Cavaleras vs Sepultura

A novela mexicana mais chata de todos os tempos.

 

Por Marcos “Big Daddy” Garcia

 

Em geral, este autor que vos escreve não gosta de tretas dentro do Metal. Delas, nunca sai algo bom, é sempre chato e tem um preço alto. Por mais que alguns imbecis nunca percebam, nosso estilo paga o pato. Mas tem uma picuinha dos infernos que já deu no saco de todos nós, uma eterna novela mexicana que PUTA QUE NOS PARIU, já deu: a eterna “O Direito de Amar” entre os irmãos Max e Iggor Cavalera com o Sepultura.

Já repararam que não passam seis meses sem que ter um capítulo dessa novela?

E que me perdoem fãs, empresários, assessorias de imprensa, mas isso já deveria ter acabado há muito tempo. Mas não, as malditas “cenas dos próximos capítulos” nunca cessa, é um oceano de choro e dor de cotovelo que ameaça afogar todos nós.

Refrescando a memória de todos: conforme narram as mil e uma versões do assunto, o cerne da questão se deu porque Andreas, Paulo e Iggor não queriam mais ter a Glória Cavalera (esposa de Max) como empresária. Ok, entendido.  Mas Max não aceitou isso e saiu da banda em 1996. E isso chegou a virar uma carta em matéria de revista e tudo.

Pronto: mais revista de fofocas impossível!

Não pretendo falar de quem acusa quem, pois está em revistas e livros, logo, não me prenderei a esse tipo de coisa escrota e que não edifica ninguém.

Hoje, 21 anos depois de tantas tretas, o mundo tem 3 bandas excelentes: o Sepultura, que foi adiante sem Max e com Derrick nos vocais; o Soulfly de Max e seus convidados; e o Cavalera Conspiracy, onde Max e Iggor tocam juntos.

Mas volta e meia, Max (sozinho ou com Iggor) solta algo na imprensa. Estes dias, saiu a mais recente: Max e Iggor vetaram o uso de músicas dos tempos deles no Sepultura para o documentário sobre a banda.

Caralhos, que porra é essa?

Primeiro: como já esclareci acima, ele saiu da banda. Seja como for, o fato é que ele saiu, não foi despedido ou expulso. Ele saiu em solidariedade à sua esposa (por favor, sem comparações com Yoko Ono, mesmo porque Glória Cavalera é uma ótima empresária), e por não saber lidar com a morte do enteado Dana Wells. O Sepultura resolveu ir adiante sem ele. Não faz sentido em fazer isso. Nem Dave Mustaine, no auge dos bate-bocas com o Metallica, deixou de aparecer no vídeo-tributo a Cliff Burton (o famoso “Cliff ‘Em All”) ou vetou sua presença no vídeo, ou mesmo que as músicas que ajudou a compor aparecessem nos discos do Metallica. Mesmo que legalmente ele tenha esse direito, não é justo. Pode ser legal, mas não é moral. Se assim fosse, Andreas poderia ter vetado as bandas de Max de usar músicas que ele ajudou a compor, mas isso, até onde eu sei, nunca aconteceu.

Segundo: que pai odeia tanto o filho assim? Sim, pois em “My Bloody Roots”, Max fala do Sepultura como seu filho. Então, por que fazer isso? Raivinha de Andreas e Paulo? Só que quem pagará por isso são os fãs, e além do mais, óbvio que ele e Iggor iriam ganhar royalties de direito de imagem e direto de cessão da obra autoral. O fã se lasca e o cara dá risadas (nem vem que não tem, pois qualquer explicação não consegue tirar o odor disso do ar).

Terceiro: acho que todos já sabem que o próprio Max propôs uma tour da formação clássica da banda por grandes festivais. Nada contra a ideia (embora eu veja isso como viver de passado), até acho muito válida. Mas não rolou, logo, bola para frente e segue o jogo, oras.

Me perdoem pela sinceridade, mas a ideia que fica clara em minha mente é que Max (com ou sem Iggor) se sente um perdedor sem o Sepultura. E não é para isso, pois basta ele pôr o nome em algo e vira preciosidade. E como faço, acompanho o trabalho das 3 bandas e vejo cada coisa fantástica deles após “Roots”. Caralhos, discos como “Enslaved”, “Pandemonium” e “Machine Messiah” são obras-primas em termos de criatividade em um momento em que a clonagem dos anos 70 e 80 está comendo solta e sem limites! São sopros de vida em um cenário que está desgastado!

Querem saber de uma coisa? Sem dar piruada em assuntos que não são meus, acho que a banda deveria fazer uma reunion tour com a formação clássica, mais Derrick e Eloy. Pronto, paz selada, problemas encerrados, todo mundo feliz, e vamos adiante!

Ah, sim, ao bando de babaquaras que compram estas brigas como se fossem times de futebol: vão à merda, porra! Não quero saber se você ama o Sepultura com Max, se ama sem Max, pois uma coisa é clara: não se deve fazer previsões do futuro, mas garanto que o Sepultura clássico nunca mais faria um “Arise”, um “Beneath the Remains”, um “Chaos A. D.” ou um “Roots”. Eles nunca se repetiam, e o que poderia vir no futuro não iria satisfazer os fãs da banda mais antigos (aqui no Brasil, até hoje, “Roots” é um disco que desperta amor e ódio, diferente do que ocorre no exterior). Posso estar errado, poderia vir algo maravilhoso, mas o fato é que não seria como o que haviam feito antes.

Finalizando, deixo uma frase para todos, e espero que me entendam: “Esqueça o passado, não pense no futuro, mas concentre-se apenas no presente” (Buda).

Mas já sei que em breve, lá vem mais um capítulo dessa “Os Ricos Também Choram” à lá Brasil.

 

 

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