podem falar o que desejarem deste que vos escreve, pois eu quero mais que se fodam todos eles. Amizades para mim estão acima do Metal. O Metal para mim tem uma atitude que eu gosto, a de mudar sua forma de pensar e te fazer buscar algo melhor para si. Mas isso não implica que algum titio(a) tutrue tenha o direito de te manipular. Aliás, se ele disser “ou o Metal ou as amizades”, você não tem que escolher, pode ter ambos.

Eu mesmo tenho um amigo que, basicamente, me acompanha desde que nascemos. A diferença de idade é de meros 3 meses. Ele é cristão, pastor, pai de família, e eu estou sempre com ele e a família dele. A amizade não fraquejou ou esmoreceu pelo Metal. Aliás, ele é pastor e eu ateu, e nunca discutimos por isso esses anos todos, nem mesmo ele desejou que eu largasse minha música ou forma de pensar em nome da amizade. E eu não sou o ateu chato e militante de Facebook que acha legal encher o saco nas mídias sociais, mas vai tomar benção à mãe ou ao pai depois. Aliás, muitos desses não dormem de luz apagada em casa.

Em suma: não abra mão de seus amigos pela religião, pela etnia, pela visão política, pelo gênero ou orientação sexual, pois cada um tem o direito de ser aquilo que é (inclusive você, caro leitor). E menos ainda jogue o encargo sobre o Metal, pois ele não te obriga isso (mesmo que o tutrue diga o contrário).

Aliás, o que existe de tutrue que é amigo de pessoas cristãs (mas esconde para os coleguinhas de classe e copo não saberem e não tomar um boicote) é bem grande. E a essa coisa de não poder ser ele mesmo o leva a ser um hipócrita.

Não seja hipócrita, pois o Metal não te pede isso. Aliás, ele nem te pede para deixar de ser o que é.

 

 

 

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