De Danilo Gentili e ao Krisiun

Por “Metal Mark” Garcia

Como sempre, parece que ser contraproducente é um estigma do fã de Metal brasileiro.

A recente polêmica se volta contra um dos grupos brasileiros de maior expressão no exterior: Krisiun. No dia 21/12/2018, o grupo foi convidado e compareceu ao programa The Noite, do apresentador Danilo Gentili. Pronto: soube de gente reclamando horrores por eles terem ido. De cara, jurava que era a mentalidade errônea dos fãs brasileiros sobre o que é underground imperando, mas para o desgosto de muitos, as reclamações tinham fundo ideológico de esquerda em termos políticos do que com o cenário.

Não sou muito de TV aberta, admito. Mas vejo a presença do Krisiun, bem como do designer Marcelo Vasco (da PR2Design) com muito bons olhos por muitos motivos. O mais importante de todos é que esta visibilidade causará em primeira instância o surgimento de novos fãs para o Metal, ou seja, existirá a renovação do público. Lembrando que Rock e suas vertentes são músicas de jovens, logo, se não é capaz de entender isso e quer ficar preso ao passado ou aos porões do underground, azar o de vocês. Que venham mais e mais jovens ao meio.

Por outro lado, há a questão mercadológica: aparecendo em um programa de TV aberta, o Krisiun ganhou maior exposição, logo, a possibilidade de mais shows em eventos fora de Metal, como festivais multiculturais pelo Brasil afora, podem lhes abrir as portas, bem como para outros nomes. E isso é bom, gera lucro e novos fãs também.

Ainda nesse ponto, é preciso respeitar o trabalho do Krisiun. A banda já não tem mais os laços amadores que permeiam o nosso underground. Eles possuem a mentalidade do underground, o que é diferente e é ela que dita as regras no processo de composição de suas músicas, mas são um grupo altamente profissional. Aliás, desde que chegaram em São Paulo (conforme conversas que eu tive com uma pessoa ligada à banda há alguns anos) mantiveram essa mentalidade, ensaiando 2 horas todos os dias, tocando em tudo que é canto e atendendo seus fãs com respeito. Eu mesmo os conheci bem depois do sucesso, e sempre fui tratado com enorme respeito. E é esse respeito pelos fãs e essa mentalidade underground que os levou a ser um dos grandes nomes do Metal nacional.

Aliás, tanta reclamação quando ocorre algo do tipo não é algo recente. O Ratos de Porão chegou a tocar no finado Viva a Noite (do apresentador Gugu Liberato) em 1991, quando tocaram a música Sofrer, do recém-lançado Anarkophobia. Óbvio que naqueles tempos as reclamações ocorreram, mas não foram notadas porque a internet não existia. No entanto, o Kreator e o Sepultura chegaram a tocar no Programa Livre do Serginho Groisman. Acho que a maioria dos reclamões não falou muito por dormir muito cedo…

Voltando, o grupo foi entrevistado e tocou uma de suas músicas ao vivo. Fez sua parte.

Sobre o lado ideológico, torno a dizer: enfiem isso no ouvido. A banda não tem que obedecer ao que você pensa. Ela faz o que bem quer. Ela precisa fazer isso, não pode ficar estagnada, tem que alcançar mais e mais fãs. Ainda mais nos tempos de hoje, em que as bandas não ganham dinheiro com venda de CDs, mas com shows e a consequente venda de merchandising. Aparecendo no The Noite, podem ter aberto chances para mais e mais shows.

Por outro lado, pensando no aspecto de pioneirismo, o Krisiun pode estar sendo a ponta-de-lança que está abrindo novas possibilidades, sendo a primeira de (assim espero) outras que poderão estar lá. E isso desencadearia a renovação e crescimento do cenário por aqui. Agora, se você é contra, faça um favor: se for por sua mentalidade bolorenta de banger underground ou banger “lacrador”, fique caladinho. Em ambos os casos, quanto mais falam, pior as coisas ficam, logo, vosso silêncio é sua maior dádiva ao cenário.

Finalizando: espero que o Krisiun continue crescendo, e que tenha aberto portas para outras bandas. E ao apresentador Danilo Gentili e à produção do programa, peço encarecidamente: por favor, levem mais bandas de Metal ao programa. Faço questão de fazer propaganda dos mesmos.

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