O fim de uma banda é motivo para comemorar?

 

Foto: Pei Fon/ Rock Meeting
Todos os direitos reservados.

O fim de uma banda é motivo para comemorar? As dúvidas dos que pensam…

Por Marcos Garcia | Fotos Pei Fon

O Facebook é uma excelente fonte de informação (e inspiração). Não há um mês em que as reações dos fãs de Metal me decepcionem (ironic mode on).

Escreve estas linhas em uma tarde de domingo, após o feriadão de Corpus Christi de 2018. Basta dizer que duas bandas muito conhecidas anunciaram o fim de suas atividades: por aqui, o Matanza; lá fora, o Burzum. É claro que ninguém é obrigado a gostar das bandas, mas me pergunto qual o sentido nas comemorações que eu vi.

Sim, muita gente comemorou o fim de ambas, e isso muito me preocupa. Especialmente no que tange a alienação dos fãs de Metal em relação aos fatores comerciais que cercam a música e impulsionam todo um setor da indústria do entretenimento.

Foto: Pei Fon/ Rock Meeting
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O Burzum é envolto em questões políticas. Tal qual Graveland e outros, é um grupo (na realidade, uma “one man band”) perseguido pelo setor antifa no Metal. Concordo que convicções nazistas são algo degradante, mas particularmente, sou dos que ouvem a música e deixam a política para lá. Em geral, antifas são fanáticos, e como um touro ao ver a cor vermelha, só pensa em atacar, não em pensar por si mesmo e entender que quem ouve a banda pode nada a ter com a ideologia de Varg (mesmo porque, até onde me consta, as letras do grupo são focadas em paganismo nórdico). Aliás, ser antifa dentro do Metal é ser motivo de risadas, pois a liberdade de expressão é um direito de todos, mesmo que os antifas não gostem muito. Aliás, acho que são tão ditatoriais quanto a ideologia a qual se opõem.

No caso do Matanza, a questão empresarial entra em cena com toda força. O grupo ganhou popularidade com seu trabalho e tem uma imensa legião de fãs no Brasil inteiro. Mas há algo interessante: o grupo tinha seu próprio festival, o Matanza Fest, e cansou de convidar bandas de Metal para integrarem o cast. Desta forma, parando, muitas bandas perdem a chance de alcançar um público maior. Além disso, quem já viu a banda ao vivo ou algum vídeo, já reparou nas camisas que o guitarrista Donida usa? Dark Funeral, Darkest Hate Warfront… Só bandas de Metal! O Matanza usou a fama que tinha para dar uma força a muitas bandas de Metal.

Foto: Pei Fon/ Rock Meeting
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Isso sem mencionar que o Matanza trouxe inúmeros fãs mais jovens que acabaram vindo para o Metal, e que como reza a tradição burra do gênero, eles viraram as costas à banda e passaram a falar mal. Cuspir no prato que se come é uma constante ridícula no Metal, sempre foi e sempre será. Nos 80, o Glam Metal foi porta de entrada para muitos, e depois, no radicalismo da época, fizemos isso (eu fiz, e tantos outros também); nos 90, foi o Grunge (se bem que eu não gostava, e continuo não gostando, mas deixo para lá, não me interessa porque falo do que eu gosto), e hoje, o Matanza e bandas de New Metal pagam a conta. Quando vão deixar de ser crianças?

E agora, parando, quem irá ocupar o lugar deles?

Em ambos os casos, me entristece ver o quanto o headbanger, seja antifa, protifa ou PATIFA, ou quando não gosta de uma banda, é capaz desse tipo de atitude contraproducente. Cresçam, aqui não é a sua sala de aula com seu professor doutrinador, e muitos de meus contemporâneos não são portadores de verdades absolutas. Nem eu o sou!

Se pensarem, a perda do Matanza é triste para o Metal. Perdemos algo, e em termos de RJ, as coisas podem ficar ainda piores.

Aprendam a pensar além do próprio umbigo, por favor!

1 Comment

  • Meu amigo, escutar música só por escutar é abrir espaço pra fascista, estuprador, machista, homofóbico se propagar. Musica tem ideologia, política envolve tudo. Tem que boicotar, tem que ser radical. Afinal, não se da flores para nazista, certo?

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