Uma apologia aos meus ídolos

Uma Apologia aos meus ídolos

Por “Metal Mark” Garcia

A política no Brasil é de tão baixo nível e tão infecciosa como a peste negra. Desde o dia em que começou a disputa pelo segundo turno das eleições, começou um autêntico tsunami de lixo ideológico no Facebook e outros. E mesmo alguns ícones do Metal acabaram sendo arranhados por conta da cegueira de muitos. Ícones que eu respeito e gosto desde que era apenas um adolescente nos anos 80. Por isso, resolvi, em moldes semelhantes aos de Platão, a fazer uma apologia aos meus ídolos. Para quem não sabe, apologia vem do grego Απολογία, e significa “defesa”, “justificação”.

Caso 1: Todos sabem do ocorrido no show do Korzus em Recife, no dia 13/10/2018: Marcello Pompeu faz um discurso sobre a questão política atual, e houve a invasão do palco por um fã que queria tirar satisfações com o vocalista. Tudo porque, conforme atestado pelo autor Renan Soares nesta matéria.

Minha pergunta é: que tipo de coisa leva um fã a fazer isso? De acordo com boatos na internet, o mesmo estava com camisa do PT (como eu disse, é boato, não falo com certeza). Se for por ideologia política, quem te disse que é obrigatório crer nas mesmas coisas que você?

A ele e a outros headbangers de meia pataca: o discurso foi isento de lados, chamando os Headbangers (com letra maiúscula) a se unirem e mandarem os políticos se ferrarem. E “isento” significa “livre de concepções”, das concepções de um bando de panacas que acham que sabem de tudo!

Acompanho o Korzus desde de 1986, quando comprei o segundo volume da SP Metal. Ou seja: “Príncipe da Escuridão” e “Guerreiros do Metal” fazem parte da minha raiz musical. Vi o grupo passar por poucas e boas que, se eu começar a citar, pode ficar algo gigantesco. E você defendendo canalhas que nem mesmo sabem que você existe! Pompeu te olhará nos olhos sempre, mas e os outros?

Sabia que Pompeu (junto com Dick) segura essa barra desde 1983, quando a maioria dos leitores nem havia nascido? Pode falar para seu professor doutrinador (eles existem, nem adianta negar) ir para a Venezuela, e você pode ir junto. Eu fico com o Korzus. Você não é Headbanger que honra as calças. Não é um de nós!

Na lata: você nunca lançou um “Sonho Maníaco”, “Mass Illusion” ou um “Ties of Blood”, lançou? Então, você não tem direito a falar.

Também andei vendo publicações sobre Wagner, do Sarcófago.

Não sei de muita coisa (e nem me preocupo), mas parece que ele apoiou Bolsonaro, e sinceramente? Danem-se!

Bolsonaro, Haddah, macaco Tião, touro Ferdinando ou Seu Madruga, qualquer um tem a liberdade de apoiar e fazer campanha para quem ele desejar, e não é da conta de ninguém. “Ah, mas você acha certo o cara que gravou (…) apoiar um…” é a frase que alguns idiotas falariam. Minha resposta é simples: se você não gravou “INRI”, “Rotting”, “The Laws of Scourge” ou “Hate”, você não fala. Vou mais longe: a banda de quem está falando mal é importantíssima para a consolidação do Death/Black Metal europeu, de forma que alguns músicos bem notórios já me falaram (fora de entrevista) que “INRI” é um clássico. Se fala apesar disso, não é um Headbanger.

Aliás, Dr. Wagner, pois ele é professor universitário de Economia, com prêmios e participa de programas de pós-graduação na UFMG. Ou seja, ele não é qualquer mané que basta um paspalhão dizer que sua opinião importa. É sua, seu direito, mas não me importa. Você não é um de nós!

O terceiro e último, que nem é brasileiro, é Tom Araya, do Slayer.

Tom fez uma postagem em seu perfil no Instagram.

Pronto: começa o pessoal a falar asneiras, a velha mania de meterem o dedo na cara do outro (por isso sou a favor de jogar a responsabilidade total da educação sobre os pais).

Foto: Marta Ayora

Minha pergunta é simples: vocês acham realmente que possuem o direito de controlar a opinião alheia? Caramba, o que li tem contornos de algo que, embora real, tem um toque de ironia evidente. E novamente: Tom tem o direito de acreditar/falar o que bem desejar. Aliás, os conservadores que tantos odeiam fizeram mais pela economia e por seus países que Che Guevara e o bando que cisma que são heróis. Aliás, conservadores e liberais econômicos, no século XIX, são pais inclusive do modelo de bem-estar social visto no Norte da Europa (que era uma oposição ao modelo socialista da época) que a esquerda brasileira cisma que é socialista (Ah, a Noruega, uma monarquia parlamentar, é de esquerda? Monarquia? Vocês andam bebendo demais).

Novamente: você lançou um “Show No Mercy”, “Hell Awaits” ou “South of Heaven”? Ou, pelo menos, um “Diabolus in Musica”? Sua banda marcou a história do Metal com “Reign in Blood”, um disco que é A Planta Baixa do Death Metal norte-americano? Então, você não fala. Você não é um Headbanger. Não é um de nós.

Pode parecer que estou defendo as ideias deles. Não, não estou. O que pratico, inicialmente, é “posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las”, frase do filósofo Iluminista Voltaire. Sua militância ou sua mania de censura politicamente correta é algo seu, não de todos, e especialmente, não te dá direito de se meter na vida alheia e dizer aos outros o que devem dizer/falar. Você pensa e age conforme achar melhor, os outros, a mesma coisa, e cada um no seu espaço.

Agora, se insistir nisso, torno a dizer: Wagner, Pompeu e Tom, como outros, são Headbangers, e os defenderei como os valores que aprendi lá nos anos 80 pedem que eu o faça: Metal acima de tudo, e assim, não me importa etnia, ideologia política, gênero, nada.

Agora, se quer debater, apesar de tudo, você não é um de nós…

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